Pesquisa mostra que poluição ambiental aumenta possibilidade dos casos de arritimia

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Estudo apresentado no congresso científico da Sociedade Européia de Cardiologia aponta que os casos de arritmia com risco de vida são mais recorrentes em ambientes com ar altamente poluído. A pesquisa foi realizada junto a pacientes que utilizam um desfibrilador implantável (CDI), permitindo que os autores rastreassem a ocorrência de arritmias, bem como se prontificassem para o envio da terapia emergencial para a preservação de vidas.

“O nosso estudo sugere que as pessoas com elevado risco de arritmias ventriculares, como as que têm um CDI, devem verificar os níveis diários de poluição”, afirma a autora do estudo, Dra. Alessia Zanni, que atualmente trabalha no Hospital Maggiore, em Bolonha, na Itália.

Quando as concentrações de matéria específica (PM) são elevadas (acima de 35 μg/m3 e 50 μg/m3, respectivamente), o recomendado que as pessoas que possuem esse risco fiquem o maior tempo possível dentro de casa, e se for sair faça uso, se possível, de uma máscara N95, especialmente em áreas de tráfego intenso. O estudo recomenda ainda, que se possível a pessoa utilize um purificador de ar em casa.

A poluição do ar atmosférico mata cerca de 4,2 milhões de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde. Quase uma em cada cinco mortes por doenças cardiovasculares é devida ao ar poluído – o que foi classificado como o quarto factor de risco mais elevado de mortalidade após a tensão arterial elevada, o consumo de tabaco e a dieta pobre em nutrientes.

O estudo investigou a relação entre a poluição do ar e as arritmias ventriculares na cidade de Piacenza, no Norte de Itália. No período de 2019/2020, a Agência Europeia do Ambiente classificou a cidade como a 307ª pior, dentre as 323 cidades com concentrações médias anuais de PM, apresentando um valor de concentração de 20,8 μg/m3.

“Tínhamos observado que as visitas de urgência para arritmias em doentes com CDI tinham tendência a agrupar-se em dias com poluição atmosférica particularmente elevada”, observou o Dr. Zanni. “Decidimos, portanto, comparar a concentração de poluentes atmosféricos nos dias em que os pacientes tinham uma arritmia com os níveis de poluição nos dias sem arritmia”.

O estudo contou com a participação de 146 pacientes consecutivos que receberam um CDI entre Janeiro de 2013 e Dezembro de 2017.

Destes, 93 pessoas receberam um CDI devido à insuficiência cardíaca após um ataque cardíaco, enquanto 53 tinham uma condição genética ou inflamatória do coração. Pouco mais de metade (79 pacientes) nunca tinha sofrido uma arritmia ventricular e 67 pacientes já haviam registrado anteriormente uma arritmia ventricular.

Os dados sobre arritmias ventriculares (taquicardia ventricular e fibrilação ventricular) foram recolhidos remotamente do CDI até à conclusão do estudo no final de 2017. A partir dos dados do dispositivo, os pesquisadores registaram também o envio da terapêutica. Isto incluiu a estimulação antitaquicárdica para taquicardia ventricular (batimento cardíaco rápido), que fornece impulsos eléctricos ao músculo cardíaco para restaurar um ritmo e ritmo cardíacos normais. A segunda terapia foi um choque eléctrico para restabelecer o ritmo cardíaco durante a fibrilação ventricular.

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Os níveis diários de PM10, PM2,5, monóxido de carbono (CO), dióxido de azoto (NO2) e ozônio (O3) foram obtidos nas estações de monitorização da Agência Regional de Proteção Ambiental (ARPA). Aos pacientes foram atribuídas exposições com base no seu endereço domiciliar. Os investigadores analisaram a associação entre as concentrações poluentes e a ocorrência de arritmias ventriculares.

Foi registado um total de 440 arritmias ventriculares durante o período de estudo, das quais 322 foram tratadas através de estimulação antitaquicárdica e 118 foram tratadas com terapia de choque. Os investigadores encontraram uma associação significativa entre níveis de PM2,5 e arritmias ventriculares tratadas com choques, o que corresponde a um aumento de 1,5% do risco para cada 1 μg/m3 de aumento de PM2,5. Também descobriram que quando as concentrações de PM2,5 foram elevadas em 1 μg/m3 durante uma semana inteira, em comparação com os níveis médios, havia uma probabilidade 2,4% maior de arritmias ventriculares independentemente da temperatura. Quando as PM10 foram 1 μg/m3 acima da média durante uma semana, houve um risco elevado de 2,1% de arritmias.

Segundo o Dr. Zanni “A matéria particulada (PM) pode causar uma inflamação aguda do músculo cardíaco e pode actuar como gatilho para as arritmias cardíacas”. Como estas partículas tóxicas são emitidas por centrais eléctricas, indústrias e automóveis, são necessários projetos ecológicos para proteger a saúde, que vai além das ações que os próprios indivíduos podem tomar para se protegerem a si próprios.

Os dados confirmam que a poluição ambiental não é apenas uma emergência climática, mas também um problema de saúde pública já constituído. O estudo sugere que a sobrevivência dos doentes com doenças cardíacas é afetada não só pelas terapias farmacológicas e pelos avanços da cardiologia, mas também pelo ar que estes respiram. Esta batalha pode ser ganha por uma aliança entre sociedades científicas e políticos para proteger não só o ambiente, mas também a saúde da população humana.

Confira o Estudo: http://www.sciencedaily.com/releases/2022/05/220523150654.htm

Leandro Pessoa Dantas da Silva

Jornalista e Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior.

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Jornalista e Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior.

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