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Anosognosia: o que é, sintomas e principais causas

20 de março de 2024 by Dr. Marcus Yu Bin Pai Deixe um comentário

Anosognosia é a dificuldade de reconhecer um déficit real, como perda de força, alteração de memória ou limitação funcional. Ela pode ocorrer em doenças neurológicas e psiquiátricas e exige cuidado porque a pessoa pode não perceber riscos da própria rotina.

Anosognosia é uma condição neurológica caracterizada por uma falta de consciência ou negação de uma doença ou deficiência, mais comumente observada em pacientes com danos cerebrais ou distúrbios neurológicos. 

Esquecimentos são comuns, principalmente em fases de estresse na nossa vida. Contudo, principalmente com o avançar da idade, alguns sintomas devem ser monitorados de perto, pois podem ser um sinal do início de doenças neurológicas, como o Alzheimer, tumores cerebrais, AVCs, esquizofrenia, demência, etc[1]Heilman KM. Anosognosia: possible neuropsychological mechanisms. Awareness of deficit after brain injury: Clinical and theoretical issues. 1991:53-62..

Uma condição que pode estar presente em todas essas doenças é a anosognosia, a falta de consciência de que o indivíduo está doente.

Mesmo para pessoas saudáveis, é comum passar por uma fase de negação ao descobrir qualquer doença, ainda mais se for uma condição que irá permanecer por um tempo ou que não tenha cura, como as doenças autoimunes, por exemplo[2]Tagai K, Nagata T, Shinagawa S, Shigeta M. Anosognosia in patients with Alzheimer’s disease: current perspectives. Psychogeriatrics. 2020 May;20(3):345-52..

Contudo, há um limite para essa negação, e também, a interpretação de que, mesmo negando, a pessoa entende que está com problemas de saúde. Caso seja possível detectar que realmente não há esse entendimento, é hora de procurar um profissional para buscar a fundo a causa de base da anosognosia.

Quer saber mais sobre essa condição, seu sintomas e tratamentos? Vem com a gente e continue a leitura!


O que é a anosognosia?

O bom funcionamento da nossa mente é primordial para os afazeres do dia a dia, nosso bem-estar e o desempenho das nossas atividades cotidianas.

Contudo, há doenças que podem prejudicar nossas habilidades cognitivas, geralmente, nessas condições há um sintoma em comum que se chama anosognosia, que pode dificultar o tratamento e até mesmo a evolução positiva dos resultados das terapias aplicadas ao paciente.

Apesar de ser um termo desconhecido para o público em geral, é de extrema importância que cada vez mais pessoas conheçam a condição, e dessa forma, captem com mais clareza e facilidade os sinais de que algo não vai bem, principalmente com idosos acima de 60 anos.

A anosognosia é uma condição neurológica em que o indivíduo não tem consciência da sua própria doença. Foi descrita pela primeira vez em 1914 pelo médico Joseph Babinski. Não é considerada uma doença, mas um sintoma ou condição que se junta a outros problemas de saúde.

De forma resumida, a anosognosia é a negação da própria doença e a dificuldade em realizar um tratamento, já que acredita não necessitar de acompanhamento, por não estar de fato doente. 

A anosognosia pode ser, também, uma consequência de outras doenças neurológicas, e é bastante comum em fases iniciais ou estágios graves da doença de Alzheimer, tumores cerebrais, demência e esquizofrenia, sendo mais frequente em idosos acima de 60 anos.

Definição: Anosognosia refere-se a uma falta de insight ou consciência sobre os próprios déficits ou deficiências, apesar de evidências claras de sua presença. Pacientes com anosognosia podem negar ou minimizar problemas com paralisia, perda sensorial, comprometimento da memória e outros sintomas.


Como foi descoberto o quadro de anosognosia?

A anosognosia é um diagnóstico bastante delicado, apesar de ser uma condição, e não uma doença . Às vezes os profissionais da saúde levam mais tempo que o esperado para chegar a um acordo sobre o que está acontecendo com o paciente. Além disso, a falta de adesão ao tratamento ou de alguém que esteja sempre por perto do indivíduo para manter o seu bem-estar, é um agravante.

A anosognosia foi descoberta junto a outros problemas físicos em pacientes com paralisia e hemiplegia que não tinham consciência de sua falha motora, em um quadro chamado de heminegligência, em que o paciente não reconhece a metade do seu próprio corpo como seu.

Uma vez que o diagnóstico é feito, é preciso manter o acompanhamento médico com foco em proporcionar a qualidade de vida ao paciente.

Subtipos de Anosognosia

Diferentes formas de anosognosia foram descritas com base no déficit específico que não é reconhecido:

  • Anosognosia para hemiplegia: inconsciência da paralisia em um lado do corpo
  • Anosognosia para perda de memória: falta de insight sobre o comprometimento da memória, comum no início da doença de Alzheimer
  • Anosognosia para déficits visuais como cegueira cortical (síndrome de Anton)


Quais são os sintomas e sinais da anosognosia?

Anosognosia

A anosognosia tem sintomas muito semelhantes a outras doenças neurológicas, e pode ser percebida em mudanças repentinas de comportamentos, como:

  • Dificuldade em identificar seus próprios déficits: Pessoas com anosognosia são incapazes de reconhecer e identificar com precisão os déficits que estão experimentando. Isso pode levá-los a minimizar ou negar a existência de seus déficits, mesmo quando são apontados por familiares e amigos.
  • Negação da existência de seus déficits: Pessoas com anosognosia geralmente são incapazes de reconhecer a gravidade de seus déficits e negam a existência deles, mesmo diante de evidências que sugerem o contrário.<
  • Dificuldade em reconhecer a gravidade de seus déficits: pessoas com anosognosia muitas vezes não conseguem reconhecer ou entender a gravidade de seus déficits, o que pode levar a dificuldades em tomar decisões ou iniciar ações para melhorá-los.
  • Dificuldade em compreender as consequências de seus déficits: Pessoas com aosognosia geralmente não conseguem compreender totalmente as consequências de seus déficits, o que pode levar a dificuldades em tomar decisões ou iniciar ações para melhorar seus déficits.
  • Dificuldade em tomar decisões de forma independente: Pessoas com anosognosia geralmente acham difícil tomar decisões de forma independente devido à dificuldade de entender as consequências de seus déficits.
  • Dificuldade em iniciar ações para melhorar seus déficits: pessoas com anosognosia geralmente lutam para iniciar ações para melhorar seus déficits devido à falta de percepção da causa de seus déficits e à dificuldade em reconhecer a gravidade dos déficits seus déficits.
  • Dificuldade em aceitar ajuda para compensar seus déficits: Pessoas com anosognosia podem achar difícil aceitar ajuda para compensar seus déficits devido à dificuldade em reconhecer a gravidade de seus déficits.
  • Dificuldade em entender como seus déficits afetam seu funcionamento diário: Pessoas com anosognosia geralmente lutam para compreender como seus déficits afetam seu funcionamento diário devido à falta de percepção sobre a causa de seus déficits.
  • Dificuldade em entender como seus déficits estão afetando sua vida: Pessoas com anosognosia muitas vezes não conseguem entender como seus déficits estão afetando sua vida devido à dificuldade em reconhecer a gravidade de seus déficits.
  • Percepção insuficiente sobre a causa de seus déficits: pessoas com anosognosia geralmente têm percepção insuficiente sobre a causa de seus déficits, o que pode levar a dificuldades em tomar decisões ou iniciar ações para melhorá-los.

É sempre importante ficar de olho no paciente e em qualquer sinal de declínio cognitivo, para preservar o bem-estar do indivíduo e otimizar o seu tratamento e qualidade de vida.

Avaliação

A anosognosia é tipicamente avaliada comparando o autorrelato dos sintomas do paciente com medidas objetivas de comprometimento ou o relato de um cuidador. Entrevistas estruturadas e questionários podem ser usados para quantificar o grau de anosognosia.

Como evitar a anosognosia?

As medidas que podem ser tomadas para evitar a anosognosia são as mesmas para evitar a doença de alzheimer ou qualquer problema neurológico que afete de forma negativa a qualidade de vida dos pacientes, sobretudo os idosos, como:

  • Ensinar os pacientes e idosos como detectar sinais de deficiência ou problemas de memória;
  • Incentivar a prática de atividades que tragam prazer e alegria ao paciente;
  • Proporcionar conforto físico e mental,
  • Estimular a capacidade cognitiva, principalmente de idosos acima de 60 anos, de maneira que o indivíduo se mantenha interessado nessas atividades e continue com a mente sempre ativa.

O método mais eficaz para evitar qualquer sintoma relacionado a essa condição ou doenças parecidas ainda é se manter de olho em sinais dados pelos pacientes, principalmente idosos acima de 60 anos.

Qualquer mudança de comportamento, esquecimento maior que o esperado ou dificuldade para compreender a sua condição clínica são pontos importantes a se considerar e procurar com urgência um geriatra ou neurologista.


Quais são as principais causas da anosognosia?

Apesar de a anosognosia ser, geralmente, consequência ou sintoma de condições neurológicas diversas, as principais causas desse problema são:

  • AVC (Acidente Vascular Cerebral): O AVC é a interrupção do fluxo sanguíneo para determinadas regiões do cérebro, o que pode ocasionar a paralisia de uma parte do corpo para falar ou se movimentar, tortura, etc;
  • Demência: Perda progressiva e irreversível das funções intelectuais, o que pode resultar em perda da memória, declínio neurológico, do raciocínio e linguagem, etc;
  • Esquizofrenia: Doença psiquiátrica que se caracteriza pela alteração na forma como a mente funciona, levando o paciente a ter mudanças bruscas em seu comportamento e pensamento;
  • Hemiplegia: Paralisia cerebral que atinge apenas um dos lados do corpo, comum em AVCs e AVEs;
  • Transtornos de humor, em especial o transtorno bipolar: Transtorno que se caracteriza pela alternância de humor que pode durar dias ou meses;
  • Doença de Alzheimer: Condição neurodegenerativa que se caracteriza pela perda e degradação progressiva da memória.


A anosognosia tem cura ou tratamento?

Não há cura para a anosognosia, pois não se trata de uma doença, mas sim de uma condição ou sintoma comum a diversas doenças neurológicas. Também não existe nenhum tratamento específico para esse problema, e que tenha a eficácia esperada para diminuir a sua intensidade. O que mais dificulta a melhora do sintoma é a negação da condição por parte do paciente, já que não acredita estar doente.

O tratamento recomendado é sempre tratar a doença de base do sintoma: caso o paciente seja portador do transtorno bipolar, por exemplo, deverá estar sempre em dia com o seu psiquiatra e usar antidepressivos, antipsicóticos ou estabilizadores de humor, de acordo com a prescrição do profissional. Se o paciente for portador da doença de Alzheimer, deverá fazer o uso das medicações prescritas pelo neurologista e fazer as demais terapias alternativas recomendadas.

Além disso, o estímulo neurológico com atividades prazerosas, como quebra-cabeças, caça-palavras, palavras cruzadas e outras também ajudam a amenizar o sintoma, assim como exercícios físicos, terapia em grupo, psicoterapia, etc.

Correlatos Neurais

Estudos de imagem têm relacionado a anosognosia à disfunção em regiões cerebrais envolvidas no automonitoramento, incluindo o córtex pré-frontal, a junção temporoparietal, o córtex cingulado posterior e o pré-cúneo.

A desconexão entre essas áreas pode interromper a integração das informações necessárias para a autoconsciência.

A anosognosia está presente em uma proporção significativa de pacientes com doença de Alzheimer leve e aumenta com a progressão da doença. Está ligado à apatia, menores pontuações de depressão e ansiedade, sobrecarga do cuidador e comportamentos perigosos


Conheça a relação da anosognosia com o Alzheimer

A anosognosia é frequentemente relacionada ao Alzheimer, sendo uma condição adjunta a perda de memória, perdas sensoriais e motoras e, claro, a dificuldade de entender que está passando por um problema de saúde. 

A anosognosia é mais comum na doença de Alzheimer do que em qualquer outra condição de saúde, sendo assim, o doente não tem consciência da deterioração da sua saúde, dos esquecimentos e das dificuldades motoras, podendo até mesmo achar que essa é a forma normal de se viver.

O Alzheimer e a anosognosia podem apresentar sintomas como:

  • Redução ou perda da cognição;
  • Perdas sensoriais;
  • Perdas motoras;
  • Perda do senso de espaço e tempo;
  • Esquecimentos e falta de consciência.

A perigosa combinação dessas duas condições faz com que o paciente precise de constante cuidado. Além disso, faz com que se negue a acreditar na sua condição e de que realmente há problemas acontecendo em sua mente e saúde em geral. 


Como é feito o diagnóstico de anosognosia? 

O diagnóstico da anosognosia é feito pelo neurologista ou médico geriatra, especialista em idosos, a partir dos relatos da família em relação aos sintomas do paciente, seus comportamentos, memória, alterações de personalidade, linguagem, habilidades para realizar as tarefas do dia a dia, autonomia para comer, tomar banho, se vestir, etc.

Por não ser uma doença em si, mas sim uma condição relacionada a diversas doenças, o diagnóstico pode demorar, o que coloca a qualidade de vida dos pacientes em risco. Por isso, é de extrema importância, em qualquer sinal de mudança de comportamento e habilidades, consultar um médico de confiança.

Logo, de forma resumida, o diagnóstico é feito através de avaliação clínica e observação, ou, também, da progressão de outras doenças neurológicas, como Alzheimer, tumor cerebral, demência, esquizofrenia, etc. Por ser um diagnóstico sem cura, é importante que seja detectado ainda no estágio inicial das doenças, para que assim haja um avanço positivo com os tratamentos e terapias disponíveis atualmente.

Ainda que não tenha cura, o diagnóstico serve para entender o porquê de alguns comportamentos do paciente, e também para decidir quais serão as melhores formas de cuidar do indivíduo, quais manobras de saúde investir ou quais especialidades médicas buscar, etc.


Teste de Anosognosia

Exame de diagnósticoDescrição
Mini exame do estado mental (MMSE)Um questionário de 30 pontos usado para avaliar o comprometimento cognitivo.
Escala de Conscientização sobre Doenças (AIS)Um questionário de 30 pontos usado para avaliar a consciência de uma pessoa sobre sua própria doença.
Teste de BellUma avaliação que avalia a capacidade de uma pessoa de reconhecer o lado direito do corpo.
Teste StroopUm teste de palavras coloridas usado para medir a atenção seletiva.
Teste de classificação de cartas de Wisconsin (WCST)Um teste psicológico usado para medir o funcionamento executivo de uma pessoa.
Escala de percepção cognitiva de Beck (BCIS)Um questionário de 15 itens usado para medir a visão de uma pessoa sobre seu próprio funcionamento cognitivo.


O que fazer ao receber o diagnóstico de anosognosia?

Ao receber o diagnóstico de anosognosia, o mais prudente é buscar ajuda imediata para o paciente, já que o próprio indivíduo não entende que se trata de uma condição de saúde delicada. É a melhor saída para trazer mais qualidade de vida, até mesmo para a família do portador dos sintomas e cuidadores.

Sendo assim, além dos especialistas médicos, se certificar de que os medicamentos estão em dia e as terapias alternativas também estão sendo feitas é a melhor forma de conduzir o pós-diagnóstico. Além disso, ficar de olho em outros sintomas e alterações de comportamento, além de check ups constantes, é outra forma de prevenir a recidiva das doenças de base.

Por fim, manter cuidado constante, vigilância e atenção a todas as necessidades do paciente, oferecer mais qualidade de vida e chance de amenizar os sintomas e problemas que a anosognosia pode causar ao indivíduo. 

O paciente, enquanto não tiver consciência da condição, precisará de ajuda constante com higiene, medicação, compras, alimentação e tudo que envolva seu bem-estar e cuidados pessoais. Caso não seja possível manter alguém da família sempre por perto, um cuidador ou enfermeiro(a) é a melhor opção para manter o bem-estar e saúde do portador da anosognosia.

Aqui no Blog da Saúde nos preocupamos em trazer informação relevante, verdadeira e científica, escrita por médicos, para orientar nas mais diversas situações da sua vida.

Se você tem notado qualquer um dos sintomas citados ao longo do artigo, não hesite em buscar auxílio médico e terapêutico, e assim, resgatar o bem-estar e qualidade de vida de quem você ama.

Para mais conteúdos sobre saúde física, mental, informações científicas e revisadas sobre doenças e medicações, fique sempre de olho no nosso blog.

Anosognosia não é simples negação

Anosognosia é a dificuldade ou incapacidade de reconhecer um déficit real. Pode aparecer após AVC, traumatismo craniano, demência, lesões em áreas específicas do cérebro e alguns quadros psiquiátricos. Diferente de “teimosia”, ela pode fazer parte do próprio funcionamento neurológico do quadro.

SituaçãoPor que muda a abordagem
Pessoa nega perda de força ou memóriaPode haver redução de consciência do déficit, não apenas discordância.
Risco de queda, dirigir ou não aderir ao tratamentoA segurança da rotina precisa ser planejada com família/equipe.
Mudança súbita após AVC ou confusãoExige avaliação neurológica e investigação da causa.
Conflito familiar intensoEducação e estratégias práticas costumam ajudar mais que confronto direto.

O cuidado geralmente combina investigação da causa, reabilitação, comunicação cuidadosa e medidas de segurança. A meta é reduzir risco e melhorar adesão, não “convencer” a pessoa por insistência.

Como reduzir riscos na rotina

Quando a pessoa não reconhece o próprio déficit, discutir apenas “aceitação” costuma funcionar pouco. O cuidado prático é tornar a rotina mais segura: supervisão para dirigir, cozinhar, tomar remédios, andar sozinho e lidar com dinheiro, conforme o déficit observado.

Sinal ou contextoPor que muda a conduta
Déficit recente ou súbitoPode exigir investigação neurológica rápida.
Risco de queda ou acidenteAdaptações e supervisão podem ser necessárias.
Conflito familiar frequenteEstratégias de comunicação ajudam mais que confronto.

Fontes úteis

  • NCBI Bookshelf: Anosognosia

Referências Bibliográficas[+]Referências Bibliográficas[−]

Referências Bibliográficas
↑1 Heilman KM. Anosognosia: possible neuropsychological mechanisms. Awareness of deficit after brain injury: Clinical and theoretical issues. 1991:53-62.
↑2 Tagai K, Nagata T, Shinagawa S, Shigeta M. Anosognosia in patients with Alzheimer’s disease: current perspectives. Psychogeriatrics. 2020 May;20(3):345-52.

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Filmes sobre Alzheimer: assista e entenda mais sobre a doença

17 de agosto de 2022 by Thiago Moretti F. Deixe um comentário

Atualmente, existem diversas doenças neurodegenerativas que afetam de forma significativa a vida das pessoas acometidas. Uma das mais conhecidas hoje em dia é a doença de Alzheimer, que afeta a memória e a cognição dos portadores.

A fim de conscientizar a sociedade sobre a seriedade dessa doença, encontramos diversos filmes sobre Alzheimer, que ajudam a entender o funcionamento desse quadro degenerativo e quando começar a suspeitar dos sintomas.

Quer saber mais sobre o Alzheimer, seus sintomas em cada estágio, tratamento e dicas de filmes para se emocionar e se aprofundar sobre a vida dos pacientes? Então vem com a gente e continue a leitura!

6 filmes sobre Alzheimer para assistir e se emocionar

Atualmente, encontramos centenas de filmes que relatam a vida, a mudança de rotina e o drama de quem convive com o Alzheimer. Confira abaixo os títulos que mais se destacaram com o tempo e escolha o de seu interesse para assistir e entender melhor a doença:

Para Sempre Alice (2015)

O clássico Para Sempre Alice é um dos filmes mais consagrados que abordam a Doença de Alzheimer, lançado em 2015.

O filme aborda o drama vivenciado pela professora especialista em linguística da Universidade de Harvard, Alice Howland, que no auge de sua carreira acadêmica, pessoal e familiar, descobre precocemente que é portadora do Alzheimer. Sendo assim, precisará refazer todo o seu modo de vida e suas prioridades.

Iris (2001)

Iris é a história de amor entre a escritora Iris Murdoch e seu marido em duas épocas diferentes, uma ainda na juventude, com toda uma vida para aproveitar, e em outro momento, quando já está com Alzheimer. O filme, pelo seu enredo e comoção que causou no público, levou para casa um Oscar de ator coadjuvante.

O Filho da Noiva (2001)

O drama O Filho da Noiva apresenta o único arrependimento do pai, Hector Alterio, de não ter casado com sua esposa em uma cerimônia religiosa e decide fazer isso antes de morrer. A grande questão é que sua noiva, Norma Aleandro, está com Alzheimer em nível avançado e a cerimônia tem que ser apressada.

Longe Dela (2006)

O drama Longe Dela fala sobre a vida de um casal feliz que tem a sua vida e rotinas abaladas pela chegada do Alzheimer, por meio de graves sintomas, em meio a perda de memória. Com os exames, Fiona recebe a confirmação do diagnóstico. A princípio, a relutância para aceitar a doença e procurar tratamento é grande, mas com o tempo, se faz necessário a internação em uma clínica.

Uma das principais regras do local é que os pacientes não recebam visitas nos primeiros 30 dias de internação. Assim que Grant, o marido, consegue finalmente vê-la, já não a reconhece mais. Dessa forma, deverá se acostumar com a sua nova condição de amigo e, ao mesmo tempo, se lembrar do passado e reconstruir sua memória.

Diário de uma Paixão (2004)

Um dos filmes mais conhecidos sobre o tema é uma adaptação do livro de mesmo nome, do consagrado autor Nicholas Sparks. O drama relata a história de amor e vida do casal Allie e Noah, separados pelo preconceito dos pais da moça, que não aceitavam Noah pela sua simplicidade e falta de instrução acadêmica.

Além do amor proibido, o filme aborda o enredo do adoecimento de Allie, conforme a idade vai avançando. Para relembrar o passado, as residentes do asilo onde está internada leem o seu diário para que tenha lembranças de sua vida com Noah, seus filhos e família.

Meu Pai (2020)

O drama Meu Pai conta a história de Anthony, um homem morando com sua filha Anne, que rejeita os cuidados com a doença ao longo do seu envelhecimento. Com o tempo, Anthony começa a duvidar do que está acontecendo em sua realidade, em sua mente e com os seus parentes. 


O que é a doença de Alzheimer e o que a doença faz com o cérebro do portador?

filmes sobre alzheimer

A doença de Alzheimer é um distúrbio cerebral grave, progressivo e irreversível que afeta as habilidades de pensamento e memória, e em alguns casos a capacidade de realizar atividades físicas, como asseio pessoal, refeições, lembrar-se de compromissos, etc. A doença acomete principalmente as pessoas com mais de 60 anos, mas pode, também, ocorrer em pessoas mais jovens.

Hoje em dia, estima-se que haja, no Brasil, mais de 1,2 milhões de portadores de Alzheimer, e 35,6 milhões em todo mundo, conforme estimativas da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). É o tipo de demência mais comum na atualidade, representando mais de 70% dos casos.

No Alzheimer, o cérebro do paciente sofre um processo degenerativo e grave, com a morte dos neurônios localizados em diversas regiões do cérebro, mas principalmente nas regiões responsáveis pela memória e outras funções cognitivas.

Qual é a causa da doença de Alzheimer?

A ciência ainda não tem a causa da doença de Alzheimer bem estabelecida, porém, existem diversos fatores de risco que podem contribuir para o seu desenvolvimento. De forma geral, os principais fatores de risco são as doenças do coração, diabetes, hipertensão, dislipidemia, depressão, traumatismo craniano, isolamento social prolongado, sedentarismo, falta de estimulação cognitiva, e claro, a predisposição genética.

Os casos de predisposição genética são mais raros, representando uma fração de 5% do total dos casos, com evolução mais rápida e início em idades mais jovens, antes dos 60 anos. Os demais casos são, geralmente, de aparecimento esporádico. O risco de desenvolver o Alzheimer é maior (2 a 3 vezes mais alto) em pessoas com parentes de primeiro grau que são portadores da doença. 

Quando procurar um médico e como é feito o diagnóstico da doença?

O aconselhado para todas as pessoas, mesmo que não haja nenhum quadro de doença ativa ou predisposição na família, é ter um médico de confiança que as acompanhe de forma contínua em toda vida. Assim, será mais fácil contar com a acurácia do profissional para perceber os sinais precoces da doença de Alzheimer.

Contudo, nem todos podem contar com esse privilégio. Por isso, se sentir que a sua memória está afetada ou nos primeiros sinais de dificuldade de concentração, lembrar de compromissos ou perda de objetos valiosos, procure um clínico geral, neurologista ou geriatra de confiança, para pessoas maiores de 60 anos. Quanto mais cedo começar o tratamento, melhor será a reação aos medicamentos e terapias.

O diagnóstico da doença de Alzheimer é clínico, ou seja, feito por meio de uma consulta médica e a anamnese do profissional. Contudo, existem exames que podem ser auxiliares para verificar a existência da doença, ou ainda, que não há outros diagnósticos que possam ser confundidos com a doença de Alzheimer.

Esses exames são:

Punção de líquor

A punção de líquor é um exame que permite a coleta de biomarcadores para diversas doenças. A análise deve ser realizada junto com a história clínica do paciente, com uma crítica avaliação neuropsicológica e também, com exames de imagem.

Exames de sangue

O primeiro exame de sangue que auxilia na avaliação de risco do Alzheimer chegou ao país recentemente. É recomendado para pessoas que já apresentem um leve comprometimento cognitivo. O exame busca coletar a quantidade de proteína beta amiloide 42 e 40, que é diminuída no organismo de portadores da doença.

É um procedimento realizado por punção venosa, ou seja, é um coleta de sangue simples, que pode ser realizada em laboratório. É considerado um dos exames mais acessíveis e menos desconfortáveis para avaliação do risco de Alzheimer.

Contudo, é importante ressaltar que não existe nenhum biomarcador capaz de diagnosticar de forma certeira e isolada a doença de Alzheimer. A combinação desses biomarcadores, exames de imagem e um bom exame clínico que leve em consideração a história clínica do paciente é essencial.

Quais são os principais sintomas e estágios da doença de Alzheimer?

alzheimer

A doença de Alzheimer, na grande maioria das vezes, se pronuncia de forma lenta e mais silenciosa, com sintomas pouco perceptíveis ou que podem facilmente ser confundidos com estresse, cansaço, depressão ou com a chegada da terceira idade. A doença se divide em 3 estágios principais, e cada um deles conta com os seus sintomas característicos. 

Confira abaixo quais são esses estágios e suas respectivas manifestações na vida dos pacientes:

Estágio inicial (leve)

No estágio inicial da doença de Alzheimer o paciente ainda pode se sentir independente, conseguindo dirigir, realizar atividades sociais, trabalhar, etc. Apesar disso, já começa a apresentar lapsos de memória, esquecendo palavras ou o local onde guarda objetos de seu uso pessoal e corriqueiro. Aqui, já é possível que os familiares e amigos notem as dificuldades.

Os principais sintomas deste estágio são:

  • Desafios na execução de tarefas em ambiente de trabalho ou ambientes sociais;
  • Problemas com o planejamento das suas finanças e com a organização das suas finanças;
  • Problemas com atividades lógicas;
  • Perda de objetos valiosos ou trocar com frequência de lugar seus objetos de uso pessoal;
  • Crítica comprometida;
  • Desorientação;
  • Dificuldade de lembrar de fatos recentes, compromissos, dar recados, etc.

Estágio moderado (intermediária)

O estágio moderado da doença de Alzheimer é o mais longo, podendo durar anos. À medida que a doença progride, se apresenta em diversos sintomas e começará a exigir do paciente maiores cuidados. Aqui, os sintomas de demência são mais presentes, e os danos podem ser maiores na vida do portador da doença.

Os principais sintomas do estágio moderado do Alzheimer são:

  • Dificuldade em tarefas corriqueiras, mas que exigem um pouco mais de esforço lógico ou senso de compromisso, como pagar contas e comparecer ao médico;
  • Esquecimento sobre parte da sua história de vida e eventos importantes;
  • Problemas de incontinência urinária ou fecal, em alguns pacientes;
  • Dificuldade de lembrar do seu endereço, número de telefone;
  • Confusão sobre o dia de hoje e qual é o dia da semana;
  • Alterações de humor e retração, principalmente em situações de desafio e que estejam fora da sua rotina;
  • Alterações na abstração, planejamento, julgamento e cálculo;
  • Alterações leves na personalidade, comportamento social e emoções;
  • Alterações leves e a moderadas na marcha, tônus muscular, postura;
  • Alterações no padrão do sono;
  • Caminhar sem rumo e olhar fixo,
  • etc.

Estágio grave (avançado ou terminal)

No estágio grave da doença de Alzheimer, os sintomas de demência são severos e os danos à vida do paciente são significativos. À medida que a memória e habilidades cognitivas vão declinando, podem acontecer mudanças na personalidade, sendo necessária ajuda extensiva e a todo momento para as atividades diárias.

Os sintomas mais comuns da fase grave e severa do Alzheimer são:

  • Perda da consciência de experiências mais recentes e da sua localização;
  • Dificuldade de comunicação;
  • Sinais neurológicos graves de degeneração, como rigidez, tremores, nistagmo (movimentos involuntários dos olhos), outros movimentos involuntários, convulsões;
  • Necessidade de assistência por mais tempo, muitas vezes, nas 24 horas do dia, em atividades como banho, alimentação, higiene pessoal;
  • Uso de fraldas pelo aumento da incontinência urinária ou fecal;
  • Mudanças em habilidades físicas essenciais, como a deglutição, andar, sentar, etc;
  • Tornam-se mais vulneráveis às infecções,

Tratamento para o Alzheimer

O tratamento para a doença de Alzheimer previne o agravamento da doença, mas em alguns casos pode ser apenas paliativo, pois a doença não tem cura e não há relatos na medicina de recidivas e remissões do quadro.

Os tratamentos envolvem medicamentos e terapias alternativas. Os tratamentos não medicamentosos envolvem o treino da memória do paciente e a sua reabilitação cognitiva por meio de trabalhos manuais, estimulação cognitiva, etc. Até mesmo a atividade física moderada e supervisionada pode servir como uma terapia alternativa.

Os medicamentos usados para o tratamento do Alzheimer são da classe anticolinesterásicos, e os mais conhecidos são a Galantamina, Rivastigmina e a Donepezila. Nos casos mais avançados há a combinação de algumas das medicações acima com um inibidor do glutamato, conhecido como memantina.

Doença de Alzheimer: quanto mais cedo o diagnóstico, melhor poderá ser a qualidade de vida do paciente

Aqui no Blog da Saúde, nos preocupamos em trazer informação relevante, verdadeira e científica para orientar nas mais diversas situações da sua vida.

Se você tem notado qualquer um dos sintomas citados ao longo do artigo, não hesite em buscar auxílio médico e terapêutico, e assim, proteger o seu bem-estar e qualidade de vida.

Para mais conteúdos sobre saúde física, mental, informações científicas e revisadas sobre doenças e medicações, fique sempre de olho no nosso blog.

Quadro prático: sinais, evolução e decisão

Sintomas gerais devem ser lidos pela evolução no tempo, intensidade e sinais associados. Isso ajuda a decidir entre observar, agendar consulta ou procurar urgência.

PontoO que observarComo ajuda
InícioQuando começou e se houve gatilho claro.Organiza a linha do tempo.
EvoluçãoMelhora, piora, recorrência ou novos sintomas.Mostra se o quadro está estável ou progressivo.
AlertaFalta de ar, dor intensa, febre persistente, desmaio ou alteração neurológica.Pode mudar a urgência da avaliação.
  • Anote início, duração e fatores que pioram ou aliviam.
  • Compare com episódios anteriores quando houver histórico.
  • Procure atendimento se houver piora rápida ou sinal de gravidade.

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