O angioqueratoma é uma lesão cutânea benigna caracterizada por pequenos vasos sanguíneos dilatados (capilares) cobertos por um espessamento da camada superior da pele (hiperqueratose). Embora seja inofensivo na maioria dos casos, pode gerar preocupação estética ou, em formas específicas, indicar doenças sistêmicas graves, como distúrbios metabólicos hereditários. Compreender os diferentes tipos de angioqueratoma é essencial para determinar se a lesão requer apenas observação ou investigação mais aprofundada.
Este artigo explica de forma clara e acessível o que é angioqueratoma, seus principais subtipos, quando representa um sinal de alerta e quais são as opções de tratamento não cirúrgico ou minimamente invasivo. O conteúdo é voltado ao público geral e evita linguagem alarmista, mantendo foco em informações precisas e úteis para a tomada de decisão junto a um profissional de saúde.
O Que É Angioqueratoma?
O termo “angioqueratoma” deriva de “angio” (vasos sanguíneos), “querato” (queratina, proteína da pele) e “oma” (tumor benigno). Trata-se, portanto, de uma lesão vascular benigna com espessamento da pele sobrejacente. Clinicamente, apresenta-se como uma mancha ou pápula (elevação pequena) de cor vermelho-escuro, roxa ou azulada, com superfície levemente áspera, que não desaparece ao pressionar com o vidro (teste de diafanoscopia).
Essas lesões são geralmente assintomáticas, mas podem sangrar se traumatizadas. A localização e o padrão de distribuição variam conforme o tipo, o que tem implicações diagnósticas importantes.
Mecanismo da Lesão
A dilatação dos capilares dérmicos ocorre por aumento da pressão venosa local ou por alterações congênitas no metabolismo celular. A pele responde com hiperqueratose, formando uma “crosta” protetora sobre os vasos frágeis.
Principais Tipos de Angioqueratoma
Existem cinco formas clínicas reconhecidas, cada uma com características distintas:
1. Angioqueratoma de Fordyce
O tipo mais comum. Aparece como múltiplas lesões vermelho-escuras no escroto (em homens) ou nos grandes lábios (em mulheres). É benigno, não associado a doenças sistêmicas e frequentemente confundido com verrugas ou outras lesões infecciosas.
2. Angioqueratoma Circunscrito
Lesão solitária ou em pequeno número, geralmente nas pernas, braços ou tronco. Pode surgir após trauma local ou varizes. Também é benigno.
3. Angioqueratoma Difuso (Corpo Inteiro)
Caracteriza-se por centenas a milhares de lesões pequenas espalhadas pelo tronco, nádegas, coxas e região genital. Este tipo está fortemente associado à doença de Fabry, uma condição genética rara causada pela deficiência da enzima alfa-galactosidase A, levando ao acúmulo de globotriaosilceramida em vasos e órgãos.
4. Angioqueratoma de Mibelli
Raro, aparece na infância ou adolescência, geralmente nas mãos, pés, joelhos ou cotovelos. Forma placas espessas e hiperqueratósicas com pontos escuros visíveis.
5. Angioqueratoma Associado a Insuficiência Venosa
Ocorre nas pernas, especialmente na região medial do tornozelo (“área em meia”), em pacientes com varizes avançadas ou insuficiência venosa crônica.
Como é Feito o Diagnóstico?
O diagnóstico é principalmente clínico, feito por um dermatologista com base na aparência, localização e número de lesões. Em casos atípicos ou suspeitos de doença sistêmica, podem ser solicitados exames complementares:
- Dermatoscopia: revela estruturas vasculares em “coroa” ou “roda de carroça”
- Biópsia de pele: confirma a presença de vasos dilatados e hiperqueratose
- Teste enzimático (alfa-galactosidase A): avaliado no sangue ou leucócitos, para suspeita de doença de Fabry
- Análise genética: para confirmar mutação no gene GLA
| Característica da Lesão | Suspeita Clínica |
|---|---|
| Múltiplas lesões em tronco, nádegas e coxas | Doença de Fabry – investigar |
| Lesões isoladas no escroto ou lábios | Fordyce – benigno, não requer exames |
| Lesões associadas a dor neuropática, sudorese alterada ou problemas renais | Doença de Fabry – avaliação urgente |
Tratamento e Manejo
A maioria dos angioqueratomas não precisa de tratamento, especialmente os tipos Fordyce e circunscrito. A intervenção é considerada apenas por motivos estéticos ou se houver sangramento recorrente.
Opções Não Cirúrgicas ou Minimamente Invasivas
Embora não haja tratamento farmacológico tópico ou oral eficaz para remover as lesões, procedimentos ambulatoriais são seguros e eficazes:
- Laser de corante pulsado (PDL): o método de escolha para lesões pequenas; destrói seletivamente os vasos com mínima cicatriz.
- Laser Nd:YAG: útil para lesões mais profundas.
- Eletrocoagulação ou crioterapia: alternativas de baixo custo, mas com risco maior de cicatriz.
Tratamento na Doença de Fabry
Nos casos associados à doença de Fabry, o foco não é remover as lesões cutâneas, mas tratar a condição sistêmica com:
- Terapia de reposição enzimática (agalsidase alfa ou beta)
- Terapia com chaperones (migalastat): para mutações específicas
- Controle de sintomas: dor neuropática, hipertensão, proteinúria
| Tipo | Conduta Recomendada | Necessidade de Exames? |
|---|---|---|
| Fordyce | Observação ou laser por razão estética | Não |
| Circunscrito | Observação ou tratamento local se sangrar | Não |
| Difuso | Investigação para doença de Fabry | Sim – enzima e genética |
| Associado a varizes | Tratamento da insuficiência venosa | Não, a menos que atípico |
Prevenção e Cuidados com as Lesões
Não há forma de prevenir o angioqueratoma, pois sua causa é genética ou decorrente de fatores vasculares locais. No entanto, algumas medidas ajudam a evitar complicações:
- Evitar trauma na região das lesões (raspagem, roupas ásperas)
- Usar hidratantes para reduzir a aspereza da pele
- Em casos de varizes, usar meias de compressão e elevar as pernas
- Não tentar remover as lesões em casa – risco de infecção e cicatriz
Dica do Especialista
Se você notar dezenas de “pontinhos roxos” espalhados pelo corpo, especialmente se houver histórico familiar de problemas renais, cardíacos ou dor nas mãos/pés, consulte um dermatologista ou geneticista. Pode ser um sinal precoce de doença de Fabry.
Perguntas Frequentes
Angioqueratoma é câncer?
Não. É uma lesão vascular benigna. Não tem potencial de malignidade e não se transforma em câncer de pele.
Sangra fácil?
Sim, especialmente se as lesões forem raspadas, coçadas ou traumatizadas. O sangramento é geralmente leve e cessa com pressão local.
Crianças podem ter angioqueratoma?
Sim. O angioqueratoma de Mibelli surge na infância, e a doença de Fabry pode se manifestar já na primeira década de vida com lesões difusas e dor neuropática.
Pode desaparecer sozinho?
Não. As lesões são persistentes e tendem a aumentar em número ou tamanho com o tempo, especialmente nos tipos associados a varizes ou Fabry.
É contagioso?
Não. Não é causado por vírus, bactéria ou fungo, e não pode ser transmitido por contato.
Precisa operar?
Não. A cirurgia não é indicada. Procedimentos como laser são ambulatoriais, não invasivos e não exigem internação.
Existe pomada para angioqueratoma?
Não. Cremes, hidratantes ou medicamentos tópicos não removem as lesões, pois o problema está nos vasos da derme profunda.
Doença de Fabry é curável?
Não, mas é tratável. A terapia de reposição enzimática ou com chaperones pode estabilizar a doença e prevenir complicações renais, cardíacas e cerebrais.
Homens e mulheres são igualmente afetados?
O angioqueratoma de Fordyce é mais comum em homens, mas as mulheres também podem ter. A doença de Fabry afeta ambos os sexos, mas os homens geralmente têm sintomas mais graves.
Pode aparecer na boca?
Raramente. O angioqueratoma é uma lesão da pele. Lesões vasculares na boca têm outras denominações, como angioma ou hemangioma.
Melhora com o tempo?
Não. Sem tratamento, as lesões permanecem estáveis ou progridem lentamente. Nos casos de Fabry, novas lesões surgem com os anos.
É hereditário?
Apenas o angioqueratoma difuso associado à doença de Fabry é hereditário (ligado ao cromossomo X). Os demais tipos não têm transmissão familiar.
Quanto custa o tratamento com laser?
O custo varia conforme o número de lesões e a região. Geralmente, é um procedimento estético não coberto por planos de saúde, mas seguro e com bons resultados cosméticos.
Pode ser confundido com HPV?
Sim, especialmente o angioqueratoma de Fordyce, que é frequentemente confundido com verrugas genitais. Um dermatologista diferencia facilmente pela aparência e pelos testes clínicos.
Devo me preocupar se tiver só uma lesão?
Provavelmente não. Lesões solitárias nas pernas ou tronco são geralmente angioqueratomas circunscritos, benignos. No entanto, consulte um dermatologista para confirmação diagnóstica.













































