A órtese Dennis Brown, ou órtese de abdução do pé, é usada principalmente para manter a correção do pé torto congênito após a fase de manipulação, gessos e, quando indicada, tenotomia. Ela não substitui a correção inicial; sua função central é reduzir risco de recidiva.
Onde a órtese entra no método Ponseti
No pé torto congênito, o tratamento pelo método Ponseti costuma envolver manipulações, gessos seriados, correção progressiva e, em muitos casos, tenotomia do tendão de Aquiles. Depois que o pé está corrigido, a órtese de abdução mantém a posição para evitar recidiva.
Essa diferença é essencial: gesso corrige; órtese mantém. Suspender ou usar pouco a órtese pode permitir que o pé volte a deformar, mesmo quando o resultado inicial parecia excelente.
| Fase | Objetivo | Cuidado dos pais |
|---|---|---|
| Gessos | Corrigir progressivamente. | Retornos programados. |
| Tenotomia quando indicada | Melhorar dorsiflexão. | Seguir pós-procedimento. |
| Órtese tempo integral inicial | Manter correção. | Checar pele e encaixe. |
| Uso em sono por anos | Prevenir recidiva. | Adesão prolongada. |
Como observar encaixe e pele
A bota deve manter o calcanhar encaixado, sem dedos arroxeados, feridas, bolhas ou pressão excessiva. Choro persistente pode ser adaptação, mas também pode indicar mau ajuste, pele irritada ou tamanho inadequado. A família não deve modificar ângulos por conta própria.
O crescimento da criança exige revisões. Barra, botas, largura e rotação precisam acompanhar tamanho e prescrição. Se a órtese escapa, machuca ou parece pequena, avise a equipe.
Por que a adesão é difícil
Usar órtese por anos é cansativo para família e criança. Sono, choro, viagens e crescimento tornam o processo real. Explicar a razão do brace ajuda: a fase dolorosa não é o tratamento inteiro; manter resultado é parte do tratamento.
Feridas, dedos frios, piora da posição, dor persistente ou perda de correção exigem contato. Parar por conta própria pode parecer alívio no curto prazo e trazer recidiva no longo prazo.
Perguntas úteis
Pergunte quantas horas usar em cada fase, como checar calcanhar, quando trocar tamanho, quais marcas na pele são aceitáveis, quando retornar antes do prazo e como agir se a criança não tolera. Instrução concreta melhora adesão.
O que fazer quando a criança chora
Choro no início pode ocorrer por adaptação, mas deve levar a uma checagem: calcanhar está no fundo? Há dobra na meia? Os dedos estão rosados e quentes? A barra está na largura correta? Há vermelhidão que não desaparece?
Se a pele machuca, se os dedos ficam frios ou se a criança parece sentir dor persistente, a equipe deve ser avisada. O objetivo é resolver o ajuste sem abandonar a órtese.
Por que recidiva acontece
O pé torto congênito tem tendência a recidivar, especialmente quando a órtese não é usada conforme o protocolo. Isso não significa culpa da família; significa que o tratamento é longo e precisa de suporte, explicação e acompanhamento.
Retornos regulares permitem detectar perda de dorsiflexão, mudança de posição e necessidade de ajustar brace antes que a recidiva fique mais difícil de tratar.
O que não fazer
Não cortar tiras, improvisar almofadas grossas, abrir ângulo da barra ou suspender noites sem avisar a equipe. Pequenas mudanças podem alterar a função da órtese. Se há problema, o caminho é ajuste profissional.
Também não compare a prescrição de outra criança. Gravidade, fase do tratamento, idade e resposta mudam horários e ângulos.
Família precisa de instrução prática
Mostre aos cuidadores como colocar a órtese, como saber se o calcanhar está encaixado e quando a pele deve preocupar. Se apenas uma pessoa da casa sabe manejar o brace, faltas, viagens ou cansaço podem reduzir adesão.
Rotina de sono e reforço positivo ajudam mais do que briga diária. Tratamento longo precisa caber na vida da família.
Fotografar o encaixe quando houver dúvida pode ajudar a equipe a orientar ajustes, mas foto pede consulta se há ferida, dor persistente ou perda de correção.
O sucesso depende de técnica e adesão.
A família também precisa saber o que é esperado em cada idade. Conforme a criança cresce, resistência ao brace pode aumentar, e a negociação de rotina se torna parte do tratamento. Reforçar consistência evita perdas silenciosas.
Se a órtese quebra ou fica pequena, procure reposição antes de interromper o uso por vários dias. Falhas longas na fase de manutenção podem aumentar risco de recidiva, especialmente nos primeiros anos.
A equipe também pode ensinar truques de rotina, como vestir em horário previsível e checar pele sempre no mesmo momento. Repetição reduz conflito e esquecimento.
Adesão diária protege correção.
Rotina previsível ajuda adesão.
Quando a dor dura semanas, acorda à noite, volta sempre ou limita atividades básicas, vale deixar de tratar apenas o sintoma e investigar o padrão que mantém o problema.
O método Ponseti é o padrão-ouro para o tratamento do pé torto. Ele consiste em manipulações suaves, trocas seriadas de gesso, um pequeno procedimento no tendão (tenotomia) e, por fim, o uso da órtese por um período prolongado para manter a correção alcançada.
O que é pé torto congênito?
O pé torto congênito (também chamado de clubfoot) é uma condição presente ao nascimento em que o pé do bebê aparece torcido para dentro e para baixo. Isso acontece devido a um mau alinhamento das estruturas ósseas e dos tecidos moles (tendões e ligamentos) do pé, que estão mais curtos e tensos que o normal.
A deformidade pode ser descrita por quatro componentes principais:
- Cavo: Arco do pé muito acentuado.
- Supinação: A sola do pé voltada para dentro.
- Adução: A parte da frente do pé puxada para a linha média do corpo.
- Equino e Varo: O pé aponta para baixo (equino) e o calcanhar é inclinado para dentro (varo).
A condição pode afetar um pé (unilateral) ou ambos os pés (bilateral). Se não for tratada, pode levar a dificuldades para andar, encurtamento da perna, atrofia da panturrilha e, a longo prazo, a artrite e problemas severos de mobilidade, impactando a qualidade de vida.

Órtese Dennis Brown e seus benefícios
A órtese é composta por duas botas especiais conectadas por uma barra metálica ajustável. A barra mantém os pés na posição corrigida: em abdução (virados para fora) e dorsiflexão (apontados para cima). Esta posição é o oposto exato da deformidade inicial.
A utilização da órtese é dividida em duas fases principais:
- Fase Intensiva (3 primeiros meses): Uso contínuo, 23 horas por dia, apenas para banho e higiene.
- Fase de Manutenção (até os 3-4 anos de idade): Uso durante o sono (12-14 horas por dia, incluindo sonecas).
Ajustes na rotação dos pés na barra são feitos pelo profissional responsável. Para casos unilaterais, o pé sadio é posicionado em cerca de 30-40 graus de rotação externa, enquanto o pé tratado fica entre 60-70 graus.
O objetivo é alongar progressivamente os tendões e tecidos que estavam retraídos, permitindo que os ossos do pé (principalmente o tálus e o calcâneo) se moldem na posição correta durante o crescimento.
A adesão rigorosa ao uso da órtese é o fator mais importante para o sucesso, que chega a mais de 90% dos casos. As recidivas (retorno da deformidade) estão quase sempre associadas ao uso irregular ou à interrupção precoce do aparelho.
É fundamental que os pais e cuidadores recebam treinamento adequado para colocar e remover a órtese, além de monitorar a pele do bebê para evitar irritações. Acompanhamentos médicos regulares são necessários para ajustar o aparelho conforme a criança cresce.
Em casos complexos ou síndrômicos (como associados a mielomeningocele), o tratamento pode ser mais desafiador, mas o método Ponseti ainda é a base inicial. O resultado bem-sucedido proporciona um pé flexível, indolor e funcional, permitindo uma marcha normal.
Diante de qualquer dúvida sobre o posicionamento, ajuste ou se notar qualquer problema, é imprescindível buscar orientação imediata da equipe de saúde que acompanha o caso. O sucesso do tratamento é uma parceria entre a equipe médica e a dedicação da família.
Na Clínica Dr. Hong Jin Pai, compreendemos os desafios da reabilitação de longo prazo. Nossa experiência em tratamentos não-cirúrgicos complexos nos permite oferecer suporte e orientação especializada para condições ortopédicas, integrando abordagens modernas para otimizar os resultados e o conforto do paciente.
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Fontes úteis
Fontes úteis
CURY, L. A. et al. Análise da eficácia do tratamento pelo método de Ponseti no pé torto congênito idiopático. Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba, v. 17, n. 1, p. 33-36. 2015.
FERREIRA, D. R. M. J. Análise cinemática do andar de crianças com pé torto congênito tratadas pelo método funcional francês adaptado. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciências da Atividade Física) – Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.
MARANHO, C. et al. Pé torto congênito. Acta Ortopédica Brasileira, v. 19, n. 3, p. 163-169. 2011.
Mayo Clinic. Clubfoot, 2021.Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/clubfoot/symptoms-causes/syc-20350860
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