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Melasma com laser: quando considerar e cuidados

4 de julho de 2022 by Dra. Juliana Toma

Laser para melasma pode ser considerado em casos selecionados, mas não é primeira resposta para toda mancha no rosto. O tratamento costuma começar por fotoproteção rigorosa, controle de gatilhos e medicamentos tópicos; procedimentos entram quando a indicação, o fototipo, o risco de rebote e a expectativa foram discutidos.

Por que melasma não é uma mancha simples

Melasma é uma condição crônica e recorrente de pigmentação. Luz solar, luz visível, calor, hormônios, gravidez, anticoncepcionais, predisposição genética e inflamação podem influenciar. Isso explica por que “clarear” uma mancha sem controlar gatilhos costuma gerar melhora temporária e retorno.

Antes do laserO que confirmar
DiagnósticoMelasma deve ser diferenciado de lentigos, hiperpigmentação pós-inflamatória e outras manchas.
FototipoPeles mais pigmentadas têm maior risco de hiperpigmentação pós-inflamatória.
FotoproteçãoSem proteção diária, o risco de recidiva aumenta.
Tratamento tópicoÁcidos, clareadores e anti-inflamatórios tópicos costumam vir antes ou junto.
ExpectativaLaser pode ajudar em casos selecionados; não promete cura definitiva.

Quando o laser pode entrar

Lasers de baixa fluência, pico e outras tecnologias podem ser usados por dermatologistas em melasma resistente, especialmente quando o plano já inclui fotoproteção e tratamento tópico. O objetivo é reduzir pigmento com menor inflamação possível. Mesmo assim, irritação, escurecimento paradoxal, recidiva e resultado parcial precisam ser explicados.

O risco aumenta quando há pele bronzeada, procedimento agressivo, fotoproteção irregular, uso de produtos irritantes, exposição ao calor ou expectativa de clareamento rápido. Melasma não deve ser tratado como tatuagem ou mancha isolada; ele responde ao ambiente hormonal e luminoso do paciente.

Como medir resultado sem se enganar

Fotos padronizadas, mesma luz, mesma distância e acompanhamento por semanas ajudam a diferenciar melhora real de variação de iluminação. A melhora relevante é clareamento com estabilidade, menor contraste e menor necessidade de maquiagem, sem irritação persistente ou piora após sol.

Se a mancha escurece após cada tentativa, arde, descama muito ou volta rapidamente, o plano precisa ser revisto. Às vezes o problema não é falta de tecnologia, mas excesso de agressão para uma pele predisposta a pigmentar.

O tratamento mais forte não é necessariamente o melhor. Em melasma, constância, baixa irritação e proteção diária costumam ser mais importantes do que buscar uma intervenção única.

O que perguntar antes de fazer laser

Antes do procedimento, pergunte qual é a hipótese diagnóstica, qual tecnologia será usada, por que ela foi escolhida para seu fototipo, qual energia será aplicada, quantas sessões são esperadas e como será o preparo da pele. Também pergunte o que fazer se houver escurecimento, ardor persistente ou manchas novas.

O melasma costuma exigir manutenção. Mesmo quando há resposta boa, exposição solar, calor, gravidez, hormônios e irritação podem reativar pigmentação. Por isso, o melhor plano inclui rotina de filtro solar, reaplicação, barreiras físicas, controle de produtos irritantes e revisão periódica.

Também é importante diferenciar melasma de hiperpigmentação pós-inflamatória. Manchas após acne, queimadura, dermatite ou procedimento podem parecer melasma, mas a lógica de tratamento e o risco de piora não são idênticos.

O intervalo entre sessões também importa. Procedimentos muito próximos podem manter a pele inflamada e favorecer pigmentação. Em melasma, a resposta lenta e estável costuma ser preferível a clareamento rápido acompanhado de irritação.

Pacientes com melasma misto ou dérmico podem ter resposta mais limitada. Isso não significa que o tratamento falhou; significa que a profundidade e a biologia do pigmento impõem limites.

Quando houver histórico de piora após peeling, laser, depilação ou cosmético irritante, isso deve ser dito antes da sessão. Esse padrão sugere pele que pigmenta após inflamação e exige estratégia mais conservadora, preparo mais cuidadoso e acompanhamento próximo.

O artigo também deve evitar listar laser como atalho isolado. Em melasma, procedimento sem manutenção costuma frustrar porque a doença continua ativa. O acompanhamento deve observar irritação, tolerância aos tópicos, exposição diária e estabilidade do clareamento.

Outra pergunta útil é o que será feito se o melasma voltar. Um plano responsável já prevê manutenção, pausa de procedimentos irritantes e ajuste de tópicos, em vez de simplesmente aumentar a potência do laser.

Se houver gestação planejada, uso hormonal ou exposição solar intensa no trabalho, esses fatores também devem entrar na decisão. Eles aumentam chance de recidiva e podem mudar o momento ideal do procedimento.

Esse planejamento evita tratar hoje o que será reativado amanhã pelo mesmo gatilho.

O melasma é uma doença de pele comum relacionada a pigmentação. Geralmente é distribuída de forma simétrica na face de mulheres jovens e de meia-idade.

Sua causa específica não é clara, no entanto, altos níveis de estrogênio no sangue podem ser um fator contribuinte primário.

O melasma está associada à gravidez, uso prolongado de contraceptivos orais e distúrbios menstruais. Isto muitas vezes aparece junto com doenças do sistema reprodutor feminino, tuberculose, câncer, intoxicação crônica por álcool ou doença hepática.

Também pode ser causada pela exposição ao sol. Homens representam cerca de 10% dos casos de melasma, e alguns estudos relacionam a doença a genética.


Classificação do Melasma

De acordo com a irradiação da lâmpada de Wood e o exame histológico da pele, o melasma pode ser classificado em três tipos: epidérmico, dérmico e misto.

Estudos epidemiológicos relataram que o melasma pode ocorrer em todas as raças, mas a incidência é alta entre as populações de pele escura na Ásia e na África.

A taxa de incidência é de 1% na população geral e 9-50% na população de alto risco.


Possibilidades de tratamento de melasma

Atualmente, a maioria dos tratamentos de melasma envolve medicamentos externos locais, quimioterapia, terapia fotoelétrica e prevenção.

Costuma-se usar a hidroquinona como a primeira linha de tratamento para o melasma. A hidroquinona está disponível como loção, creme ou gel. Ele funciona clareando a cor das manchas da pele. Uma pessoa pode aplicar o produto de hidroquinona diretamente nas manchas de pele descoloridas ou irregulares.


Laser para melasma

O tratamento a laser é procurado em casos de melasma resistente ao tratamento. Se este for o caso, existem vários lasers diferentes para melasma. Estes incluem luz intensa pulsada (IPL), lasers Q-switched, lasers de picosegundo ou pico e lasers de recapeamento fracionado.

Picosure é um laser também é eficaz no tratamento de manchas solares, linhas finas e tom e textura de pele irregulares.

Este procedimento usa pulsos de laser ultracurtos, cada um com duração de um trilionésimo de segundo, para atingir as subcamadas da pele para criar cavidades minúsculas na área alvo e preparar o terreno para a regeneração da pele.

Um dos procedimentos mais populares, pois opera no comprimento de onda de 755nm, que tem uma melhor absorção quando se trata de pigmentos. É relativamente confortável e proporciona resultados sem danificar as camadas superficiais da pele. É eficaz no tratamento de pigmentações no rosto, peito, costas, mãos e pernas.

O laser não danifica tecidos normais; tem efeito rápido e não deixa cicatrizes, e tem sido gradativamente aceito como tratamento de rotina para melasma.

Os lasers podem ser usados em pacientes selecionados com melasma resistente após aconselhamento completo e preferencialmente após a realização de tratamentos de teste.

O laser Nd-YAG de baixa fluência Q-switched (LFQS) é uma opção para casos refratários de melasma, principalmente em indivíduos com tons de pele mais escuros.


Quantas sessões de laser são necessárias?

Você deve perceber alguma melhora após a primeira sessão, mas três a quatro sessões espaçadas de cerca de 30 dias produzirão os melhores resultados.

Resultados completos podem surgir após 3 a 6 meses.

Em determinadas situações, tratamentos adjuvantes podem ser necessários, porque às vezes o melasma desaparece dias após a terapia a laser, mas retorna em cerca de 3 meses sem prevenção.


Qual é o tempo de recuperação após o tratamento com laser?

Não há tempo de inatividade após um tratamento a laser. A maioria dos pacientes retoma sua rotina normal assim que saem do consultório.

Ao longo da semana seguinte, haverá mudanças na pigmentação à medida que a pele começa a descascar.

Evite produtos agressivos nas áreas tratadas e use um limpador e hidratante suave. Evite cutucar a pele, pois isso irritará a pele e prolongará o processo de cicatrização.


Estudos com laser para melasma

Até o momento, não existem meta-análises de tratamento a laser para melasma. Nos últimos anos, novos ensaios clínicos randomizados de tratamento com laser de melasma foram realizados.

Portanto, uma meta-análise é necessária para explorar ainda mais sua eficácia e segurança.

Em uma meta-análise foram incluídos artigos que atendiam aos seguintes critérios de pesquisa: tratavam do tema da associação entre laser e terapia composta a laser; eram ensaios controlados randomizados; os estudos foram restritos à língua inglesa. Os seguintes resultados foram encontrados:

A área do ponto da doença e o índice de gravidade para o tratamento com laser e terapia composta a laser para melasma foram menores que a linha de base.

Quando comparado à terapia medicamentosa isolada, as diferenças não foram estatisticamente significantes.

Esses resultados diferentes mostraram que o laser e a terapia a laser composta melhorou a área do melasma e o índice de gravidade, e foram superiores a ambas as drogas e o grupo controle.

Os efeitos colaterais comuns foram eritema, sensação de queimação, dor e hiperpigmentação. No grupo laser, a incidência de eritema e sensação de queimação foi 25%; a dor foi de 11%; hiperpigmentação foi de 4,2%.

No grupo das drogas, o eritema foi de 8%; sensação de queimação foi de 7%; a dor foi de 1,4%; hiperpigmentação foi de 7%. Para reduzir a incidência de eventos adversos associados à terapia a laser, um estudo usou lasers em quatro intervalos semanais.

Outro estudo utilizou lasers em três intervalos semanais. Dois estudos usaram lasers em um intervalo semanal, e os cinco estudos restantes os usaram em dois intervalos semanais.

Os estudos acima mostram que o tratamento a laser em intervalos de uma ou duas semanas pode maximizar efeitos do tratamento e reduzir a incidência de eventos adversos.

A curto prazo, laser e laser terapia combinada pode melhorar a área e o índice de gravidade do melasma mais rapidamente e eficiente do que o tratamento medicamentoso sozinho.

Além disso, as reações adversas geradas após a aplicação de laser de curto prazo normalmente desaparecem espontaneamente dentro de 1-3 dias, sem tratamento.

Melasma D

O melasma é uma das anormalidades de pigmentação da pele mais comuns observadas por dermatologistas.

Afeta a aparência física dos pacientes, pode causar pressão psicológica e afetar o trabalho e vida diária. Atualmente, não existem tratamentos medicamentosos seguros e eficazes ou diretrizes de laser.

Os tratamentos que foram relatados como eficazes incluem tratamentos sistemáticos e tópicos como ácido tranexâmico e creme de tretinoína, decapagem química, acupuntura, bem como terapia de fótons e laser. Drogas sistêmicas e externas geralmente têm efeitos lentos.

Isso pode inibem a adesão do paciente a longo prazo. A terapia a laser é direcionada e eficaz na remoção de manchas. O laser emitido pelo tratamento instrumento pode penetrar na pele danificada, entrar na área danificada e tratar o pigmento.


Laser é opção em casos selecionados, com risco de rebote

Um estudo avaliou a eficácia da terapia combinada a laser no melasma.

Os pacientes foram aleatoriamente designados para IPL (luz pulsada intensa) em uma bochecha e IPL + LFQS na outra. Os resultados mostraram que após cinco semanas, a terapia de combinação a laser foi superior à terapia a laser sozinho. Ambos causaram dor pungente, eritema recorrente e leve.

As resultados do mMASI (índice de gravidade e área modificada do melasma) diminuíram após o último tratamento, mas melhorou após cinco semanas de tratamento.

Um estudo mostrou que a taxa de sucesso da terapia de combinação de laser para melasma foi 93,8%. Um estudo randomizado de divisão de rosto mostrou que a resultado mMASI melhorou 75,9% após tratamento combinado a laser para cloasma.

No entanto, após três meses de tratamento, a taxa de recorrência foi de 100%.

Existem várias limitações potenciais para a meta-análise.

Uma é que os pacientes com melasma incluídos em no estudo tinham diferentes tipos e gravidades da doença. Outra limitação potencial é que o número de estudos incluídos para esta meta-análise foi insuficiente, levando a poder estatístico insuficiente.

Dadas as limitações do artigo atual, mais ensaios clínicos randomizados são necessários para confirmar a eficácia e segurança da terapia de combinação de laser e laser tratamento do melasma.

Em conclusão, a laserterapia, como terapia complementar inovadora, pode melhorar a sintomas de pacientes com melasma. Recomendamos o uso de curto prazo (3-6 semanas) de laser e terapia combinada a laser no tratamento do melasma.

O que muda a indicação do procedimento

Em Melasma com laser: quando considerar e cuidados, a indicação deve ligar queixa, exame físico, alternativas e risco aceitável. Procedimento não deve ser escolhido apenas por antes e depois, promessa de resultado ou pressão comercial; a decisão melhora quando compara benefício provável, tempo de recuperação e possíveis complicações.

PontoPor que importa
IndicaçãoConfirma se o procedimento responde ao problema real.
ContraindicaçõesDoenças, remédios, tabagismo e cicatrização podem mudar segurança.
RecuperaçãoDor, repouso, retorno ao trabalho e restrições precisam caber na rotina.
ExpectativaEvita confundir melhora possível com promessa de resultado perfeito.

Na avaliação, pergunte quais alternativas existem, quais riscos são mais relevantes no seu caso, como será o acompanhamento e quais sinais no pós-procedimento exigem contato antes do retorno programado.

Fontes e leitura útil

  • AAD: melasma diagnosis and treatment
  • Review: laser and light therapies in melasma

Fontes úteis

  • AAD: dermatologia para o público
  • MedlinePlus: pele, cabelo e unhas
  • FDA: dispositivos estéticos

Arquivado em: Dermatologia

Teste do olhinho: conheça esse teste e sua importância

4 de julho de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

A época logo após o nascimento de uma criança é uma das épocas mais felizes da vida das pessoas, ainda que seja também uma das que requeiram maior esforço e dedicação. É uma época em que se acompanha o desenvolvimento acelerado desse pequeno ser, suas façanhas e seu descobrimento do mundo.

Como cuidar dos olhos sem atrasar avaliação

Em “Teste do olhinho: conheça esse teste e sua importância”, a diferença entre irritação simples e um problema que precisa de exame está nos sinais associados: dor forte, baixa de visão, secreção, sensibilidade à luz, trauma, uso de lentes de contato e sintomas em apenas um olho mudam a prioridade. A conduta pode ir de cuidados locais simples a colírios específicos, mas colírio errado pode mascarar ou piorar o quadro.

Sinais que orientam a decisão

SinalO que significa na prática
Coceira e lacrimejamentoPode ocorrer em alergia ou irritação ambiental, principalmente quando é bilateral e recorrente.
Secreção espessaPode sugerir infecção e precisa de avaliação se persistir ou vier com dor.
Dor ou fotofobiaÉ sinal de alerta, especialmente se houver vermelhidão intensa ou baixa visual.
Uso de lente de contatoAumenta a cautela porque algumas infecções podem evoluir mais rápido.
Crianças pequenasTeste, triagem e acompanhamento ajudam a evitar atraso em problemas de visão.

Cuidados seguros enquanto observa

  • Evite coçar os olhos e lave as mãos antes de tocar a região.
  • Não use colírio com antibiótico, corticoide ou anestésico sem orientação.
  • Suspenda lente de contato se houver dor, vermelhidão ou secreção.
  • Procure atendimento rápido se houver baixa de visão, trauma, dor forte ou sensibilidade à luz.

Como a conduta costuma ser decidida

O tratamento depende da causa provável: alergia, ressecamento, conjuntivite, inflamação, corpo estranho e alteração de visão têm caminhos diferentes.

Quando o quadro é recorrente, unilateral, doloroso ou muda a visão, o exame oftalmológico é mais importante do que repetir colírios por tentativa.

Embora esse conjunto de acontecimentos traga bastante alegria aos pais, é importante também manter em mente as questões de saúde do recém-nascido. Nessa época, seu sistema imunológico ainda está pouco desenvolvido, e ele está sujeito a diversos tipos de infecções e alergias, que podem comprometer sua saúde e seu desenvolvimento.

Seguir o calendário de vacinação é uma das formas de fazer isso. A vacinação contribui para prevenir o contágio por um grande número de agentes infecciosos, a maioria deles capazes de produzirem doenças letais ou deixar sequelas permanentes.

Leia também: Bebês prematuros: Calendário de Vacinação diferente

Porém, além da questão da infecção, existem também as condições de origem congênita, às quais deve-se estar atento também. No caso, são questões que podem estar presentes desde o nascimento, ou se desenvolver poucos meses depois, não sendo necessariamente causadas por agentes patológicos.

Um dos testes utilizados para identificar precocemente questões desse tipo é o Teste do Reflexo Vermelho (TRV), mais conhecido como teste do olhinho. O teste do olhinho é um teste rápido que visa identificar possíveis problemas de visão, alguns dos quais podem apresentar elevada gravidade.

Vamos entender como esse teste funciona.

Como funciona o teste do olhinho?

O teste do olhinho consiste em aplicar uma luz sobre o olho da criança. Para isso, comumente se utiliza um aparelho especializado, o oftalmoscópio. O objetivo é observar o reflexo do olho à luz nessa situação. O exame é realizado rapidamente com luz de intensidade apropriada, portanto, não causa danos à visão.

Em uma pessoa que não apresente deficiência visual ou alguma condição que afete o olho, o reflexo da luz nessas condições apresenta uma cor avermelhada ou alaranjada. Esse é um reflexo do fundo do olho, que torna-se visível dessa forma quando a pupila não apresenta tempo suficiente para contrair na presença da luz. É semelhante ao efeito comumente observado em fotografias com flash.

Em casos que o reflexo é esbranquiçado, apresenta pontos escuros, não ocorre, ou há considerável assimetria entre os dois olhos, isso é um indício de que pode haver algum tipo de problema no globo ocular. Neste caso, direciona-se a família para um oftalmologista para exames mais detalhados, de forma a diagnosticar o possível problema com maior precisão.

O teste do olhinho não é uma ferramenta diagnóstica em si, visto que há múltiplos tipos de fatores que modificam o reflexo do olho da forma descrita. Ele é, porém, um sinal de alerta precoce, que contribui para um diagnóstico mais rápido e para o direcionamento do tratamento.

A realização do teste do olhinho é atualmente obrigatória para recém-nascidos, sendo comumente realizada já na maternidade. Caso não tenha sido possível realizá-lo na maternidade, deve ser feito na primeira consulta com o pediatra.

Recomenda-se também que o teste seja realizado regularmente até que a criança complete dois anos de vida. Dessa forma, é possível identificar problemas congênitos que tenham iniciado tardiamente. Pode ser realizado esporadicamente também até os sete anos de idade, a critério do pediatra.

Próximos passos

Caso o teste tenha resultado em reflexos avermelhados e simétricos, isso significa que está tudo certo e não são necessários outros passos nesse sentido. É apenas necessário continuar a consultar um pediatra regularmente, para acompanhar o desenvolvimento da criança e sua saúde, e continuar a realizar o teste do olhinho durante os próximos anos.

Caso o resultado tenha identificado algum possível problema, é necessário consultar um oftalmologista. O teste do olhinho não é capaz de diagnosticar com precisão qual o problema de visão envolvido. Por isso, é necessário essa consulta adicional para a realização de uma sequência de exames mais precisa.

Muitos dos exames podem ser feitos já no consultório, com os equipamentos disponíveis para uso por parte do profissional. Porém, podem ser necessários outros tipos de exames também, para o diagnóstico diferencial.

Dentre as condições que podem ser identificadas partindo do teste do olhinho, encontram-se:

  • Catarata congênita
  • Hemorragias
  • Retinoblastoma
  • Miopia e hipermetropia
  • Glaucoma
  • Cegueira
  • Entre outras

Condições identificáveis

As condições identificáveis variam em grau de intensidade e possibilidade de prejuízo à visão. A miopia e hipermetropia podem, em muitos casos, ser compensadas pelo uso de óculos e se resolverem espontaneamente com o tempo. O retinoblastoma, por outro lado, é um tipo de câncer, mas o diagnóstico precoce aumenta consideravelmente as chances de sobrevivência.

Porém, é importante saber também que a ocorrência de um resultado alterado por parte do teste do olhinho não implica necessariamente na presença de uma condição maligna no globo ocular. Em determinadas situações, a diferença de coloração pode ser resultado de uma diferença de coloração do fundo do olho de origem congênita, ou de uma condição benigna conhecida como membrana pupilar persistente.

Em todo caso, a consulta ao oftalmologista é necessária para descobrir a natureza da diferença de coloração por parte do olho no teste do olhinho.

Catarata congênita

A catarata congênita consiste no desenvolvimento de catarata durante os primeiros meses de vida. Isso pode ser resultante tanto de questões genéticas, quanto pela contração de alguma doença durante a gestação (como a rubéola) ou de distúrbios do metabolismo.

A catarata consiste na turvação do cristalino, a lente do olho. Essa turvação compromete a transparência do cristalino, portanto, causa dificuldade de visão. A catarata, congênita ou não, começa de forma lenta e se intensifica gradualmente, até causar cegueira completa. Pode afetar ambos os olhos ou apenas um deles, a depender do caso.

O tratamento consiste em cirurgia de substituição do cristalino. O cristalino afetado é removido cirurgicamente e substituído por um cristalino sintético, normalmente composto por plástico ou silicone.

A cirurgia é normalmente realizada apenas a partir dos dois anos de idade, visando evitar possíveis complicações decorrentes da idade da criança e do sistema imunológico ainda imaturo. Até essa idade, utilizam-se lentes de contato para facilitar a visão e, com isso, também impedir que ela se atrofie.

Hemorragias

Hemorragias no olho são o resultado do sangue que circula nas paredes do olho penetrar as paredes e se encontrar presente no vítreo, líquido transparente que preenche o interior do olho. A presença desse líquido viscoso pode dificultar a visão, visto que apresenta opacidade consideravelmente maior que a do vítreo.

Essas hemorragias podem apresentar diversas causas, como traumatismos cranianos, infecções virais, aumento da pressão intraocular, menor pressão atmosférica (por exemplo, por estar em locais de grande altitude), entre outros.

Embora a presença de sangue dentro do olho aparente ser algo sério, geralmente é uma condição benigna e passageira. O olho tende a se cicatrizar e regenerar naturalmente, e o sangue é absorvido pelo corpo com o tempo.

O acompanhamento com o oftalmologista, porém, continua sendo necessário. Caso o sangue se mantenha no vítreo por muito tempo, especialmente em grandes quantidades, pode resultar na atrofia do olho. Neste caso, seriam necessárias outras abordagens.

Em determinadas situações, porém, a ocorrência de hemorragia repentina e em grandes quantidades pode ser sinal de descolamento da retina, condição grave que apresenta alto potencial de resultar em cegueira, necessitando tratamento imediato.

O descolamento da retina tende a ser mais comum em pessoas mais velhas, mas pode também ser efeito colateral do retinoblastoma e de algumas inflamações oculares.

Retinoblastoma

O retinoblastoma é um tipo de câncer específico da infância, sendo mais comum em recém-nascidos. É raro, atingindo entre 1 em 15.000 e 1 em 30.000 crianças. Se desenvolve apenas na retina ainda imatura, por isso, não atinge adultos. Em determinadas situações, pode ser hereditário.

Consiste em um tumor maligno que se desenvolve na retina, e de lá pode se espalhar para o resto do corpo, além de comprometer a visão no olho em que estiver presente. Em determinadas situações, pode estar presente nos dois olhos, especialmente quando apresenta origem genética.

No teste de olhinho, a presença de reflexo esbranquiçado é um fator que pode indicar sua presença. Além disso, a presença do retinoblastoma também pode resultar em outras condições oftalmológicas, como estrabismo, inflamação ocular e dificuldades de visão.

Quando descoberto em seus estágios iniciais, isto é, antes de espalhar para fora do olho, o retinoblastoma apresenta mais de 90% de chance de sobrevivência. Caso já tenha atingido metástase, porém, as chances são muito menores.

O objetivo do tratamento é maximizar as chances do retinoblastoma não se desenvolver e não se espalhar. Por isso, quando ocorre em apenas um olho, o tratamento recomendado é o de enucleação, isto é, remoção completa do globo ocular.

Caso o retinoblastoma esteja presente em ambos os olhos, busca-se preservar a visão pela realização de tratamentos como fotocoagulação, quimioterapia intra-arterial ou crioterapia. Em determinadas situações, um dos olhos pode ser retirado.

Quimioterapia sistêmica pode também ser aplicada, independente do caso, visando tratar possíveis ramificações da condição.

A presença do retinoblastoma também indica maior propensão para o desenvolvimento de outros tipos de câncer ao longo da vida. Por isso, recomenda-se manter acompanhamento médico geral como forma de identificar esses tumores precocemente também.

Miopia e hipermetropia

O teste do olhinho é capaz de identificar casos severos de miopia e hipermetropia, embora não seja necessariamente tão útil para identificar os casos mais leves.

Miopia consiste na dificuldade de enxergar e identificar objetos e figuras posicionados a longas distâncias. Tende a dificultar a leitura da lousa na escola, a prática de esportes e também a identificação de pessoas a longas distâncias. Consiste na presença de um globo ocular mais alongado, ao invés de ser esférico.

A hipermetropia, por outro lado, é a dificuldade de enxergar objetos e figuras próximos. Tende a dificultar a leitura e a escrita, o uso de dispositivos eletrônicos e a identificação de rostos. É reflexo de um globo ocular mais curto que o ideal.

A curto prazo, ambas condições geralmente conseguem ser compensadas pelo uso de óculos ou lentes de contato, a depender do grau. Elas tendem a evoluir com o tempo, o que geralmente leva a uma melhoria da visão.

O uso das lentes e óculos não influencia na evolução dos sintomas, sendo utilizados apenas para prover maior qualidade de vida. Sem isso, é possível, além das dificuldades de visão, desenvolver problemas como dores crônicas de cabeça, devido ao maior esforço necessário para identificar as formas vistas.

Glaucoma

O glaucoma é uma condição resultante do aumento da pressão intraocular, resultado de uma dificuldade de drenagem do vítreo. O aumento da pressão afeta principalmente o nervo ótico, nervo responsável por transmitir as informações da retina ao cérebro. O nervo ótico acaba sendo danificado por esse aumento da pressão, causando problemas de visão e até cegueira.

O glaucoma é mais comum em pessoas idosas, diabéticas, ou que sofreram algum tipo de traumatismo ocular. Porém, em casos raros, pode estar presente em crianças também, caso em que é conhecido como glaucoma infantil ou glaucoma congênito.

O glaucoma não tem cura, sendo uma condição crônica. Tem, porém, tratamento, que contribui para manter a saúde da visão e evitar graves danos ao nervo ótico. O tratamento normalmente consiste de uma intervenção cirúrgica inicial, seguida pelo uso de colírios, visando regular a pressão interna do olho.

Cegueira

Caso a criança já nasça com total ou quase total ausência da capacidade visual, em um ou ambos os olhos, comumente não há tratamento capaz de reverter isso. Isso pode ser resultado tanto de condições de origem genética quanto de doenças adquiridas durante a gravidez.

No caso do desenvolvimento da cegueira em ambos os olhos, o objetivo das intervenções subsequentes consistem em maximizar a qualidade de vida da criança fornecendo-a os meios de se adaptar à ausência desse sentido.

Isso implica em obter educação especializada, como o aprendizado do Sistema Braille e do uso de ferramentas e tecnologias de acessibilidade, assim como o aprendizado de outros recursos capazes de proporcionar autonomia durante e após seu desenvolvimento.

Esse tipo de educação especializada se alia à educação comum, conforme a Lei Brasileira de Inclusão, e é voltada também a crianças que apresentem cegueira adquirida, decorrente, por exemplo, de complicações resultantes de alguma das outras condições descritas anteriormente.

Leia também: Inclusão digital de cegos

Explore também no Blog da Saúde

  • Oftalmologia
  • Sintomas de A-Z

Fontes úteis

  • MedlinePlus: doenças dos olhos
  • CDC: saúde da visão

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