A Órtese Dennis Brown, também conhecida como Órtese de Abdução de Pé, é um dispositivo essencial no tratamento do pé torto congênito. Sua função é manter os pés posicionados corretamente em rotação externa após a fase inicial de correção com gessos, que faz parte do método Ponseti.
O método Ponseti é o padrão-ouro para o tratamento do pé torto. Ele consiste em manipulações suaves, trocas seriadas de gesso, um pequeno procedimento no tendão (tenotomia) e, por fim, o uso da órtese por um período prolongado para manter a correção alcançada.
Clínica Especializada em Tratamento Não-Cirúrgico
Na Clínica Dr. Hong Jin Pai, referência no tratamento da dor em São Paulo, nossa equipe multidisciplinar de médicos e fisioterapeutas especialistas, com formação pelo Hospital das Clínicas da USP, está capacitada para o manejo de condições musculoesqueléticas complexas.
Oferecemos uma gama de tratamentos não-cirúrgicos avançados, como acupuntura médica, fisioterapia motora especializada, Pilates e RPG em salas individuais, laser de alta intensidade, ondas de choque e eletroestimulação, focados na reabilitação e no alívio da dor.
Al. Jau 687 – São Paulo – SP
O que é pé torto congênito?
O pé torto congênito (também chamado de clubfoot) é uma condição presente ao nascimento em que o pé do bebê aparece torcido para dentro e para baixo. Isso acontece devido a um mau alinhamento das estruturas ósseas e dos tecidos moles (tendões e ligamentos) do pé, que estão mais curtos e tensos que o normal.
A deformidade pode ser descrita por quatro componentes principais:
- Cavo: Arco do pé muito acentuado.
- Supinação: A sola do pé voltada para dentro.
- Adução: A parte da frente do pé puxada para a linha média do corpo.
- Equino e Varo: O pé aponta para baixo (equino) e o calcanhar é inclinado para dentro (varo).
A condição pode afetar um pé (unilateral) ou ambos os pés (bilateral). Se não for tratada, pode levar a dificuldades para andar, encurtamento da perna, atrofia da panturrilha e, a longo prazo, a artrite e problemas severos de mobilidade, impactando a qualidade de vida.

Anatomia do Pé Torto Congênito
Pé Normal
Alinhamento correto
Pé Torto
Torção interna e para baixo
Diagrama simplificado mostrando a diferença no alinhamento. A bolinha vermelha indica a posição do calcanhar deslocado.
Órtese Dennis Brown e seus benefícios
A órtese é composta por duas botas especiais conectadas por uma barra metálica ajustável. A barra mantém os pés na posição corrigida: em abdução (virados para fora) e dorsiflexão (apontados para cima). Esta posição é o oposto exato da deformidade inicial.
A utilização da órtese é dividida em duas fases principais:
- Fase Intensiva (3 primeiros meses): Uso contínuo, 23 horas por dia, apenas para banho e higiene.
- Fase de Manutenção (até os 3-4 anos de idade): Uso durante o sono (12-14 horas por dia, incluindo sonecas).
Ajustes na rotação dos pés na barra são feitos pelo profissional responsável. Para casos unilaterais, o pé sadio é posicionado em cerca de 30-40 graus de rotação externa, enquanto o pé tratado fica entre 60-70 graus.
O objetivo é alongar progressivamente os tendões e tecidos que estavam retraídos, permitindo que os ossos do pé (principalmente o tálus e o calcâneo) se moldem na posição correta durante o crescimento.
A adesão rigorosa ao uso da órtese é o fator mais importante para o sucesso, que chega a mais de 90% dos casos. As recidivas (retorno da deformidade) estão quase sempre associadas ao uso irregular ou à interrupção precoce do aparelho.
📅 Linha do Tempo do Tratamento pelo Método Ponseti
Fase 1: Gessos Seriados (5-8 semanas)
Manipulação suave e aplicação de gesso semanal para corrigir gradualmente a posição do pé.
Fase 2: Tenotomia Percutânea (Pequeno Procedimento)
Liberação do tendão de Aquiles para corrigir o “equino” (pé apontado para baixo).
Fase 3: Órtese de Abdução (Dennis Brown) – 3 meses (24h/dia)
Uso contínuo para consolidar a correção total alcançada.
Fase 4: Manutenção com Órtese (até ~4 anos)
Uso apenas durante o sono para prevenir recidivas durante o crescimento rápido.
É fundamental que os pais e cuidadores recebam treinamento adequado para colocar e remover a órtese, além de monitorar a pele do bebê para evitar irritações. Acompanhamentos médicos regulares são necessários para ajustar o aparelho conforme a criança cresce.
Em casos complexos ou síndrômicos (como associados a mielomeningocele), o tratamento pode ser mais desafiador, mas o método Ponseti ainda é a base inicial. O resultado bem-sucedido proporciona um pé flexível, indolor e funcional, permitindo uma marcha normal.
Guia de Cuidados para os Pais
Use este checklist interativo para garantir os cuidados diários com a órtese:
Diante de qualquer dúvida sobre o posicionamento, ajuste ou se notar qualquer problema, é imprescindível buscar orientação imediata da equipe de saúde que acompanha o caso. O sucesso do tratamento é uma parceria entre a equipe médica e a dedicação da família.
Na Clínica Dr. Hong Jin Pai, compreendemos os desafios da reabilitação de longo prazo. Nossa experiência em tratamentos não-cirúrgicos complexos nos permite oferecer suporte e orientação especializada para condições ortopédicas, integrando abordagens modernas para otimizar os resultados e o conforto do paciente.
Referências
CURY, L. A. et al. Análise da eficácia do tratamento pelo método de Ponseti no pé torto congênito idiopático. Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba, v. 17, n. 1, p. 33-36. 2015.
FERREIRA, D. R. M. J. Análise cinemática do andar de crianças com pé torto congênito tratadas pelo método funcional francês adaptado. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciências da Atividade Física) – Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.
MARANHO, C. et al. Pé torto congênito. Acta Ortopédica Brasileira, v. 19, n. 3, p. 163-169. 2011.
Mayo Clinic. Clubfoot, 2021.Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/clubfoot/symptoms-causes/syc-20350860















































