Dor na parte interna da coxa perto da virilha costuma envolver adutores, tendões, quadril, púbis ou sobrecarga esportiva, mas também pode vir de hérnia, nervo, abdome, pelve ou causas vasculares. Localização ajuda, porém intensidade, trauma, marcha, febre, inchaço e capacidade de apoiar mudam a urgência.
Adutores são comuns, mas não explicam tudo
Os músculos adutores ficam na parte interna da coxa e aproximam a perna da linha média. Lesões podem ocorrer em arrancadas, chutes, mudança de direção, escorregões ou aumento rápido de treino. Dor ao apertar as pernas, correr, chutar ou mudar direção sugere participação dos adutores.
Mas dor na virilha também pode vir de quadril, pubalgia, hérnia inguinal, tendões, nervos, cálculo urinário, problemas ginecológicos ou vasculares. Por isso, a avaliação não deve parar na palavra “distensão”.
| Padrão | Hipótese | O que observar |
|---|---|---|
| Dor após chute/arrancada | Distensão de adutor. | Hematoma, força, apoio. |
| Dor crônica no púbis | Pubalgia/adutor relacionada. | Carga e retorno ao esporte. |
| Dor com caroço inguinal | Hérnia possível. | Aumenta ao tossir/esforçar? |
| Dor com febre/inchaço intenso | Alerta. | Avaliação rápida. |
Como diferenciar gravidade
Distensão leve pode permitir caminhar, com dor localizada. Lesão mais importante pode causar estalo, hematoma, dor forte, fraqueza e dificuldade de apoiar. Dor que piora progressivamente, dor noturna, febre, perda de peso, inchaço importante ou dormência não devem ser tratadas como simples treino puxado.
Em atletas, retorno cedo demais é erro comum. Melhorar dor em repouso não significa estar pronto para sprint, chute ou mudança de direção. Força, amplitude, teste funcional e resposta no dia seguinte importam.
Tratamento e retorno
O início costuma envolver proteção relativa, reduzir carga, analgesia segura, mobilidade tolerada e fortalecimento progressivo. Alongamento agressivo logo após lesão pode piorar. Conforme melhora, entram exercícios de adução, quadril, core, corrida gradual e gestos esportivos.
Quando a dor é persistente, recorrente ou ligada ao quadril/púbis, imagem pode ser útil. O exame físico orienta se a investigação deve mirar adutor, quadril, hérnia ou outra causa.
Quando procurar atendimento
Procure avaliação se não consegue apoiar, houve estalo forte, hematoma grande, dor no testículo ou abdome, febre, inchaço de perna, falta de ar, dormência, perda de força ou caroço doloroso na virilha. Esses sinais saem do campo de uma distensão simples.
Prevenção de recorrência
Depois da dor melhorar, volte por etapas: caminhada, corrida leve, aceleração, mudança de direção e gesto esportivo. Reforço de adutores, glúteos e tronco reduz risco de retorno precipitado.
Hérnia e causas não musculares
Caroço na virilha que aumenta ao tossir ou fazer força, dor abdominal, náusea, dor testicular ou dor pélvica mudam a investigação. Hérnia encarcerada, torção testicular, infecção, trombose ou causas ginecológicas não devem ser tratadas como contratura de adutor.
Se a dor aparece com febre, inchaço de toda perna, falta de ar, vermelhidão importante ou incapacidade de apoiar, procure atendimento. O objetivo é não perder causas menos comuns, mas mais importantes.
Como medir retorno ao esporte
Antes de voltar, teste caminhar sem mancar, apertar as pernas sem dor forte, correr leve, acelerar, frear e mudar direção. Se a dor aparece só no chute forte ou sprint, o treino deve ficar nessa fase, não voltar direto ao jogo.
Exames quando a dor não melhora
Radiografia pode ajudar quando há suspeita de quadril, osso ou trauma. Ultrassom pode avaliar tendões, músculos, hérnias e algumas massas. Ressonância é útil em dor persistente, atletas, suspeita de lesão profunda, pubalgia ou diagnóstico incerto.
O exame deve responder a uma pergunta. Pedir imagem sem hipótese pode mostrar achados que não explicam a dor e confundir o retorno ao esporte.
Se a dor aparece em corrida, anote distância, velocidade, terreno, tipo de tênis e treino de força da semana. Esses dados mostram se o problema é tecido lesionado, progressão rápida demais ou retorno sem preparo.
Em não atletas, a mesma lógica vale para trabalho, escadas, sexo, longas caminhadas e cuidados domésticos. Dor de virilha que limita função merece plano, não apenas repouso indefinido.
Persistência muda conduta clínica.
A COXA é uma área do corpo humano localizada abaixo da virilha e acima do joelho. Sua função básica envolve a sustentação e locomoção corporal.
Ou seja, as coxas suportam a maior parte do peso corporal de uma pessoa, mantendo os quadris e as pernas em alinhamento, além de também proporcionar o equilíbrio.
A coxa é formada por vários músculos, como os quadríceps, isquiotibiais, adutores, pectíneo e sartório. Todos esses músculos trabalham em função da boa locomoção e sustentação que as coxas proporcionam ao indivíduo. Os quadríceps e os isquiotibiais ajudam a dobrar e estender o quadril e o os joelhos.
A função dos músculos adutores é mover as pernas para dentro, enquanto o pectíneo e o sartório possibilitam a flexão e rotação das coxas nas articulações do quadril.
Sentir dor na parte interna da coxa próximo à área da virilha pode indicar algumas patologias, mas esse artigo destacará a causa mais comum, que é a pubalgia.
Lembre-se sempre de procurar um médico quando sentir sintomas fortes e persistentes, pois somente ele poderá realizar o diagnóstico correto e recomendar o tratamento adequado para cada caso.
O que é pubalgia?
A pubalgia, também chamada de osteíte púbica, é definida como um quadro doloroso, muitas vezes auto-limitado e de causa inflamatória, podendo ser traumático ou infeccioso, que causa desequilíbrio e afeta os tendões dos músculos reto abdominal e adutores, bem como a articulação da sínfise púbica. A sínfise púbica permite a ligação entre os músculos da coxa, abdominais e da coluna vertebral.
Essa condição é uma queixa comum em atletas. Devido ao uso excessivo dos atletas dessa área do corpo, principalmente aqueles que realizam repetitivos movimentos de chutes e mudanças bruscas de direção, e pela multifatoriedade etiológica das lesões no sistema musculoesquelético, a pubalgia é considerada como “a hérnia do esporte”.
Alterações na biomecânica do quadril também podem ser fatores que levam à pubalgia. Outras causas menos comuns incluem distúrbios reumatológicos, procedimentos urológicos e ginecológicos prévios ou gravidez.
A pubalgia é mais frequente em atletas que praticam futebol, rugby, beisebol, handebol, salto em altura e corredores de longa distância.

Pode afetar pessoas de qualquer idade, ocorrendo com mais frequência entre os 20 aos 40 anos de idade. É mais comum em homens, mas também pode ocorrer em ambos os sexos.
Diferentes sintomas estão associados à pubalgia, sendo mais comum uma dor aguda na sínfise púbica depois da prática esportiva.
Essa dor também costuma ser difusa, irradiando para o abdômen, para a parte interna da coxa próximo à virilha, articulações do quadril, região inguinal e suprapúbica, que pode desaparecer com repouso e retornar com o movimento.
A dor sentida nos músculos adutores e retos da coxa pode ser explicada pelo desalinhamento da sínfise púbica que acontece em razão do encurtamento dos isquiotibiais, fazendo com que esses músculos trabalhem em alongamento ou encurtamento, o que facilita o surgimento de lesões.
Diagnóstico de pubalgia – dor na virilha
O diagnóstico de pubalgia é baseado em exame físico, no qual o médico pedirá que o paciente realize alguns movimentos, os chamados testes diagnósticos, que incluem: o teste dos adutores, Sinal de Malgaigne’s e Teste do Flamingo.
Poderão também ser solicitados alguns exames de imagem para visualizar melhor a parte interna da coxa, a virilha e as suas possíveis lesões. Os exames de imagem são as radiografias, ultrassonografia, ressonância magnética e tomografia computadorizada.
Em alguns pacientes, os achados no exame radiográfico costumam ser normais, mas após quatro semanas, podem apresentar evidências patológicas. Outro exame que pode ser utilizado para pubalgia é a cintilografia óssea, que é mais sensível que a radiografia.
Tratamento da dor na virilha
A pubalgia é tratada dependendo da gravidade da lesão. O tratamento conservador inclui descanso, compressas de gelo na região, ultra-som, medicamentos anti-inflamatórios e, em alguns casos, injeções de hidrocortisona.
A fisioterapia é útil para reconstruir a força na virilha através de exercícios de alongamento e fortalecimento.
Esse tratamento conservador pode ser demorado. Em alguns casos, os atletas podem levar seis meses ou mais para retornar à condição antes da lesão, mas é comum que a maioria retorne às suas atividades esportivas em 3 meses.
Apesar de ser prolongado, o tratamento conservador continua sendo a base do tratamento para pubalgia. Quanto mais cedo o paciente inicia o tratamento, menor é o tempo e melhor será o resultado.
Se após alguns meses de fisioterapia, a dor permanecer, poderá ser necessária a realização de uma cirurgia.
As opções de tratamento cirúrgico incluem: fusão sinfisária, ressecção em cunha da sínfise com ou sem artrodese e uma série de procedimentos para reparar a musculatura abdominal ou do assoalho pélvico.
Prevenção
As medidas de prevenção para dor na parte interna da coxa próximo à virilha são de extrema importância, pois como já mencionado, o tratamento de pubalgia pode ser demorado.
A prevenção é, definitivamente, o melhor tratamento para essa condição, porém o Brasil é um país onde frequentemente acontecem jogos em excesso e treinamentos que colocam os atletas em vulnerabilidade de lesões.
Para os atletas, a prevenção deve ser baseada em um treinamento equilibrado, dosado e progressivo, proporcionando uma melhora na qualidade de vida do atleta e o aumento na sobrevida útil na sua prática esportiva.
As seguintes medidas podem ser úteis para prevenir a dor que causa a pubalgia ou osteíte púbica:
1. Exercícios de flexibilidade e aumento da mobilidade articular: para a realização desses exercícios, é necessário que se tenha conhecimento dos grupos musculares envolvidos com o púbis.
2. Alongamentos: o alongamento dos isquiotibiais e flexores de quadril são importantes para prevenir a pubalgia.
3. Treinamento de lateralidade: estimular o chute com as duas pernas durante os treinos das atividades esportivas pode diminuir o estresse causado pela pubalgia.
4. Calçados adequados: adotar calçados adequados pode ser útil, bem como treinar em campos adequados. Um calçado inadequado e um terreno de superfície dura aumenta a força absorvida no púbis.
5. Alimentação: é importante ainda adotar alguns cuidados com a alimentação, envolvendo aportes glicídicos e uma boa hidratação.
Quando a dor pede avaliação
Nem todo achado de imagem explica a dor; exame físico e história continuam centrais. Para Dor na parte interna da coxa: causas e alertas, isso significa olhar para a situação concreta: quem é a pessoa, há quanto tempo a dúvida existe, o que já foi tentado e quais sinais mudariam a conduta hoje.
| Sinal | O que muda |
|---|---|
| Função | Dor que impede caminhar, dormir ou trabalhar pesa mais. |
| Irradiação | Formigamento ou fraqueza sugerem avaliação neurológica. |
| Trauma | Queda ou pancada forte muda a segurança de observar. |
| Carga | Resposta ao treino orienta progressão ou pausa. |
| Evite concluir | Prefira avaliar |
|---|---|
| “Se dói, devo parar tudo” | Carga tolerável e retorno gradual. |
| “Imagem alterada explica toda dor” | História, exame físico e função. |
| “Formigamento é normal” | Força, sensibilidade e reflexos quando houver irradiação. |
Use dois marcadores simples: o que a dor impede e como ela responde à carga. Se limita sono, marcha, trabalho ou força, a investigação tende a ser mais importante.
O acompanhamento fica mais útil quando há um critério claro de melhora, um sinal de piora e um prazo para reavaliar a decisão.
Fonte: AAOS OrthoInfo.
Fontes úteis
- NCBI Bookshelf: Adductor Strain
- PMC: Adductor-related groin pain review
- PMC: Groin Injuries in Sports Medicine
- AAFP: Hip Pain in Adults
AZEVEDO, D. C. et al. A pubalgia no jogador de futebol. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 5, n. 6, p. 233-238. 1999.
ZIDE, M. R. et al. Pubalgia: Causas e possibilidades terapêuticas. Fisioterapia Brasil, v. 3, n. 3, p. 403-414. 2002.
MAGALHÃES, F. Características do sistema musculoesquelético de atletas com pubalgia: uma revisão da literatura. 2013. Monografia (Especialização em Ortopedia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013.
VALENT, A. et al. Insertional tendinopathy of the adductors and rectus abdominis in athletes: a review. Muscles, Ligaments and Tendons Journal, v. 2, n. 2, p. 142-148. 2012.









































