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Solidão faz mal? Saúde mental e vínculos

13 de junho de 2022 by Thiago Moretti F.

Solidão faz mal quando deixa de ser um momento escolhido e passa a significar isolamento, falta de apoio ou sofrimento persistente. Ela pode afetar humor, sono, hábitos, motivação e busca por cuidado, especialmente quando se prolonga.

Mas, mesmo na era da internet, um número enorme de pessoas relatam que o sentimento de solidão é algo cada vez mais comum.

E, seguindo na mesma direção, solidão persistente pode aparecer junto de ansiedade, depressão, piora do sono e redução de autocuidado. A relação não é simples causa e efeito, mas o sofrimento social prolongado merece atenção.

O Que É A Solidão?

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Se analisarmos apenas a palavra, “solidão” é o estado de se estar sozinho e afastado das outras pessoas, seja por decisão própria ou não.

Entretanto, a solidão também pode ser considerada algo psicológico, sendo possível se sentir solitário em meio à muitas pessoas, e não se sentir assim, mesmo estando fisicamente sozinho.

Por isso, a definição de solidão muitas vezes pode mudar de pessoa para pessoa, assim como a sua percepção e consequências.

Os Efeitos da Solidão na Mente E no Corpo

A solidão e o isolamento são considerados fontes importantes de estresse, e assim seus efeitos podem levar ao aumento da inflamação sistêmica, o que por sua vez eleva o risco de problemas cardiovasculares, incluindo morte.

Além disso, a solidão também está ligada a outros problemas de saúde, como obesidade, depressão e ansiedade, e alterações no sono.

Sintomas físicos também são comuns em caso de ansiedade, como taquicardia (batimento acelerado), refluxo e dores no peito.

Por isso, a solidão importa clinicamente quando se torna frequente, involuntária e associada a sofrimento, perda de rotina, isolamento ou dificuldade de pedir ajuda.

Formas de reduzir isolamento

Apesar de parecer algo simples, muitas pessoas têm dificuldade para se relacionar e evitar a solidão.

Isso ocorre principalmente com pessoas introvertidas ou que se mudaram recentemente, mas a dificuldade pode atingir qualquer um.

Entretanto, existem algumas formas de tentar evitar o problema, ou ao menos aumentar a chance de expandir o círculo social e evitar a solidão. São elas:

  • Se matricular em atividades que envolvam outras pessoas, como esportes, academia ou cursos;
  • Procurar associações que lidem com temas de seu interesse, como clubes de leitura;
  • Procurar um terapeuta, caso a dificuldade de se relacionar ou a solidão estejam causando sofrimento, ou problemas intensos.

O Lado Bom de Ficar Sozinho

solitude

Diferente da solidão, o ato de ficar sozinho, também chamado de solitude, pode trazer algumas coisas boas, descritas muitas vezes como uma sensação de paz interior e autoconhecimento.

Nesse caso, algumas pessoas optam por passar algum tempo sozinhas, como forma de reorganizar os pensamentos ou mesmo para aliviar o estresse que a rotina diária pode trazer.

Isso pode ser feito de várias formas diferentes, a partir da realização de atividades que comumente são feitas em companhia de outras pessoas, mas, nesse caso, sendo feitas sozinho.

Alguns exemplos são:

  • Viajar;
  • Sair para caminhar ou fazer outras atividades ao ar livre;
  • Ir a um restaurante ou cinema;
  • Ficar em casa, lendo ou assistindo algo.

Mas, diferente da solidão, a solitude é algo voluntário e pode ser interrompida quando a pessoa sentir necessidade.

Solidão não é o mesmo que ficar sozinho

Ficar sozinho por escolha pode ser reparador. Solidão, no sentido clínico e social, aparece quando a pessoa sente falta de vínculos, apoio ou pertencimento. A diferença está menos no número de pessoas ao redor e mais na qualidade da conexão e no sofrimento gerado.

SituaçãoO que observar
Solitude escolhidaA pessoa consegue descansar, criar, pensar ou se recuperar, e pode buscar contato quando deseja.
Solidão persistenteHá sofrimento, sensação de abandono, vergonha, dificuldade de sair ou perda de interesse.
Isolamento socialHá poucos contatos, pouca rede de apoio ou barreiras reais para conviver.
Alerta em saúde mentalAparecem desesperança, abandono de cuidados, uso maior de álcool ou pensamentos de morte.

O primeiro passo pode ser pequeno: retomar uma pessoa de confiança, marcar uma atividade com horário fixo, procurar grupo de interesse ou conversar com psicólogo/psiquiatra quando há sofrimento importante. A meta não é “ser sociável”, mas reduzir isolamento e aumentar apoio real.

Quando a solidão pede ajuda

A solidão merece mais atenção quando é frequente, involuntária, vem com tristeza persistente, perda de interesse, piora do sono, uso maior de álcool, abandono de tratamento ou dificuldade de sair de casa. Nesses casos, a resposta não é apenas “socializar mais”, e sim montar apoio real e avaliar saúde mental.

Se houver pensamentos de morte, autolesão ou risco imediato, procure atendimento de urgência ou serviço de emergência local imediatamente.

Socialização também precisa ser possível. Dor crônica, luto, desemprego, deficiência, cuidadoria, mudança de cidade e falta de transporte mudam o plano. Pequenas rotinas com horário, grupo de interesse, contato familiar, terapia ou acompanhamento médico podem ser mais realistas do que metas amplas.

Vale diferenciar ficar só por escolha de sentir-se sem apoio. A primeira situação pode ser descanso; a segunda costuma vir com sensação de desconexão, vergonha ou falta de pertencimento. Essa diferença muda a conversa, porque nem toda pessoa isolada quer mais eventos sociais, e nem toda pessoa cercada de gente se sente acompanhada.

Um plano simples começa com um contato confiável, um compromisso previsível e uma barreira concreta para remover: transporte, custo, medo, dor, agenda ou falta de convite. Quando há sintomas de depressão ou ansiedade, o cuidado profissional entra junto, não depois de “resolver” a vida social.

Também vale observar o tempo. Um fim de semana solitário depois de uma semana pesada é diferente de meses sem troca significativa. Duração, sofrimento, perda de função e ausência de rede mudam a prioridade.

Para pessoas idosas, cuidadores e quem vive com doença crônica, a solidão pode aparecer junto de consultas perdidas, alimentação pior, menos movimento e menor adesão a remédios. Esses sinais tornam a rede de apoio parte concreta do cuidado, não apenas companhia.

Referências Bibliográficas

Bandelow B, Michaelis S. Epidemiology of anxiety disorders in the 21st century. Dialogues in Clinical Neuroscience. Volume 17, 2015 – Issue 3.

Depression and Other Common Mental Disorders. Global Health Estimate. World Health Organization. 2017.

Fontes úteis

  • CDC: health effects of social isolation and loneliness
  • NIMH: mental health information
  • MedlinePlus: mental health

Arquivado em: Notícias, Psicologia

Exame PCR: para que serve e quando é usado

13 de junho de 2022 by Dra. Juliana Toma

Compare o resultado atual com os valores de referência do laboratório, exames anteriores e sintomas.

Utilizado para detectar o vírus SARS-COV-2, este exame ganhou notoriedade por ser considerado “padrão ouro”, ou seja, apresenta altíssima precisão para detectar o vírus da covid-19.

Mapa clínico: exame PCR sem confundir resultado com gravidade

Em resumo: PCR identifica material genético de microrganismos ou células, por isso pode detectar infecção em fases específicas. O resultado precisa ser lido junto com o tipo de amostra, o momento da coleta, sintomas e objetivo do exame; positivo nem sempre mede gravidade, e negativo nem sempre encerra a investigação.

Fluxo visual do exame PCR com amostra adequada, momento da coleta e interpretação com sintomas.
O mesmo exame pode ter sentido diferente conforme a fase da doença.
Diagrama sobre interpretação do PCR: material genético, sintomas e impacto na conduta.
A pergunta clínica vem antes da conclusão automática.
ResultadoO que pode significarO que conferir
PositivoMaterial genético foi detectado na amostra.Sintomas, tempo de doença e orientação médica.
NegativoNada foi detectado naquela amostra.Coleta precoce, amostra ruim ou outra causa possível.
InconclusivoO laboratório não conseguiu interpretar com segurança.Necessidade de repetir ou usar outro teste.
  • Anote data de início dos sintomas e data da coleta.
  • Confirme qual amostra foi usada: nasal, saliva, sangue, secreção ou tecido.
  • Não use o resultado isolado para decidir antibiótico, isolamento ou retorno ao trabalho.

O valor do PCR está na pergunta certa: detectar material genético em uma amostra específica, não resumir todo o quadro clínico.

Para continuar no tema: Exames | Quando exames mudam conduta

A PCR é usada em diversas áreas da biologia e da medicina, com destaque para o âmbito da pesquisa em biologia molecular e para diagnósticos médicos, especialmente na investigação de doenças genéticas.

O Que É O Exame PCR?

A sigla PCR significa reação em cadeia da polimerase e provém do inglês Polymerase Chain Reaction.

Também conhecido como teste molecular, o exame tem a função de detectar o material genético de um patógeno.

Dessa forma, a partir da coleta do DNA do paciente, é possível a amplificação de um segmento específico de DNA dentro de um genoma.

A polimerase é uma enzima que participa da multiplicação do material genético quando este é processado em laboratório.

Por este motivo é denominada de “reação em cadeia da polimerase”.

Confira abaixo a descrição detalhada da realização do exame.

Como O Exame É Realizado?

A PCR é realizada a partir da coleta de material da garganta e/ou nariz da pessoa que solicita o teste.

A amostra é processada, em laboratório, por reagentes químicos, máquinas e outras técnicas moleculares que forem necessárias.

O objetivo é produzir muitas cópias de uma região específica do DNA de forma que possa ser utilizada de outra maneira, conforme a análise do pedido.

Para efetuar a reação em cadeia da polimerase é essencial a reprodução de novas fitas de DNA utilizando as existentes como moldes.

Para isso, o pesquisador define a região do DNA que será copiada ou amplificada e cada cópia feita serve como molde para as próximas séries de reprodução do DNA.

Por isso a PCR é um exame tão importante nos dias atuais!

O sequenciamento de DNA permite manipular a região do DNA estudada e, consequentemente, saber se um patógeno está presente no organismo do paciente.

Então Para Que Serve A PCR, Afinal?

dna

Como vimos, o processo descrito serve para ampliar a pequena quantidade de DNA disponível em uma amostra.

Assim, através da realização da análise dos genes, é possível o diagnóstico de doenças genéticas e a detecção de agentes infecciosos como vírus, bactérias, fungos, entre outros.

É fundamental que este processo seja realizado em ambiente adequado, respeitando os ciclos de temperatura e com os reagentes fundamentais para propiciar a reação. São eles:

  • Água;
  • DNA molde;
  • Tampão;
  • Iniciadores;
  • Nucleotídeos;
  • Cloreto de magnésio;
  • DNA Polimerase (Taq).

Mas não é só isso.

Em laboratório, o equipamento utilizado chama-se termociclador e possui a capacidade de elevar ou diminuir a temperatura conforme a programação efetuada.

Assim, a realização do exame é considerada simples e as variações de temperatura caracterizam as três etapas do teste (desnaturação, abertamente e extensão).

E a revelação dos resultados pode ocorrer pelos seguintes métodos:

  • Eletroforese:
  • PCR em tempo real.

Aplicações da PCR

Por ser um teste molecular, a PCR tem aplicações práticas em laboratório de pesquisa e na ciência forense.

Na medicina, este exame é realizado para os seguintes diagnósticos:

  • Exame cariótipo associado a casos de infertilidade e em casos de aborto de repetição;
  • Sexagem fetal;
  • Doenças ligadas aos genes;
  • Doenças causadas por agentes externos como chikungunya, dengue, zika, gonorreia, clamídia e HPV;
  • Pesquisa de polimorfismo;
  • Prevenção , diagnóstico e controle de alguns tipos de câncer, como a leucemia mielóide crônica (LMC) e o tumor neuroectodérmico primitivo (PNET).

Importância da PCR E Destaque na Era COVID-19

coronavirus

O exame da reação em cadeia da polimerase ganhou notoriedade desde a pandemia da covid-19.

É considerado o exame “padrão ouro” para a detecção do agente da covid-19, dentre os tipos de testes disponíveis (moleculares, imunológicos e testes rápidos).

A metodologia baseada na reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa com reação de amplificação em tempo real  (RT-PCR) é a que melhor se aplica para detectar o vírus da covid-19.

E você sabe quando deve ser realizado o RT-PCR para a detecção da covid-19?

Esteja atento se apresentar alguns dos sintomas abaixo:

  • Tosse seca e persistente;
  • Febre;
  • Cansaço excessivo;
  • Dor muscular generalizada;
  • Garganta inflamada;
  • Coriza ou nariz entupido;
  • Dor de cabeça;
  • Diarreia;
  • Perda do olfato e paladar.

O exame é realizado pela coleta de amostra com swab nasal e nasofaríngeo.

Utiliza-se um cotonete estéril para o recolhimento de secreções e amostras que irão para a análise em laboratório.

A coleta é indicada, preferencialmente, entre o terceiro e quarto dia de manifestação dos sintomas e ocorre a partir da detecção ativa do vírus no organismo.

O que muda a interpretação

Um resultado fora da referência pode ser transitório ou estar relacionado a medicamentos. Um resultado normal, por si só, não exclui doença quando os sintomas persistem.

PerguntaPor que ajuda
Por que o exame foi pedido?Liga o número ao sintoma ou acompanhamento correto.
Há resultado anterior?Mostra tendência, não apenas foto de um dia.
Usa medicamentos?Alguns remédios alteram exames e sintomas.
Há sinais associados?Define se o achado é incidental ou exige conduta.

Leve o laudo completo, não apenas um print do valor alterado. Método, unidade, referência do laboratório e histórico do paciente mudam a leitura.

Conclusão

Agora você já sabe que a PCR é considerada o “padrão ouro” dos testes para a detecção da covid-19 e para o diagnóstico de outras doenças.

Isso significa que é a melhor opção de exame em caso de suspeita de covid-19.

E mais, este teste é facilmente encontrado em farmácias e laboratórios.

Avalie esta alternativa no momento da sua escolha!

Referências

1 – Reação em cadeia da polimerase (PCR). Disponível em: <pt.khanacademy.org/science/biology/biotech-dna-technology/dna-sequencing-pcr-electrophoresis/a/polymerase-chain-reaction-pcr> Acesso em 25 de maio de 2022.

2 – CÂMARA, B. Reação em cadeia da polimerase – PCR. Disponível em <https://www.biomedicinapadrao.com.br/2011/10/reacao-em-cadeia-da-polimerase-pcr.html?m=1> Acesso em: 25 de maio de 2022.

3 – BOTELHO, I.T.B. Reação em cadeia de polimerase. IV Curso de verão em biologia molecular e genômica. Disponível em: <proto.ufsc.br/files/2012/03/PCR.pdf> Acesso em: 26 de maio de 2022.

4 – SILVA, A.F.; PIOVESAN, A.C.; ROSSALU, L.M. Reação em cadeia da polimerase  – PCR. Disponível em: <unilago.edu.br/revista/edicaoatual/Sumario/2016/downloads/31.pdf> Acesso em: 26 de maio de 2022.

5 – FREITAS, F. As aplicações da reação em cadeia da polimerase na medicina humana. Disponível em: www.laborgene.com.br/as-aplicacoes-da-reacao-em-cadeia-da-polimerase-na-medicina-humana Acesso em: 26 de maio de 2022.

6 – VIEIRA, L.M.; EMERY, E.; ANDRILO, A. Covid-19. Diagnóstico laboratorial para clínicos. Disponível em: <User/psicologia/Downloads/mespuga,+COVID-19+-+Diagnóstico+Laboratorial+para+Clínicos%20(1).pdf> Acesso em 27 de maio de 2022.

Fontes de apoio: MedlinePlus: PCR tests

Arquivado em: Artigos, Infectologia

Gaslighting: sinais e como buscar apoio

13 de junho de 2022 by Eduarda Moro

Sofrimento emocional merece atenção quando deixa de ser uma reação passageira e passa a afetar sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho, estudo ou autocuidado. A leitura mais útil observa duração, intensidade, prejuízo e presença de risco para a pessoa ou para terceiros.

Chantagem emocional, termo superficial usado com frequência para falar de algo que é muito mais complexo. Utilizaremos aqui, para nos referirmos com a devida importância à problemática do tema, um outro termo. Conhecido como Gaslighting, a expressão surge a partir de um filme do diretor George Cukor, o Gaslight (1944), em português traduzido para À meia-luz.

Não é por menos que trago o filme para tratarmos do tema. O escopo desta obra cinematográfica muito nos interessa, principalmente, porque retrata como, cotidianamente, jogos mentais vão ganhando força naquilo que se propõem: criando conflitos internos na psique da vítima, fazendo com que duvide de si própria.

A trama gira em torno de um casal, e das artimanhas utilizadas pelo marido para fazer com que sua esposa acredite estar enlouquecendo. No filme em questão, Paula, a protagonista, é submetida a constantes episódios de manipulação psicológica. Um deles é o que dá nome a película. Gaslight, em tradução livre para o português, significa “luz a gás”, referenciando uma cena específica, na qual a mulher percebe uma súbita mudança de luz. O marido, é claro, nega que tenha acontecido, fazendo com que ela se questione sobre o que viu de fato.

Em outro momento, Gregory, o marido, flerta com a empregada do casal. Nessa cena, os três estão no mesmo cômodo da casa. O cortejo se dá com a presença da esposa, que tenta não demonstrar desconforto ou ciúme.

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Gaslight, 1944

Quando a empregada se retira da sala, a esposa questiona Gregory sobre o que acabara de presenciar. O marido, com toda sua perspicácia, sugere que Paula está, novamente, imaginando coisas.

Isso não cessa. Gregory esconde coisas de casa, com o intuito de convencer sua mulher de quem foi ela própria quem as perdeu, entre várias outras situações cotidianas e sutis. Essas duas últimas palavras interessam aqui para prosseguirmos a reflexão.

Como identificar situações de manipulação psicológica e gaslighting

Por ser um termo inglês, gaslighting, pode deixar escapar o significado contido na palavra. Contudo, refere-se ao processo de distorcer a realidade de alguém, de maneira sutil e corriqueira. Ou seja, não é fácil de identificar se você está ou não sofrendo gaslighting, muitas vezes pode ser quase imperceptível. O Gaslighting é considerado uma violência psicológica, cometida através de ações e falas que fazem o outro questionar-se sobre suas próprias certezas.

Como menciona Valeska Zanello – professora de psicologia clínica da UnB –, em entrevista para o Fantástico[1]: o gaslighting produz na vítima “- dúvida acerca da própria percepção e da sanidade mental”. A professora complementa, com uma frase de alerta: “- Eu acho impossível ser mulher heterossexual no Brasil e nunca ter sofrido gaslighting numa relação amorosa”.

“Isso é coisa da sua cabeça”, “Você está imaginando coisas”, “Você é louca”, “Você está histérica”…

Já ouviu isso antes?

Entre tantas outras frases que poderia citar, essas são as mais corriqueiras e cotidianas. Frases que eu inclusive também ouvi. Não é fora do comum, em discussão de relacionamento, se deparar com uma fala dessa vindo em sua direção. A questão é o resultado, a proporção e o peso que expressões como essas tomam em nossa psique.

Punição por meio de jogos mentais, falas que produzem desestabilização emocional (Leia mais sobre clicando aqui), chantagens, desvalorização da opinião da vítima, bem como, seus gostos, ações; abusos quase que imperceptíveis, são apenas algumas das variadas características do gaslighting.

Algo importante a ser mencionado, é o fato de que, acompanhado de ações como as acima citadas, o gaslighting pode esconder-se por detrás de comportamento afetuoso e preocupado. Tornando mais complexo ainda o processo de dar-se conta da relação de violência psicológica, na qual se está vivendo.

O efeito disso na subjetividade da vítima é de enfraquecimento do ego e da moral e desacreditamento de si próprio. Inclusive, o que acontece com muitas pessoas que estão em relações, nas quais são vítimas de gaslighting, é desvalorizar sua própria opinião e raciocínio. Acabando por concordar com o agressor, em muitas de suas colocações e comportamentos agressivos.

O sujeito que sofre com esse tipo de violência psicológica se encontra enfraquecido de si. Em dúvida de sua capacidade e validade no mundo. Já não sabe se pode confiar em seu próprio pensamento e sentimento. Assim, em inúmeros casos de gaslighting, é muito difícil abandonar a relação. Pois, a vítima é levada a acreditar que é culpada pelas situações apontadas pelo companheiro.

Os reflexos da vítima de manipulação psicológica e gaslighting

Como resultado desse processo de distorção da realidade, são produzidas ideias que se confundem na cabeça da vítima, o que antes era dúvida:

Será mesmo que eu estou imaginando isso?

Começa a ser invertido para:

Ele deve estar certo, deve ser coisa da minha cabeça, mais uma vez…

Pensamentos disruptivos como esse vão sendo construídos dia a dia. É quase como se fosse possível ouvir uma voz que diz: não é seguro confiar em você mesmo.

Obviamente que, o gaslighting não acontece apenas em relações românticas. Isso também é comum no trabalho – quando o chefe/supervisor invalida o trabalhador –, ou mesmo na família, por parte de algum parente. Contudo, é mais recorrente nas relações amorosas heterossexuais, nas quais o homem é o agressor e a mulher é a vítima.

O que torna complexa a tarefa de reconhecimento por parte da vítima, é de que, comumente, as situações vexatórias pelas quais é exposta, acontecem dentro de casa. Como já dito anteriormente, são agressões sutis. Quem pratica esse tipo de violência, o faz de modo a se autopreservar. Sendo cuidadoso para não ser pego. A intenção do agressor é, justamente, fazer com que o próprio círculo da vítima concorde com ele. “Ela está louca, de fato”.

Então, como sair dessa situação?

Se você conhece alguém que passa por circunstâncias como as acima citadas, tenha paciência. Essas pessoas são, antes de tudo, vítimas de uma violência silenciosa. Acolha, escute, deixe ela saber que tem alguém para confiar. Lembre-se, quem está sofrendo gaslighting, encontra-se em estado depreciativo de si mesmo.

E, no caso de você ter se identificado com as frases e exemplos descritos, busque apoio profissional da psicologia. Você encontrará o amparo que precisa para sair dessa situação e se libertar de uma relação abusiva.


[1]https://www.youtube.com/watch?v=4KB1MyNXzmo

Fontes úteis

  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental

Arquivado em: Psicologia Marcados com as tags: artigos, psicologia, relacionamento, violência psicológica

Mpox: guia do HC-FMUSP

13 de junho de 2022 by Thiago Moretti F.

Febre persistente, falta de ar, piora rápida, desidratação, confusão, dor intensa ou sintomas em pessoas imunossuprimidas reduzem a segurança de observar apenas em casa.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) lançou neste semana um Guia sobre a Varíola dos Macacos.

O Guia de Normatização para Vigilância e Assistência de Varíola de Macacos no Complexo HC-FMUSP visa normalizar a vigilância, atendimento e tratamento de casos expostos, suspeitos e confirmados de varíola de macacos no complexo hospitalar do HC-FMUSP.

A varíola dos macacos (monkeypox, em inglês) é uma doença rara identificada pela primeira vez em macacos no ano de 1958. A varíola é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma doença de sério risco, inclusive com capacidade de levar pacientes a óbito.

A doença pode ser transmitida de animais para seres humanos e de um ser humano para outro.

Os sintomas da varíola dos macacos incluem febre, dores musculares, dor de cabeça, exaustão, aumento dos gânglios linfáticos e lesões na pele.

Até o momento não existe um tratamento específico para a varíola dos macacos. De acordo com a OMS, a vacina para varíola comum possui eficácia de 85% contra a versão atual.

O que é a Varíola dos Macacos?

variola dos macacos

Também conhecida como Varíola Símia ou Monkeypox.

Monkeypox é uma doença rara causada pela infecção com o vírus monkeypox.

O vírus Monkeypox pertence ao gênero Orthopoxvirus na família Poxviridae. O gênero Orthopoxvirus também inclui o vírus da varíola (que causa a varíola), o vírus vaccinia (usado na vacina contra a varíola) e o vírus da varíola bovina.

É uma zoonose viral, isto é, uma doença infecciosa que passa de animais para humanos, causada pelo vírus de mesmo nome (varíola dos macacos).

Segundo informações da Organização Mundial de Saúde, “desde 13 de maio de 2022, casos de varíola dos macacos foram relatados à OMS em 12 Estados Membros que não são endêmicos para o vírus da varíola dos macacos, em três regiões da OMS. As investigações epidemiológicas estão em andamento, no entanto, os casos relatados até agora não têm ligações de viagem estabelecidas para áreas endêmicas.”

“Esse vírus está circulando há décadas [na África] e pouca atenção foi direcionada a ele, infelizmente. Há centenas, se não milhares, de casos acontecendo lá”, afirmou a epidemiologista da OMS Maria Van Kerkhove, em vídeo institucional de 26 de maio.


Sintomas da Varíola dos Macacos

Sintomas-Variola-dos-Macacos
Fonte: OMS

A varíola dos macacos começa com febre, depois dores gerais no corpo, mal-estar e dores musculares.

Os primeiros sintomas são semelhantes à gripe. Esses geralmente precedem o desenvolvimento de uma erupção cutânea.

As lesões cutâneas iniciam como máculas, que são lesões planas. Em seguida, forma um nódulo firme. A partir daí, torna-se uma bolha, depois uma pústula (uma bolha que contém pus) e depois forma uma crosta.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o período de incubação (o tempo desde a infecção até os sintomas) da varíola dos macacos geralmente é de 7 a 14 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias.


Como a varíola dos macacos é transmitida?

Monkeypox é transmitido através do contato próximo de pessoa para pessoa com lesões, fluidos corporais e gotículas respiratórias e através de materiais contaminados, como roupas ou roupas de cama.

A transmissão secundária, de pessoa para pessoa, pode ser resultado do contato próximo com secreções infectadas das vias respiratórias, lesões na pele de uma pessoa infectada ou objetos recentemente contaminados com fluidos biológicos, ou materiais das lesões de um paciente.

Como a monkeypox é tratada?

Não há tratamento “comprovado e seguro” para o vírus da varíola dos macacos, diz o Centers for Disease Control americano.

Não há tratamentos específicos para a infecção pelo vírus da varíola dos macacos. Os sintomas costumam desaparecer espontaneamente, sem necessidade de tratamento

No entanto, diz a agência, a vacina contra a varíola e antivirais como o cidofovir podem ser usados para prevenir e tratar infecções.


Na presença de sinais e sintomas, é importante ir ao hospital para confirmar o diagnóstico, prevenir a transmissão e iniciar o tratamento, que geralmente inclui o uso de remédios para aliviar os sintomas.



Sobre o Hospital das Clínicas da USP

hc-fmusp

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP é o maior complexo hospitalar da América Latina.

Fundado em abril de 1944, o complexo hospitalar HC é como uma cidade à parte de 600 mil metros quadrados situada na zona oeste de São Paulo. Reúne mais de 20 mil colaboradores, 2.500 leitos, 7,6 milhões de medicamentos distribuídos e 198 milhões de exames diagnósticos realizados.

Em fevereiro, a pesquisa The World’s Best Hospitals 2020 avaliou o HCFMUSP como um dos melhores hospitais do Brasil. Foi a primeira instituição pública de saúde brasileira citada no ranking, que lista os melhores em 21 países.



Acesse o Guia, em .PDF, no link abaixo


GUIA DO HC-FMUSP – VARÍOLA DOS MACACOS (PDF)
GUIA-HC-FMUSP-MONKEYPOX-VARIOLA-DOS-MACACOS

Fontes úteis

  • CDC: doenças infecciosas
  • MedlinePlus: infecções
  • WHO: temas de saúde

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