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Tizanidina: relaxante muscular e dor crônica

27 de agosto de 2022 by Priscila Beraldo

Tizanidina é um relaxante muscular de ação central indicado principalmente em espasticidade e alguns quadros de espasmo. Pode causar sonolência, tontura, queda de pressão, boca seca e alterações hepáticas; por isso não deve ser tratada como remédio simples para dor crônica.

Em dor crônica, tizanidina precisa de objetivo claro

A pergunta não é apenas se relaxa o músculo, mas por que o músculo está contraído. Espasticidade neurológica, espasmo agudo, dor miofascial, ansiedade, postura, distúrbio do sono e dor radicular têm tratamentos diferentes. Tizanidina pode ajudar sintomas em determinadas situações, mas não corrige a causa sozinha.

CuidadoPor que importa
Sonolência e tonturaAumentam risco de queda, direção insegura e acidente.
Queda de pressãoPode causar desmaio, especialmente ao levantar.
FígadoSintomas como urina escura ou pele amarela exigem avaliação.
Álcool e sedativosPodem intensificar depressão do sistema nervoso central.
Uso crônicoPrecisa reavaliação de benefício funcional.

O melhor uso define meta: dormir melhor por curto período, reduzir espasmo que impede fisioterapia, melhorar higiene, marcha ou cuidado em espasticidade. Se a pessoa apenas fica sedada, mas continua sem função, o tratamento não está cumprindo bom papel.

Informe remédios para pressão, antidepressivos, opioides, benzodiazepínicos, álcool, anti-histamínicos e outros sedativos. Combinações podem aumentar sonolência, confusão, queda e hipotensão. Não interrompa abruptamente uso regular sem orientação, porque retirada pode causar sintomas.

Em dor crônica, medicação deve caminhar com diagnóstico, reabilitação, sono, atividade, manejo de carga e revisão periódica. Se não há melhora mensurável em dor, movimento ou sono, a indicação deve ser revista.

Diferença entre espasmo, contratura e espasticidade

Espasmo agudo pode aparecer após dor ou sobrecarga. Contratura pode refletir proteção, postura, medo de movimento ou dor persistente. Espasticidade é aumento de tônus por condição neurológica, como lesão medular, AVC ou esclerose múltipla. Tizanidina tende a fazer mais sentido quando o alvo é tônus/espasticidade ou espasmo bem definido.

Se a queixa principal é dor mecânica, fraqueza, sedentarismo ou insônia, sedar o sistema nervoso pode aliviar temporariamente, mas não resolve capacidade de movimento. Por isso, cada renovação de receita deveria perguntar: houve ganho funcional ou apenas sonolência?

Também vale monitorar pressão, quedas, boca seca, fadiga e sinais hepáticos. Em idosos, pessoas frágeis ou quem usa muitos remédios, efeitos adversos podem pesar mais que o benefício.

Um bom teste terapêutico tem prazo e métrica. Antes de manter a tizanidina, é razoável definir qual melhora seria esperada: menos espasmo noturno, melhor alongamento, marcha mais segura, menos dor ao iniciar fisioterapia ou melhor cuidado de higiene em espasticidade. Sem métrica, a sedação pode ser confundida com sucesso.

Se houver tontura ao levantar, sonolência diurna, quedas, confusão, náusea persistente, urina escura, pele amarelada ou piora de fraqueza, o risco do uso precisa ser revisto. A decisão não é apenas “funciona ou não”; é se o benefício funcional compensa o custo para aquele paciente.

Em dor lombar, cervicalgia ou dor miofascial, a tizanidina não deve substituir investigação de força, sensibilidade, reflexos, amplitude de movimento, sono e fatores de carga. Se existe compressão nervosa, doença inflamatória ou dor neuropática dominante, o relaxante pode não ser o eixo principal do tratamento.

Também é diferente usar por poucos dias em crise e manter por semanas sem revisão. Quanto mais longo o uso, mais importante checar pressão, sonolência, interações, função hepática quando indicada e impacto real na reabilitação. Medicamento que impede treino ou aumenta queda pode atrapalhar o objetivo final.

O remédio está permitindo uma etapa de recuperação ou virou apenas uma forma de suportar a mesma dor? Essa diferença muda a conversa com o médico.

Também muda a decisão de manter, ajustar ou suspender a estratégia.

Esse controle evita prolongar um remédio que deixou de ajudar.

Benefício precisa aparecer na função.

Tempo de evolução, intensidade, fatores que pioram, sintomas associados, idade, remédios e doenças conhecidas orientam a decisão. Piora rápida, dor intensa, falta de ar, desmaio ou alteração neurológica pedem avaliação.

O cloridrato de tizanidina, conhecido comercialmente como Sirdalud® comercializado pelo laboratório Novartis na forma de comprimidos orais, pertence ao grupo farmacoterapêutico dos relaxantes musculares com ação central com o objetivo de reduzir o tônus muscular.

O espasmo é uma contração involuntária do músculo e que pode interferir na capacidade do músculo de contrair, podendo ocorrer em qualquer tipo de musculatura e em doenças como esclerose múltipla e danos da medula espinhal.

É um relaxante muscular com ação central que reduz o tônus muscular, podendo ser usada para tratar a dor associada a contraturas musculares ou torcicolo, ou para diminuir o tônus muscular em caso de AVC ou esclerose múltipla, por exemplo.

Qual É O Mecanismo de Ação

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A tizanidina é um agonista dos receptores alfa2-adrenérgicos do sistema nervoso central. Este medicamento tem o objetivo de atenuar a espasticidade através do aumento da inibição dos neurônios motores.

Seu principal local de ação é a medula espinhal, inibindo a liberação de aminoácidos responsáveis pelo tônus muscular excessivo, devido à transmissão dos sinais polissinápticos entre os neurônios espinhais.

Adicionalmente às características miorrelaxantes, a tizanidina também tem efeito de analgesia devido aos agonistas alfa2-adrenérgicos, também utilizados em terapia intensiva, sedação, anti-hipertensivo, redução de tremores pós-operatórios.


Para Que Tizanidina É Indicada

É muito utilizada para espasmo muscular doloroso, associados a distúrbios estáticos e funcionais da coluna (síndrome cervical e lombar), no tratamento da dor associada a contraturas musculares, doenças degenerativas da medula espinhal, acidentes cerebrovasculares, paralisia cerebral e outras lesões ou distúrbios da coluna, como por exemplo, dor nas costas e torcicolo, após cirurgias de correção de hérnias de disco, ou doença inflamatória crônica do quadril.


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O cloridrato de tizanidina também pode ser usada após cirurgias, como por exemplo, hérnia de disco intervertebral ou osteoartrite do quadril.


Alguns Aspectos Farmacológicos

O cloridrato de tizanidina é metabolizado pelo fígado e absorvido de forma rápida e quase que em sua totalidade, atingindo pico de concentração no sangue uma hora após a administração da dose.

É excretado principalmente pela urina na forma de metabólitos inativos.

Geralmente o uso deste medicamento é feito em doses fracionadas, podendo ser aumentada a dosagem de acordo com as necessidades individuais do paciente.

A tizanidina, apesar de ser muito utilizada na pediatria, não se encontra em forma adequada comercialmente, para este público. Nesta faixa etária, algumas crianças são incapazes de ingerir comprimidos e necessitam de flexibilidade na dosagem.

Vale lembrar, que a falta de formulações líquidas orais também é um problema para pessoas idosas ou adultos com dificuldade de deglutição e uso de sondas de alimentação enteral.

A soluções orais apresentam maior facilidade na preparação e administração, além de permitir a obtenção de doses personalizadas.

Contudo, sabe-se que formas líquidas exigem muitos estudos, principalmente com relação à estabilidade.


Qual A Posologia

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Para o alívio dos espasmos musculares mais dolorosos são comumente utilizados 2 a 4mg, três vezes ao dia, em casos mais graves pode ser incluído mais uma toma à noite. No entanto, é um medicamento em que a posologia pode ser adaptada, porém a dose inicial não deve exceder 6 mg.

De acordo com o fabricante do fármaco, em casos de superdosagem é recomendado eliminar o medicamento ingerido, através da administração de altas doses de carvão ativado.


Quais São Os Possíveis Efeitos Colaterais

As recomendações para o alívio dos espasmos musculares dolorosos em que o tratamento é realizado com doses baixas os efeitos colaterais são geralmente leves.

São reações adversas mais comuns a sonolência, fadiga, tontura, boca seca e redução da pressão arterial. Em determinadas situações, pacientes pode se queixar de náuseas, distúrbios gastrintestinais como prisão de ventre, diarreia.

Com doses mais elevadas, os efeitos colaterais mencionados acima podem ocorrer com maior frequência e de forma mais acentuada, contudo raramente são efeitos graves e que necessitem da suspensão do tratamento.

Adicionalmente podem ocorrer de forma rara, alucinações, desmaio, vertigem, pode induzir a hipotensão grave (pressão sanguínea baixa), manifestações como perda de consciência e colapso circulatório.

Algumas reações adversas que podem ser sérias e devem ser comunicado ao médico de forma imediata: falência hepática, reações alérgicas graves, dificuldade para respirar, inchado (face e garganta), tonturas e alucinações.

Há alguns pacientes que fazem uso de relaxantes musculares para indução do sono devido ao seu efeito colateral de sonolência, contudo esta não é uma prática indicada visto que é considerada automedicação e o uso em excesso pode ocasionar outros problemas.

Portanto, consulte seu médico para indicação do medicamento apropriado para cada tipo de tratamento.


Quais São As Contraindicações

É contraindicada em pacientes com hipersensibilidade aos componentes da fórmula, problemas graves no fígado e em pacientes que estejam tomando medicamentos que contenham fluvoxamina ou ciprofloxacino.

A experiência com o uso de tizanidina é limitada em idosos, devido a depuração renal diminuída bem como a dificuldade de administração em alguns idosos com dificuldade de deglutir o comprimido. O uso na gravidez e amamentação deve ser feito apenas por orientação médica.


Quais São As Precauções Ao Utilizar Este Medicamento

Como o fármaco pode causar tonturas ou causar sintomas de sensação de desmaio, ou sudorese, é importante evitar dirigir veículos ou operar máquinas.


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Além disso, é recomendado que durante o tratamento com tizanidina, o consumo de álcool seja diminuído ou evitado, principalmente porque o álcool pode potencializar as reações adversas já mencionadas como sedação e hipotensão, os efeitos depressores do álcool no sistema nervoso central podem ser potencializados pela tizanidina.

É importante lembrar que qualquer sintoma de disfunção do fígado, como por exemplo náusea, perda de apetite ou cansaço, avise ao médico, para que seja feito teste sanguíneo para monitorar a função do fígado e avaliar se deve continuar o tratamento ou reduzir a dosagem da tizanidina.

Caso alguma dessas informações façam parte das suas condições é necessário informar o médico antes de fazer o uso da tizanidina. Não altere ou interrompa o tratamento sem primeiro perguntar ao seu médico.


O que considerar no acompanhamento

O preço do Sirdalud® caixa com 30 comprimidos de 2mg custa em média R$ 20,00 e o cloridrato de tizanidina (genérico) com mesma quantidade e dosagem custa aproximadamente R$ 13,00.

Como acompanhar benefício e segurança

Dor acompanhada de fraqueza, formigamento progressivo, febre ou piora depois de trauma requer avaliação.

ObservaçãoPor que importa
FunçãoMostra impacto real em marcha, força, sono, treino e trabalho.
IrradiaçãoAjuda a suspeitar de nervo, articulação, músculo ou dor referida.
EvoluçãoMelhora gradual sugere caminho diferente de piora progressiva.
Sinais neurológicosFraqueza, dormência extensa ou perda de controle urinário mudam urgência.

Anote início, gatilho, movimento que piora, movimento que alivia, resposta a repouso, remédios e fisioterapia. Esse registro ajuda a ajustar carga com base em função, duração da dor e resposta no dia seguinte.

O que acompanhar durante o uso

O acompanhamento da tizanidina deve separar efeito desejado de efeito sedativo. Melhorar é ganhar movimento, reduzir espasmo que bloqueava a fisioterapia, dormir melhor sem ressaca importante ou facilitar cuidados em espasticidade. Apenas ficar mais sonolento não é uma boa métrica de benefício.

Também é importante registrar tontura ao levantar, quedas, confusão, boca seca, fadiga intensa, pressão baixa e sinais hepáticos como urina escura ou pele amarelada. Esses dados ajudam a decidir se a dose, a combinação com outros remédios ou a própria indicação precisam ser revistas.

Quando o uso se prolonga, a pergunta deve voltar ao diagnóstico. Espasticidade neurológica, espasmo agudo, dor miofascial e dor crônica inespecífica não são o mesmo problema. O plano fica mais seguro quando o remédio tem prazo, alvo funcional e reavaliação.

Na prática, o paciente deve saber qual atividade o remédio pretende destravar: caminhar melhor, iniciar fisioterapia, dormir por uma fase curta ou reduzir tônus em quadro neurológico. Sem esse alvo, fica difícil distinguir tratamento útil de sedação acumulada.

Esse alvo deve ser revisado em cada retorno.

Especialmente em idosos.

Fontes e leitura útil

  • Mayo Clinic: tizanidine
  • Cleveland Clinic: tizanidine

Fontes úteis

  • MedlinePlus: medicamentos
  • FDA: uso seguro de medicamentos
  • Anvisa: medicamentos

Arquivado em: Dor, Farmácia

Ureia e creatinina: para que servem esses exames?

27 de agosto de 2022 by Fabíola Tavares Lemos

O Exame de Ureia

A análise dos níveis de ureia pode ser feita em dois métodos diferentes divididos, portanto, em dois tipos:

O exame sanguíneo que é utilizado para analisar o metabolismo do fígado e rim e o de urina para análise do funcionamento dos rins[1].

Valor de referência de ureia na urina: 10 a 20 g/ 24h


Origem da Ureia No Organismo.

creatinina ureia

O metabolismo de proteínas em sua quebra, gera aminoácidos, esses aminoácidos agrupados em rearranjos formam amônia, para os animais de ambiente aquático, a amônia é liberada no meio diretamente sem passar por processos de transformação[2].

No entanto, em humanos, ocorreu uma mudança evolutiva para adaptação ao ambiente terrestre e como a amônia é altamente tóxica e existe a necessidade de grande quantidade de água para a sua dissolução devido a características físico-químicas como a polaridade das moléculas.

Ela se torna menos danosa sendo convertida pelo fígado em ureia. Após a conversão a ureia cai na corrente sanguínea onde é filtrada pelos glomérulos nos rins, essa substância é, então, excretada através da urina e do suor.

Seguem os valores de referência para exame de sangue de ureia (ureia sérica):

  •  20-40 mg/ dL

O que pode levar ao aumento da ureia no sangue (concentração plasmática)?

  • Desidratação, a falta de água no organismo terá mais solutos do que solvente, aumentando a concentração de ureia[3].
  • Ingestão de proteínas, aumentará a quebra de compostos derivados de aminoácidos e formação de amônia.
  • Obstrução das vias renais, com as vias obstruídas será mais difícil a chegada de sangue para filtração ou a saída do filtrado para excreção.
  • Infarto. O aumento do débito cardíaco também pode ocasionar mudança nas taxas de filtração quando o sangue passa nos néfrons com maior pressão.

Como beber mais água no dia a dia: estratégias simples


O Exame de Creatinina

Geralmente o pedido é feito juntamente ao pedido de exame de ureia para perfil renal.

Origem da creatinina no organismo

A origem da creatina é muscular, a fosfocreatina é responsável por gerar energia para as contrações musculares durante a movimentação, a degradação da fosfocreatina após o seu uso metabólico gera creatinina.

A sua produção é constante e não costuma oscilar em um indivíduo sem intervenções. É utilizada para medir as taxas de filtração dos rins.

Os rins são os órgão responsáveis por filtrar o sangue, eles estão um de cada lado da coluna vertebral na parte lombar, em adultos tem o tamanho de cerca de 10 cm e seu formato assemelha-se a um feijão.

O sangue passa pelos rins pela artéria renal que se divide até formar arteríolas e capilares glomerulares, e o sangue venoso retorna pela veia renal.

Após o sangue ser filtrado nos glomérulos, o excedente de solutos será coletado por estruturas chamadas de papilas renais, indo para o cálice menor e cálice maior da pelve renal e para o ureter, depositando a urina na bexiga para a micção.

Os rins servem além de tirar substâncias do organismo através da urina, também mantêm o equilíbrio eletrolítico e osmótico dos fluidos, modificação de vitaminas e produção de hormônios. 


Valores da creatinina

doenca renal cronica

Seus valores em normalidade costumam ser correspondentes ao valor da massa muscular do indivíduo, maiores em homens e menores em mulheres. Esse metabólito de fosfocreatina é jogado no sangue e passa pela filtração glomerular, que ocorre nos rins[4].

A partir disso é possível fazer um exame laboratorial para se calcular a taxa de filtração de creatinina, clearance de creatinina ou depuração de creatinina e também o TFG, taxa de filtração glomerular, utiliza a creatinina, porém, nesse caso, a sérica.

Valor de referência de clearance de creatinina:

  • Homens: 75 a 110 ml/min
  • Mulheres: 85 a 120 ml/min

Valores de referência creatinina sérica:

  • Homem: 0,7- 01,25 mg/dl
  • Mulher: 0,6 a 1,10 mg/dl

Valores de referência para TFG:

  • + 90 ml/min

Possíveis causas do aumento da creatinina

exercicios
  • Muito exercício físico, nesse caso, o tecido muscular irá necessitar de grande demanda energética ativando a fosfocreatina e sua degradação em creatinina em consequência.
  • Falta de água no organismo, a urina estará mais concentrada e com mais soluto não dissolvidos.
  • Muita ingestão de proteínas (carne), ingerir grande quantidade de carne irá produzir a creatinina como consequência da digestão dos componentes do tecido muscular que constitui a carne.
  • Pressão alta, uma pressão muito forte nos vasos sanguíneos pode alterar ao filtrado quando passa nas unidades de filtragem dos rins, os néfrons.
  • Pré-eclampsia, excesso de pressão durante a gestação.
  • Infecção renal. A infecção irá impedir o bom funcionamento dos rins e sua filtragem regular do sangue.
  • Diabetes não controlada, pode acarretar em uma sobrecarga na filtração glomerular e o aumento dos valores do exame de creatinina.

As técnicas utilizadas para o exame consistem em reações químicas de hidrolização da creatinina através de enzimas específicas, o produto final tem valor de absorbância conhecido sendo possível sua quantificação com o espectofotômetro.

Dessa maneira, com a ajuda desses exames laboratoriais o médico pode dar um diagnóstico e um tratamento correto para o paciente, indicando uma equipe multidisciplinar para tratar as causas ados aumentos, se com a ajuda de um nutricionista, educador físico, nefrologista e etc.

funcao dos rins
Função dos rins no corpo

Como interpretar ureia e creatinina com mais segurança

Ureia e creatinina ajudam a estimar como o organismo elimina resíduos, mas nenhum dos dois exames deve ser interpretado isoladamente. A creatinina costuma ser usada para calcular a taxa de filtração glomerular estimada (eTFG ou eGFR), que dá uma visão mais útil da função dos rins. A ureia pode subir por desidratação, dieta rica em proteínas, sangramento digestivo, uso de alguns medicamentos e redução da função renal.

Por isso, um resultado alterado geralmente precisa ser comparado com idade, massa muscular, hidratação, histórico de hipertensão ou diabetes, urina tipo 1, albumina na urina e exames anteriores. Em pessoas musculosas, muito idosas, com baixa massa muscular ou em gestantes, a interpretação pode mudar bastante.

ExameO que avaliaLimitações comuns
Ureia/BUNResíduo do metabolismo de proteínas eliminado pelos rinsVaria com hidratação, alimentação, fígado e catabolismo
CreatininaResíduo muscular filtrado pelos rinsVaria com massa muscular, idade, dieta e alguns remédios
eTFG/eGFREstimativa da filtração renalPrecisa de contexto clínico e repetição quando alterada
Albumina/creatinina urináriaPerda de proteína na urinaPode alterar com infecção, exercício intenso ou coleta inadequada

Quando conversar com o médico com prioridade

  • Creatinina em elevação em exames repetidos.
  • Inchaço nas pernas, falta de ar, redução importante da urina ou pressão muito alta.
  • Diabetes, hipertensão, doença renal prévia ou uso de anti-inflamatórios com frequência.
  • Ureia muito alta associada a vômitos, sonolência, confusão ou sinais de desidratação.

Nota de segurança: não ajuste remédios de pressão, diuréticos, antibióticos ou anti-inflamatórios apenas pelo resultado. A decisão depende do quadro completo e, muitas vezes, de repetição laboratorial.

Fontes úteis

Referências citadas4 fontes
  1. 1.
    Salazar JH. Overview of urea and creatinine. Laboratory Medicine. 2014 Feb 1;45(1):e19-20.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Shrestha S, Gyawali P, Shrestha R, Poudel B, Sigdel M. Serum urea and creatinine in diabetic and non-diabetic subjects. Journal of Nepal Association for Medical Laboratory Sciences P. 2008;9(1):11-2.
    Voltar [2]
  3. 3.
    Higgins C. Urea and creatinine concentration, the urea: creatinine ratio. Acute Care Test Hand. 2016 Oct:1-8.
    Voltar [3]
  4. 4.
    Uchino S, Bellomo R, Goldsmith D. The meaning of the blood urea nitrogen/creatinine ratio in acute kidney injury. Clinical kidney journal. 2012 Apr 1;5(2):187-91.
    Voltar [4]

Atualizado em 15/05/2026 com foco em eTFG, albuminúria, fatores que interferem nos exames e sinais de alerta. Fontes: MedlinePlus – BUN, MedlinePlus – creatinina e NIDDK.

Arquivado em: Biomedicina

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