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Eversão do pé: movimento, dor e tratamento

25 de agosto de 2023 by Dr. Carlos Roberto Babá

Eversão do pé é o movimento em que a planta do pé gira para fora. O movimento em si é normal; o problema aparece quando há dor, entorse, instabilidade, alteração de marcha ou sobrecarga de tendões e ligamentos.

Eversão é movimento; dor na eversão é outra pergunta

Eversão participa da adaptação do pé ao solo. Quando o movimento dói, trava ou aparece após torção, o foco passa para ligamentos mediais, tendões fibulares/peroneais, articulação subtalar, tíbia, fíbula, nervos e padrão de pisada.

PadrãoO que pode indicar
Torção com pé virando para foraEntorse medial/deltoide, menos comum que entorse lateral.
Dor na parte externa do tornozeloTendões fibulares/peroneais ou entorse lateral associada.
Falseio recorrenteInstabilidade e déficit de propriocepção.
Dor progressiva com corridaSobrecarga tendínea, calçado, terreno ou aumento rápido de volume.
Incapacidade de apoiar após traumaFratura ou lesão importante precisam ser descartadas.

O exame avalia local da dor, edema, hematoma, estabilidade, força de eversão/inversão, marcha e capacidade de apoiar. Em trauma, regras clínicas e radiografia podem ser necessárias. Em dor por sobrecarga, o histórico de treino, calçado, superfície e aumento de volume costuma explicar mais do que um exame isolado.

O tratamento muda conforme a causa. Entorse recente pode exigir proteção, controle de edema e retorno progressivo. Tendinopatia precisa ajustar carga e fortalecer. Instabilidade recorrente pede propriocepção e, às vezes, avaliação ortopédica. Palmilha pode ajudar em casos selecionados, mas não substitui diagnóstico.

Procure avaliação rápida se houver deformidade, dor óssea intensa, incapacidade de dar passos, dormência, pé frio, ferida, febre ou piora progressiva. Dor leve após treino pode ser observada; trauma com perda de função não deve ser banalizado.

Como a reabilitação muda conforme a causa

Na entorse, o primeiro objetivo é proteger o tecido e recuperar movimento sem aumentar instabilidade. Depois entram força, equilíbrio e retorno a saltos ou corrida. Na tendinopatia, o foco é controlar carga e fortalecer de forma progressiva, porque repouso isolado costuma aliviar apenas temporariamente.

Em pés muito pronados, cavos, instáveis ou com histórico de torções, o tratamento pode incluir treino de propriocepção, avaliação de calçado e, em determinadas situações, palmilhas. Mas a palmilha deve responder a uma hipótese biomecânica; não é solução automática para toda dor.

O retorno ao esporte deve observar dor durante, depois e no dia seguinte. Se a pessoa volta a correr e a dor muda a passada, o tecido ainda não tolera a carga. Ajustar cedo evita transformar irritação simples em dor persistente.

Quando existe edema importante, hematoma, dor óssea ou insegurança para apoiar, o foco não deve ser “alongar para destravar”. Primeiro vem proteção e diagnóstico. Depois, a reabilitação progride de mobilidade para força, equilíbrio, saltos, corrida e mudanças de direção.

Uma boa meta funcional é voltar a andar sem mancar, subir escadas sem compensar e sustentar apoio em um pé antes de retomar esporte. Se a dor obriga a pisar para fora ou para dentro para fugir do incômodo, a mecânica ainda não está pronta para carga alta.

O fortalecimento também precisa ser específico. Exercícios de panturrilha, fibulares, tibial posterior, quadril e equilíbrio têm papéis diferentes. Quando a pessoa faz apenas alongamento genérico, pode até reduzir rigidez, mas não recupera controle do tornozelo para terreno irregular, corrida ou mudança rápida de direção.

Na prática, o retorno deve ser testado em camadas: caminhar sem dor relevante, ficar na ponta do pé, equilibrar em uma perna, fazer pequenos saltos e só depois correr ou cortar direção. Pular etapas pode manter a sensação de falseio e aumentar risco de nova entorse.

Se o tornozelo continua inchando no fim do dia ou falseia em calçada irregular, ainda existe déficit de controle. Nessa fase, exercícios simples de equilíbrio podem ser mais importantes do que aumentar distância ou velocidade.

Essa leitura evita tratar instabilidade como simples falta de alongamento.

Quando começou, o que piora, o que melhora, frequência, impacto na rotina e doenças conhecidas ajudam a separar observação de avaliação.

A eversão do pé é uma condição em que a região interna do pé gira para fora, se deslocando da linha central do corpo. É como se, ao ficar de pé, você virasse o pé em direção à parte de dentro, o que faria a parte de fora do pé se levantar do chão.

Entenda o Movimento da Eversão do Pé

No pé e no tornozelo, existem músculos que desempenham um papel na eversão do pé. Esses músculos, como os músculos fibulares, trabalham junto com outros que movem o pé para dentro. Eles ajudam a manter o tornozelo estável e equilibrado quando fazemos coisas como ficar de pé, andar, correr, pular ou patinar. Por exemplo, se você está de pé e seus pés começam a se virar para dentro, os músculos fibulares automaticamente se apertam para trazer o tornozelo de volta à posição normal.

O tornozelo tem uma articulação chamada articulação subtalar, que permite a virada para dentro e para fora do pé. Essa articulação é formada pela parte de baixo do osso do tornozelo (tálus) e a parte de cima do osso do calcanhar (calcâneo). A articulação subtalar é cheia de um líquido chamado líquido sinovial, que ajuda a lubrificar e proteger a articulação.

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A eversão do pé, junto com outros movimentos do pé, ajuda a manter o equilíbrio e a boa postura quando estamos em pé, caminhando ou correndo, principalmente em superfícies que não são lisas.

Vamos imaginar que você está de pé de lado em um morro inclinado, com um dos seus pés mais alto que o outro. Para ficar equilibrado nessa situação, um pé precisa virar para longe do meio do corpo e o outro pé precisa virar para perto do meio do corpo. Isso faz com que as solas dos pés fiquem bem apoiadas no chão e você mantenha seu equilíbrio.

Esse tipo de movimento é importante, principalmente quando estamos em terrenos acidentados. Ele ajuda a evitar que você perca o equilíbrio e caia. Mas, às vezes, o pé pode virar demais e causar uma lesão, como uma torção no tornozelo para fora. Isso pode acontecer, por exemplo, quando os ligamentos dentro do tornozelo se esticam muito e se rasgam. No entanto, existem outras razões que podem fazer o pé virar demais para fora.

É comum que algumas pessoas achem que a eversão do pé é algo normal, mas na realidade, não é. A boa notícia é que corrigir isso geralmente não é tão complicado. Essa situação pode influenciar a forma como você anda e se posiciona, então é importante entender suas causas, sintomas e opções de tratamento para garantir uma abordagem eficaz para o manejo dessa condição.

Causas

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A eversão do pé pode ser causada por diversas razões, incluindo:

Genética: Algumas pessoas podem ter uma tendência genética a desenvolver essa condição.

Fraqueza Muscular: Se os músculos ao redor do tornozelo não forem fortes o suficiente, isso pode contribuir para a eversão do pé.

Lesões Anteriores: Traumas, entorses ou lesões anteriores no tornozelo podem prejudicar a estabilidade e levar à eversão do pé. Inclusive, atletas jovens são bastante vulneráveis ​​a lesões durante atividades esportivas e recreativas, causando a eversão do pé de forma involuntária. Atletas que se dedicam a treinos intensos e repetitivos podem sentir mais pressão nos músculos e articulações. O uso de sapatos inadequados ou desgastados também pode piorar a situação em atletas. Sapatos que não oferecem o suporte certo podem aumentar as chances de desalinhamento.

Desalinhamento Ósseo: Se os ossos do pé ou do tornozelo não estiverem alinhados corretamente, isso pode levar à eversão.

Desenvolvimento Muscular Desigual: Se alguns músculos se desenvolverem mais do que outros, isso pode criar um desequilíbrio e levar à eversão do pé.

Sintomas

Os sintomas da eversão do pé podem variar, e podem incluir:

  • Marcha Alterada: A criança ou adulto pode andar com os pés virados para fora, afetando a postura e a marcha normal.
  • Desconforto ou Dor: Pode haver desconforto ou dor na parte interna do pé, tornozelo ou perna devido ao desalinhamento.
  • Instabilidade: O tornozelo pode se sentir instável, aumentando o risco de entorses.
  • Dificuldade em Calçar Sapatos: A eversão pode tornar difícil encontrar sapatos que se encaixem confortavelmente.

Tratamento

O tratamento para a eversão do pé depende do que está causando o problema e da gravidade da condição. Existem algumas maneiras de tratar a eversão do pé. Uma delas é usar dispositivos especiais, como órteses personalizadas, suspensórios ou palmilhas para os sapatos. Esses dispositivos podem ajudar a corrigir como o pé está alinhado e dar o suporte necessário.

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Outra forma comum de tratar a eversão do pé é através da fisioterapia, envolvendo exercícios e atividades que ajudam a tornar os músculos do pé e do tornozelo mais flexíveis e fortes. Quando os músculos estão mais fortes e trabalhando da maneira certa, isso pode ajudar a prevenir lesões e corrigir problemas de alinhamento. Fazer exercícios específicos com a ajuda de um fisioterapeuta é importante para fortalecer os músculos do pé e do tornozelo.

Além disso, é importante usar calçados apropriados que ofereçam estabilidade e suporte ao tornozelo. Participar de terapia de alongamento e mobilização pode ser benéfico para aumentar a flexibilidade e a mobilidade do tornozelo. Em situações excepcionais e graves, quando outras abordagens não surtem efeito, a cirurgia pode ser considerada para corrigir o alinhamento.

Se a eversão do pé não for tratada de maneira adequada, pode resultar em outros problemas que geralmente são mais dolorosos. Deixar a eversão do pé sem tratamento adequado pode levar a complicações como fascite plantar (dor no calcanhar), entorses de tornozelo, fraturas, problemas no joelho, esporões ósseos, tendinite de Aquiles e complicações na banda iliotibial.

Lembre-se que cada caso é único. É importante consultar um profissional de saúde, como um fisioterapeuta ou ortopedista, para avaliar a situação e desenvolver um plano de tratamento adequado. A intervenção precoce ajudará a alcançar melhores resultados e promover o bem-estar da pessoa afetada pela eversão do pé.

Quando a eversão dolorosa precisa de avaliação

Dor acompanhada de fraqueza, formigamento progressivo, febre ou piora depois de trauma requer avaliação.

ObservaçãoPor que importa
FunçãoMostra impacto real em marcha, força, sono, treino e trabalho.
IrradiaçãoAjuda a suspeitar de nervo, articulação, músculo ou dor referida.
EvoluçãoMelhora gradual sugere caminho diferente de piora progressiva.
Sinais neurológicosFraqueza, dormência extensa ou perda de controle urinário mudam urgência.

Anote início, gatilho, movimento que piora, movimento que alivia, resposta a repouso, remédios e fisioterapia. Esse registro ajuda a ajustar carga com base em função, duração da dor e resposta no dia seguinte.

O que levar para avaliação

Depois de uma torção ou dor persistente na eversão, a avaliação fica mais útil quando o paciente leva uma linha do tempo objetiva: como ocorreu, se houve estalo, quanto inchou, quando apareceu hematoma, se conseguiu apoiar e qual movimento piora. Esses detalhes orientam a suspeita de entorse, tendinopatia, fratura ou instabilidade.

Também vale observar o calçado, o terreno, o volume de treino e o histórico de torções anteriores. Tornozelo que falseia repetidamente costuma precisar de reabilitação proprioceptiva e fortalecimento, não apenas repouso até a dor baixar.

Se houver dor óssea localizada, incapacidade de dar alguns passos, deformidade, dormência ou pé frio, a prioridade é descartar lesão mais importante. A decisão de pedir imagem deve responder a essa pergunta clínica, não apenas confirmar que “está inflamado”.

Para retorno ao esporte, o teste prático é progressivo: caminhar sem mancar, apoiar em uma perna, subir escadas, fazer pequenos saltos e só depois correr. Se qualquer etapa muda a pisada, a carga ainda está alta para o tecido.

Essa progressão reduz recidiva e melhora confiança no tornozelo.

Fontes e leitura útil

  • AAOS: sprained ankle
  • Cleveland Clinic: peroneal tendonitis

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Ortopedia, Medicina Esportiva

Sangramento nas Fezes (Sangramento Retal) – O que pode ser?

25 de agosto de 2023 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Sangramento nas fezes ou pelo ânus pode vir de hemorroidas e fissuras, mas também pode indicar inflamação intestinal, pólipos, divertículos, infecção, uso de anticoagulantes ou câncer colorretal. Cor, quantidade, dor, tontura, anemia, idade e recorrência mudam a prioridade.

A cor do sangue ajuda, mas não fecha a causa

Sangue vermelho vivo no papel ou pingando no vaso costuma vir de região anal ou reto baixo, como fissura ou hemorroida. Fezes pretas, com cheiro muito forte, podem sugerir sangramento mais alto no tubo digestivo. Sangue misturado às fezes, muco, perda de peso ou anemia pedem investigação mais organizada.

Padrão observadoPor que importa
Sangue no papel com dor ao evacuarFissura anal é possibilidade comum.
Sangue vivo sem dor e caroço analHemorroida entra no diferencial.
Fezes pretas ou vômito com sanguePode indicar sangramento digestivo alto.
Sangue recorrente com alteração do hábito intestinalInvestigar intestino, pólipos, inflamação ou tumor.
Tontura, fraqueza ou desmaioPrioridade é avaliar perda de sangue.

Não é seguro assumir hemorroida em todo sangramento. Idade acima de 45-50 anos, histórico familiar de câncer colorretal, anemia, perda de peso, dor abdominal persistente, diarreia crônica ou mudança recente no hábito intestinal aumentam a necessidade de avaliação.

O que levar para a consulta

Descreva cor do sangue, quantidade, frequência, dor, constipação, diarreia, medicamentos, anticoagulantes, anti-inflamatórios, exames anteriores e histórico familiar. Se possível, informe se o sangue aparece só no papel, pinga no vaso ou vem misturado às fezes.

O exame pode envolver avaliação anal, sangue oculto, hemograma, colonoscopia, endoscopia ou imagem, conforme risco e apresentação. O objetivo é localizar a origem e tratar a causa, não apenas estancar o episódio.

Fontes usadas

  • NIDDK: gastrointestinal bleeding
  • NIDDK: diagnosis of GI bleeding

É importante ressaltar que todas as informações fornecidas neste vídeo têm apenas fins educativos e não devem ser consideradas como conselhos médicos. Vamos começar falando sobre o trato gastrointestinal.

Anatomia do Trato Gastrointestinal

O trato gastrointestinal começa na boca e segue até o ânus. Quando há sangue saindo pelo ânus, isso indica um sangramento em algum ponto do trato gastrointestinal. O sangue pode ter diferentes cores, dependendo da localização do sangramento.

Sangramentos mais baixos ao longo do trato gastrointestinal geralmente apresentam uma cor vermelha mais brilhante, enquanto sangramentos mais altos têm uma cor mais escura.

Efeitos do sangramento intestinal

Intestino Irritável – O que comer e não comer?

Um dos principais efeitos do sangramento gastrointestinal é a anemia, que se refere à baixa hemoglobina ou contagem baixa de glóbulos vermelhos. O sangramento gastrointestinal específico causa anemia por deficiência de ferro. Pacientes com anemia por deficiência de ferro têm baixa hemoglobina, baixo volume de células vermelhas do sangue (anemia microcítica) e baixos níveis de ferritina, que é a quantidade de ferro no organismo.

Se não houver uma causa óbvia para a anemia, como menstruação intensa ou uma dieta restritiva pobre em ferro, é necessário considerar a possibilidade de um sangramento crônico no trato gastrointestinal e encaminhar o paciente para uma endoscopia alta e baixa para procurar as fontes do sangramento.

Quando suspeitar de Câncer Colorretal?

Agora, vamos falar sobre as suspeitas de câncer colorretal. Antes de abordarmos as diferentes causas possíveis de sangramento retal, é importante mencionar a causa mais importante que precisa ser identificada urgentemente: o câncer colorretal.

O sangramento retal é um sintoma de alerta e o câncer colorretal precisa ser excluído.

As diretrizes do NICE para suspeita de câncer fornecem critérios para um encaminhamento urgente de câncer, chamado de encaminhamento de duas semanas, em pessoas que apresentam sangramento retal. Esses critérios são:

  • Pessoas com mais de 50 anos com sangramento retal inexplicado.
  • Pessoas com menos de 50 anos com sangramento retal e dor abdominal, anemia por deficiência de ferro, perda de peso ou mudança no hábito intestinal.

Também é importante lembrar de outros critérios de encaminhamento para câncer colorretal estabelecidos pelo NICE:

  • Pacientes com mais de 40 anos com perda de peso e dor abdominal.
  • Pacientes com mais de 60 anos com anemia por deficiência de ferro ou mudança no hábito intestinal.
  • Pacientes com teste imunológico fecal positivo, presença de massa retal ou abdominal.

Sangue vermelho vivo – o que pode ser?

Agora, vamos falar sobre as causas de sangue vermelho brilhante no papel higiênico. Quando é observado sangue vermelho brilhante no papel higiênico ao se limpar, isso indica um problema na região anal, no final do trato gastrointestinal. As causas mais prováveis para isso são hemorroidas ou uma fissura anal. Outras causas a serem consideradas são traumas decorrentes de atividades sexuais, infecções e câncer anal.

Hemorroidas

As hemorroidas são vasos sanguíneos dilatados no ânus. Não está claro por que elas se tornam dilatadas e inchadas, mas estão frequentemente associadas à constipação e ao esforço para evacuar as fezes.

Elas são mais comuns durante a gravidez, em pessoas obesas, de idade avançada e com pressão intra-abdominal aumentada, como resultado de levantamento de peso ou tosse crônica.

As hemorroidas podem ser internas ou externas.

Quando são externas, pode-se observar um pequeno caroço no ânus, coberto por mucosa, além de um sangramento vermelho brilhante e indolor, geralmente no papel higiênico e não misturado nas fezes. As hemorroidas podem causar coceira ou um pequeno inchaço ao redor, ou dentro do ânus.

O diagnóstico de hemorroidas pode ser feito por meio de um exame do ânus, que envolve um toque retal digital ou por meio da proctoscopia, que envolve a inserção de um tubo oco chamado de proctoscópio na cavidade anal para visualizar a mucosa.

Fissuras Anais

As fissuras anais são pequenas rupturas na mucosa do ânus. Elas geralmente causam dois sintomas: sangramento vermelho brilhante, observável nas fezes ou no papel higiênico, e dor no ânus durante a evacuação ou ao se limpar.

O estiramento da fissura quando as fezes passam por ela causa dor. Em geral, as fissuras anais podem ser visíveis durante a inspeção, mas um exame retal digital é geralmente muito doloroso para ser realizado.

As fissuras anais geralmente cicatrizam com o tempo. O tratamento pode envolver o uso de laxantes para amolecer as fezes, analgésicos, como pomadas anestésicas de lidocaína e pomadas de trinitrato de glicerol (GTN) para relaxar os músculos do esfíncter e auxiliar na cicatrização. Vale ressaltar que um efeito colateral comum da pomada de GTN é a dor de cabeça.

Sangue misturado nas fezes

Agora, vamos falar sobre as causas de sangue misturado nas fezes. Sangue vermelho misturado com as fezes sugere um sangramento mais alto no intestino grosso. Quanto mais escuro o sangue, mais alto é o local do sangramento.

Outras causas – sangramento no intestino grosso

Existem várias causas possíveis de sangramento dentro do intestino grosso, e vamos falar mais detalhes sobre elas:

Gastroenterite

Refere-se à inflamação e infecção do trato gastrointestinal. Existem muitas causas de gastroenterite, algumas das quais podem causar sangramento retal, como Campylobacter, E.coli, Shigella, Salmonella e Yersinia.

Os sintomas típicos de gastroenterite incluem cólicas abdominais, diarreia, vômitos e febre. O diagnóstico da causa da gastroenterite pode ser feito por meio da análise de uma amostra de fezes enviada ao laboratório para microscopia, cultura e teste de sensibilidade a antibióticos.

O tratamento envolve geralmente medidas de suporte, com antibióticos sendo usados apenas quando a causa específica é conhecida.

Doença Diverticular

Um divertículo é uma bolsa ou um pequeno bolso no intestino, geralmente de tamanho entre 0,5 e 1 centímetro.

A diverticulose refere-se à presença de divertículos sem inflamação ou infecção. A diverticulose pode ser diagnosticada por meio de colonoscopia ou tomografia computadorizada. Já a diverticulite refere-se à inflamação e infecção dos divertículos.

A diverticulite aguda apresenta dor e sensibilidade, geralmente no quadrante inferior esquerdo do abdômen, febre, diarreia, náuseas, vômitos, sangramento retal e, se um abscesso se formar, é possível sentir uma massa abdominal palpável.

TermoDefinição
DiverticuloseCondição na qual pequenas bolsas ou sacos se formam na parede do intestino grosso.
DivertículosAs bolsas ou sacos que se projetam através da parede muscular do intestino.
SintomasMuitas vezes não apresenta sintomas. Quando presentes, os sintomas podem incluir dor abdominal, flatulência, inchaço, obstipação ou diarreia.
CausasO enfraquecimento da parede muscular do intestino grosso, frequentemente associado ao envelhecimento. Também pode estar relacionado à dieta pobre em fibras.
Fatores de riscoIdade avançada, dieta baixa em fibras, obesidade, sedentarismo.
ComplicaçõesDiverticulite (inflamação dos divertículos), sangramento, infecções, obstrução intestinal.
TratamentoDieta rica em fibras, controle de peso, exercícios. Antibióticos e cirurgia podem ser necessários em casos complicados.

O tratamento da diverticulite aguda envolve o uso de antibióticos, analgésicos e limitação da ingestão oral apenas a líquidos claros. Alguns casos requerem internação hospitalar e, em raras ocasiões, cirurgia urgente para complicações, como perfuração.

Doença Inflamatória Intestinal

É um termo geral para duas principais doenças que causam inflamação do trato gastrointestinal: a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn. Ambas envolvem inflamação das paredes do trato gastrointestinal e estão associadas a períodos de remissão e exacerbação dos sintomas.

A retocolite ulcerativa afeta principalmente o intestino grosso e o reto, enquanto a doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal. O sangramento retal é mais comum na retocolite ulcerativa em comparação com a doença de Crohn.

Os sintomas típicos incluem diarreia, dor abdominal, sangramento nas fezes e perda de peso. Um teste importante para suspeita de doença inflamatória intestinal é o calprotectina fecal, que é um marcador de inflamação intestinal bastante sensível e específico.

A endoscopia e a biópsia são necessárias para confirmar o diagnóstico. O tratamento geralmente envolve o uso de esteroides e medicamentos imunossupressores.

Angiodisplasia

É uma condição em que há áreas de vasos sanguíneos pequenos dilatados e anormais na parede do intestino. A causa da angiodisplasia não é clara. Os pacientes podem ser assintomáticos, podem apresentar sangramento retal ou anemia por deficiência de ferro devido à perda de sangue. Geralmente, não causa outros sintomas.

A endoscopia é o exame de escolha para fazer o diagnóstico. Os vasos anormais podem ser tratados durante a endoscopia.

Pólipos Intestinais

São crescimentos na camada interna do intestino. Eles geralmente não causam sintomas, mas podem causar sangramento retal.

A maioria dos pólipos é benigna, mas alguns podem se tornar cancerosos. Eles podem ser diagnosticados e removidos durante uma colonoscopia.

Câncer Colorretal

O câncer intestinal é o quarto câncer mais prevalente, atrás do câncer de mama, próstata e pulmão.

Os sintomas de alerta para câncer colorretal incluem mudança no hábito intestinal, sangramento retal, perda de peso inexplicada, dor abdominal inexplicada, anemia por deficiência de ferro e massa abdominal ou retal na palpação.

O teste imunológico fecal (FIT) é usado como triagem de câncer colorretal na e também pode ser usado como teste para avaliar o risco de câncer colorretal em pacientes específicos que não atendem aos critérios para encaminhamento urgente de câncer. A colonoscopia é o exame de referência para o diagnóstico de câncer colorretal, permitindo a visualização de todo o intestino grosso.

Quaisquer lesões suspeitas podem ser biopsiadas para obter um diagnóstico histológico. Lesões suspeitas também podem ser marcadas durante a colonoscopia para preparar o paciente para uma cirurgia.

Outros exames incluem tomografia computadorizada para estadiamento do câncer e o antígeno carcinoembrionário (CEA), um teste de sangue para marcadores tumorais do câncer colorretal. As opções de tratamento para câncer colorretal incluem ressecção cirúrgica, quimioterapia, radioterapia e cuidados paliativos quando necessário.

O que pode aumentar o risco de sangramento?

Por fim, é importante mencionar os fatores que aumentam o risco de sangramento, tanto no trato gastrointestinal quanto em outras partes do corpo: medicamentos e distúrbios de sangramento.

Alguns exemplos de medicamentos que afinam o sangue e aumentam o risco de sangramento são aspirina, clopidogrel, ticagrelor, heparina, varfarina e DOACs (anticoagulantes orais diretos), como apixabana, rivaroxabana e dabigatrana.

Os distúrbios de sangramento que aumentam o risco de sangramento incluem trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas), doença de von Willebrand e hemofilia.

Arquivado em: Gastroenterologia

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