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Ácidos graxos de cadeia curta: importância na saúde

28 de agosto de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Ácidos graxos de cadeia curta são compostos produzidos principalmente pela fermentação de fibras pela microbiota intestinal. Eles não são um suplemento mágico: dependem do padrão alimentar, da ingestão de fibras, da saúde intestinal e do contexto metabólico da pessoa.

Os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) são os principais metabólitos produzidos pela microbiota no intestino grosso por meio da fermentação anaeróbica de polissacarídeos indigeríveis, como fibra alimentar e amido resistente. Os ácidos graxos de cadeia curta podem influenciar a comunicação intestino-cérebro e a função cerebral direta ou indiretamente[1].

O microbioma intestinal produz um grande número de metabólitos bioativos que podem afetar a função cerebral através da modulação do sistema imunológico ou vias neuronais aferentes[2].

Evidências sugerem que os AGCCs desempenham um papel no controle de infecções por meio de ação direta tanto nos microrganismos quanto na sinalização do hospedeiro[3].


Sobre ácidos graxos de cadeia curta

acidos graxos de cadeia curta beneficios

Os ácidos graxos de cadeia curta, ou seja, acetato (C2), propionato (C3) e butirato (C4), são os principais metabólitos produzidos pela microbiota intestinal (na proporção de 60:20:20, respectivamente). Esses compostos são derivados da fermentação anaeróbica de polissacarídeos não digeríveis, como amidos resistentes e fibras alimentares.

Os AGCCs regulam as respostas inflamatórias e a suplementação com ácidos graxos de cadeia curta pode reduzir a gravidade de distúrbios intestinais, como a colite[4].

Os ácidos graxos de cadeia curta são moléculas produzidas por bactérias quando fermentam componentes da dieta (principalmente fibras: carboidratos não digeríveis) dentro do cólon. Algumas dessas moléculas ficam perto de casa no intestino, mas outras viajam por todo o corpo, participando de interações complexas que produzem vários efeitos na saúde.



Outros efeitos dos ácidos graxos de cadeia curta

Os ácidos graxos de cadeia curta também têm um efeito sobre como a energia é metabolizada no corpo e, portanto, um possível efeito protetor contra doenças metabólicas e obesidade. A evidência sobre isso, no entanto, é um pouco contraditória[5].

Estudos mostram que os AGCCs parecem reduzir os níveis de colesterol e glicose – o que acabaria protegendo contra a obesidade – mas, em simultâneo, eles fornecem uma fonte de calorias no intestino que pode contribuir para a obesidade.

Outra influência conhecida dos AGCCs é no sistema imunológico. Pesquisas mostram que AGCCs (em especial, o butirato) têm efeitos anti-inflamatórios e parecem desempenhar um papel no início da diferenciação (ou seja, especialização) de células imunes que ajudam a ‘manter a paz’, chamadas células T reguladoras.

E se isso não bastasse, os ácidos graxos de cadeia curta podem desempenhar um papel na proteção contra o câncer colorretal, alterando favoravelmente o ambiente intestinal ou talvez modulando o sistema imunológico de forma a reduzir o risco de câncer.


Como funcionam os ácidos graxos de cadeia curta?

Seus intestinos delgado e grosso têm uma camada de células chamada de epitélio intestinal. Quando você come mais fibras, seu corpo produz ácidos graxos de cadeia curta para ativar essas células.

Outros benefícios incluem:

  • Impedem que bactérias ruins cresçam em seus intestinos
  • Aumentam a capacidade do seu corpo de absorver minerais como o cálcio
  • Reduzem seu apetite, beneficiando seu metabolismo


Quando existe a ingestão adequada de fibras, a produção de ácidos graxos de cadeia curta é estimulada.

acidos graxos de cadeia curta

Assim, após a ingestão de carboidratos complexos, ocorre a produção de Butirato, principalmente pelas bactérias: Faecalibacterium, Eubacterium e Roseburia.

O butirato é fonte de energia para as células do intestino, ajuda a prevenir e combater a inflamação e protege as funções cerebrais.


Fibras e Ácidos Graxos de Cadeia Curta

acidos graxos cadeia curta mais comuns

As fibras são encontrada em alimentos à base de plantas e animais.

No entanto, a fibra à base de plantas produz mais ácidos graxos de cadeia curta. Grãos integrais também são preferíveis em comparação com grãos moídos em farinha porque permitem que seu corpo produza mais ácidos graxos de cadeia curta.‌

Existe uma maior produção desses ácidos graxos de cadeia curta benéficos quando seguimos uma dieta baseada em vegetais. Grãos inteiros deixados intactos, em vez de moídos em farinha, parecem levar a uma maior produção de ácidos graxos de cadeia curta.


Quais alimentos consumir?

Os seguintes tipos de fibra são melhores para a produção de ácidos graxos de cadeia curta no cólon

  • Inulina. Você pode obter inulina de alcachofras, alho, alho-poró, cebola, trigo, centeio e aspargos.
  • Frutooligossacarídeos. Os frutooligossacarídeossão encontrados em várias frutas e vegetais, incluindo bananas, cebolas, alho e aspargos.
  • Amido resistente. Você pode obter amido resistente de grãos, cevada, arroz, feijão, banana-verde, legumes e batatas cozidas e depois resfriadas.
  • Pectina. Boas fontes de pectina incluem maçãs, damascos, cenouras, laranjas e outros.
  • Arabinoxilano. Arabinoxilano é encontrado em grãos de cereais. Por exemplo, é a fibra mais comum no farelo de trigo, representando cerca de 70% do conteúdo total de fibra.
  • Goma guar. A goma guar pode ser extraída do feijão guar, que são leguminosas.


FatorPor que importa
Fibras fermentáveisLeguminosas, aveia, frutas, verduras e alguns amidos alimentam a microbiota.
MicrobiotaA produção varia conforme dieta, antibióticos, doenças intestinais e rotina.
Efeito sistêmicoOs compostos participam de barreira intestinal, inflamação e metabolismo, mas não resolvem sozinhos uma dieta ruim.
Ajuste gradualAumentar fibras rápido demais pode piorar gases e distensão.

Fonte: Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira.

Conclusão

O melhor é que pode ser fácil aumentar a produção desses metabólitos que promovem a saúde e bem-estar.

É necessário aumentar a ingesta de fibras. A dieta ocidental é comumente pobre em alimentos à base de plantas e seu corpo pode precisar deles para uma vida mais saudável.

Em vez disso, a maioria de nós escolhe alimentos de conveniência com pouco valor nutricional. Ao adicionarmos fibra dietética a cada refeição, estaremos nutrindo nossas bactérias intestinais, com aumento de sua quantidade e produção destes ácidos graxos de cadeia curta.

Fontes úteis

Referências citadas5 fontes
  1. 1.
    Cook SI, Sellin JH. Short chain fatty acids in health and disease. Alimentary pharmacology & therapeutics. 1998 Jun 1;12(6):499-507.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Vinolo MA, Rodrigues HG, Nachbar RT, Curi R. Regulation of inflammation by short chain fatty acids. Nutrients. 2011 Oct 14;3(10):858-76.
    Voltar [2]
  3. 3.
    Roy CC, Kien CL, Bouthillier L, Levy E. Short‐chain fatty acids: ready for prime time?. Nutrition in clinical practice. 2006 Aug;21(4):351-66.
    Voltar [3]
  4. 4.
    Canfora EE, Jocken JW, Blaak EE. Short-chain fatty acids in control of body weight and insulin sensitivity. Nature Reviews Endocrinology. 2015 Oct;11(10):577-91.
    Voltar [4]
  5. 5.
    Den Besten G, Van Eunen K, Groen AK, Venema K, Reijngoud DJ, Bakker BM. The role of short-chain fatty acids in the interplay between diet, gut microbiota, and host energy metabolism. Journal of lipid research. 2013 Sep 1;54(9):2325-40.
    Voltar [5]
  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

Arquivado em: Clínica Médica, Nutrição

Nanograma, micrograma e miligrama: diferenças e conversões

28 de agosto de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

1 miligrama (mg) equivale a 1.000 microgramas (mcg ou µg) e a 1.000.000 de nanogramas (ng). São três maneiras de escrever a mesma massa. Uma receita que diz 0,5 mg, por exemplo, indica a mesma quantidade de princípio ativo que 500 mcg. A mudança no número compensa a mudança na unidade.

O erro acontece quando se troca a unidade e se mantém o número. Se alguém lê “1 mg” como “1 mcg”, entende um milésimo da quantidade indicada. Na direção contrária, ler “1 mcg” como “1 mg” multiplica a quantidade lida por mil.

Como converter mg, mcg e ng

O miligrama é a milésima parte do grama. Cada miligrama pode ser dividido em mil microgramas, e cada micrograma, em mil nanogramas. Para escrever a massa em uma unidade menor, multiplica-se o número por mil a cada passo. Para voltar à unidade maior, divide-se por mil.

UnidadeSímboloEquivalências
Miligramamg1 mg = 0,001 g = 1.000 mcg
Microgramaµg ou mcg1 mcg = 0,001 mg = 1.000 ng
Nanogramang1 ng = 0,001 mcg = 0,000001 mg
Equivalências entre 1 mg, 1.000 mcg e 1.000.000 ng.
De mg para ng são dois passos de mil. No sentido inverso, 1.000.000 ng correspondem a 1 mg.

Como fazer a conta quando há uma vírgula

Para passar 25 mcg a miligramas, divide-se 25 por 1.000. O resultado é 0,025 mg. É possível conferir a conta no sentido inverso, multiplicando 0,025 por 1.000. O zero antes da vírgula ajuda a distinguir uma fração de miligrama de um número inteiro.

Quantidade inicialOperaçãoMesma massa
0,5 mg0,5 × 1.000500 mcg
0,25 mcg0,25 × 1.000250 ng
150 ng150 ÷ 1.0000,15 mcg

O que significam essas unidades em suplementos, medicamentos e exames?

As palavras que acompanham a unidade indicam a que o número se refere. Um rótulo pode informar a quantidade em uma cápsula, em uma porção de duas cápsulas ou em um mililitro de líquido. Já o laudo pode mostrar a concentração de uma substância na amostra analisada.

Onde apareceExpressão habitualComo ler
Vitamina DUI ou mcg por porçãoDuas maneiras de declarar a vitamina D contida naquela porção.
Vitamina B12mcg por porçãoO rótulo informa quantos microgramas de B12 há na porção indicada.
Exames hormonaisng/mL ou pg/mLQuantidade do hormônio por mililitro da amostra.
Medicamentosmg ou mcg por comprimidoQuantidade de princípio ativo em uma unidade daquela apresentação.
Exemplos de quantidade por porção, miligramas por mililitro em um líquido e nanogramas por mililitro em um exame.
“Por porção” se refere à quantidade que a embalagem define como porção. “Por mL” se refere a um volume de um mililitro.

Por que a vitamina D aparece em UI e em microgramas?

A unidade internacional (UI) expressa uma atividade biológica definida para determinada substância. Nos rótulos de vitamina D2 ou D3, 1 mcg corresponde a 40 UI. Por isso, quando constam 25 mcg (1.000 UI) por porção, as duas medidas descrevem a mesma quantidade de vitamina D. Somá-las contaria a porção duas vezes.

Essa equivalência vale para a vitamina D2 ou D3. Outras vitaminas têm fatores próprios, que podem variar até com a forma química. Também não há um número fixo de gotas correspondente a 1.000 UI. Para saber quantas UI há em uma gota, é preciso conhecer a apresentação daquele frasco e o que o fabricante declara por gota ou por porção.

Qual a diferença entre 5 mg/mL e 100 mg no frasco?

A barra de mg/mL se lê “por”. Em uma solução a 5 mg/mL, cada mililitro contém 5 mg de princípio ativo. Se o frasco tem 20 mL dessa solução, o conteúdo total é 5 × 20, ou 100 mg. As expressões “100 mg em 20 mL” e “5 mg/mL” podem, portanto, aparecer no mesmo frasco.

O volume faz diferença na comparação entre embalagens. Dois frascos com a mesma concentração podem conter quantidades totais diferentes se um tiver o dobro do volume do outro. E saber quantos miligramas há no frasco inteiro, sem o volume, é insuficiente para saber quanto há em cada mililitro.

Como interpretar ng/mL e pg/mL no laudo?

O picograma (pg) é um milésimo do nanograma. Se um resultado é 1 ng/mL, ele também pode ser escrito como 1.000 pg/mL. A conversão muda a unidade da massa, enquanto o volume continua sendo um mililitro. Um número maior, nessa situação, pode representar exatamente a mesma concentração.

Ao comparar dois exames, a unidade é só uma das informações. Laboratórios podem usar métodos e intervalos de referência diferentes para medir a mesma substância. Para interpretar um resultado, a comparação pertinente é com o intervalo impresso naquele laudo. Um valor em ng/mL descreve a amostra analisada. Ele não indica quantos microgramas de um suplemento a pessoa deve tomar.

Qual quantidade o rótulo declara por cápsula ou por porção?

Se uma tabela informa 30 mcg por porção e define a porção como duas cápsulas iguais, os 30 mcg correspondem ao par. Cada cápsula contém 15 mcg nesse exemplo. A porção da tabela, a frequência indicada na embalagem para cada grupo e a quantidade prescrita são informações distintas.

Um multivitamínico e um suplemento isolado podem conter o mesmo nutriente. Para conhecer o total, é preciso identificar esse nutriente nas duas tabelas, expressar as quantidades na mesma unidade e considerar a porção de cada produto. O tamanho físico dos comprimidos não informa quanto do princípio ativo há em cada um.

Como distinguir µg de mg em uma receita?

Em µg, o primeiro sinal é a letra grega mi (µ), que significa “micro” quando vem antes de g. A grafia mcg também significa micrograma. Em campos que não aceitam a letra grega, pode aparecer “ug”. Já mg, com a letra m, significa miligrama. A diferença entre as duas primeiras letras pode se perder numa impressão pequena ou na escrita à mão.

  • Se o número permanecer igual, ler mg como mcg reduz a quantidade lida a um milésimo. Ler mcg como mg faz a quantidade parecer mil vezes maior.
  • Se a unidade estiver ilegível, escrever “microgramas” ou “miligramas” por extenso na confirmação com o farmacêutico ou o prescritor evita repetir a abreviatura ambígua. A receita e a embalagem, ou uma foto legível de ambas, ajudam a identificar a apresentação.
  • Se o rótulo de uma fórmula manipulada trouxer uma unidade diferente da receita, pode ser apenas outra forma de expressar a mesma massa. Quando as quantidades não coincidem após a conversão ou há dúvida sobre a via ou a quantidade por cápsula, confirme a apresentação com a farmácia ou o prescritor antes de usar.

Em que situações a conversão de massa não resolve a dúvida?

Duas apresentações de medicamentos podem ter o mesmo número em miligramas e conter princípios ativos diferentes. Mesmo com o mesmo princípio ativo, a formulação e a via de uso podem mudar. A equivalência aritmética, por si só, não permite trocar um medicamento por outro nem usar o comprimido prescrito para outra pessoa.

DúvidaO que a unidade permite concluir
1.000 mcg de qualquer substância pesam 1 mg?Sim. A igualdade de massa independe da substância. Duas substâncias com a mesma massa podem produzir efeitos diferentes.
1.000 ng/mL são iguais a 1 mcg?1.000 ng equivalem a 1 mcg. Com o volume na expressão, a igualdade é 1.000 ng/mL = 1 mcg/mL.
Posso aplicar o fator de mil a mmol, mEq ou porcentagens?Essas medidas exigem outras informações. A equivalência entre mmol e mg depende da massa molar da substância. Para os mEq de um íon, a carga elétrica também entra na conta. Numa solução a 1%, é preciso saber se a porcentagem indica massa por volume, massa por massa ou volume por volume.
Se a conta resultar em meio comprimido, posso parti-lo?A divisão depende da formulação e das instruções da bula e do profissional que prescreveu. O sulco sozinho não garante que as metades contenham quantidades iguais de princípio ativo.

Referências

  • BIPM — Prefixos do Sistema Internacional de Unidades
  • NIST — Unidades do Sistema Internacional
  • ISMP Brasil — Erros de medicação associados a abreviaturas, siglas e símbolos
  • FDA — Quantidade de princípio ativo e concentração em medicamentos
  • FDA — Conversão de unidades nos rótulos de vitaminas
  • Anvisa — Informações na embalagem de suplementos alimentares
  • MedlinePlus — Interpretação de resultados de exames laboratoriais
  • FDA — Divisão de comprimidos

Arquivado em: Nutrição

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