Hemoglobina positiva na fita de urina significa que o teste detectou
pigmento com atividade semelhante ao sangue. Pode haver hemácias na
urina, hemoglobina livre ou mioglobina muscular. A microscopia mostra se
existem glóbulos vermelhos e orienta a investigação.
Fita positiva não é o
diagnóstico final
A fita reage ao grupo heme. Quando a microscopia encontra hemácias,
fala-se em hematúria. Quando a fita é positiva e há poucas ou nenhuma
hemácia, pensa-se em hemoglobinúria por destruição de glóbulos vermelhos
ou mioglobinúria por lesão muscular.
Traços podem resultar de amostra concentrada, exercício ou
contaminação menstrual. O resultado deve ser confirmado em amostra bem
coletada, sobretudo se não há sintomas. Cor normal da urina não exclui
hematúria microscópica.
Causas comuns quando há
hemácias
Infecção urinária pode causar sangue com ardor, urgência e
leucócitos. Cálculo costuma provocar dor forte no flanco, às vezes com
náusea. Trauma, aumento da próstata, doença renal e tumores do trato
urinário também entram no diagnóstico.
Exercício intenso pode produzir hematúria transitória que desaparece
em repouso. Anticoagulante facilita sangramento, mas não explica
automaticamente a origem; pessoas anticoaguladas ainda precisam de
avaliação quando a hematúria é confirmada.
Quando pensar em mioglobina
Lesão muscular extensa libera mioglobina. Dor muscular intensa,
fraqueza, urina escura e creatinoquinase elevada sugerem rabdomiólise.
Exercício extenuante, convulsão, compressão prolongada, calor, drogas e
alguns medicamentos são causas.
Mioglobina pode lesar os rins, especialmente com desidratação.
Redução do volume de urina, fraqueza importante e urina cor de chá
depois de esforço ou trauma justificam avaliação urgente e dosagem de
função renal e eletrólitos.
Hemoglobina livre no sangue
Hemólise intravascular rompe hemácias na circulação e libera
hemoglobina, que pode chegar à urina. Anemia, icterícia, cansaço, falta
de ar e alterações em exames como haptoglobina, bilirrubina e lactato
desidrogenase ajudam a reconhecer.
É menos comum que hematúria. O diagnóstico exige hemograma e
marcadores de hemólise, não apenas repetir a urina. Algumas reações
transfusionais e doenças hematológicas podem evoluir rapidamente.
Como é feita a confirmação
Um exame de urina com microscopia quantifica hemácias e observa
formato, cilindros, proteína, leucócitos e cristais. Hemácias
deformadas, cilindros e proteinúria podem apontar para origem glomerular
nos rins. Hemácias com padrão preservado favorecem trato urinário,
embora a divisão não seja absoluta.
Creatinina, pressão arterial e relação proteína/creatinina avaliam
envolvimento renal. Cultura entra quando há sinais de infecção.
Ultrassom, tomografia e cistoscopia são selecionados por idade, risco,
persistência e tipo de sangue.
Menstruação e coleta
Sangue vaginal contamina a amostra e pode produzir fita positiva e
hemácias. Quando não há urgência, repetir fora do sangramento com coleta
de jato médio esclarece. Tampão não é obrigatório e não corrige todos os
casos de contaminação.
Se a urina está visivelmente vermelha, há coágulos ou sintomas
importantes, a avaliação não deve aguardar o fim da menstruação apenas
para repetir. O clínico considera as duas fontes.
Sinais que exigem rapidez
Coágulos com dificuldade para urinar podem bloquear a bexiga. Dor
intensa, febre, palidez, tontura, queda do volume urinário e sangue após
trauma são sinais de urgência. Urina vermelha sem dor também precisa de
investigação, porque ausência de dor não torna a causa benigna.
Uma fita isolada com “traços”, sem sintomas, permite repetir com
técnica adequada. Persistência em duas amostras muda o plano, mesmo que
a quantidade seja pequena.
O que não resolve
Beber litros de água pode clarear a urina, mas não trata cálculo,
infecção, doença renal ou sangramento. Antibiótico só faz sentido quando
há infecção. Suspender anticoagulante sem orientação pode provocar
trombose e não identifica a fonte.
A resolução vem de separar três cenários — hemácias, hemoglobina ou
mioglobina — e tratar a origem. A microscopia é o elo que falta quando o
laudo traz apenas “hemoglobina positiva”.
Proteína junto muda a
investigação
Hemoglobina positiva com proteinúria relevante, pressão alta, edema e
hemácias dismórficas sugere origem glomerular. Nefrologia pode solicitar
relação albumina/creatinina, complemento e testes imunológicos conforme
padrão. Urina de infecção também pode ter proteína pequena e
transitória, por isso a intensidade e a persistência importam.
Quando o sangue é visível e há coágulos, a origem costuma estar
depois dos glomérulos, porque coágulos não se formam facilmente no
filtrado glomerular. Essa pista não substitui imagem e cistoscopia
quando indicadas.
Vitamina C e falso resultado
Altas concentrações de vitamina C podem interferir em algumas fitas e
produzir falso negativo para sangue, glicose e nitrito. Produtos
oxidantes podem gerar falso positivo. Isso explica por que a microscopia
e uma nova amostra são importantes diante de discordância. Informar
suplementos e não adicionar nenhuma substância ao frasco preserva a
qualidade analítica.
Em crianças, febre, edema e urina cor de coca-cola após infecção de
garganta levantam doença glomerular. Em adultos, o mesmo aspecto após
exercício extremo favorece mioglobina. Contexto continua sendo parte do
exame.
Dor em cólica pede comparação com pedra
no rim de 4 mm, enquanto leucócitos e crescimento misto são
interpretados no artigo sobre flora bacteriana na urina.
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Referências
- MedlinePlus. Blood in urine. https://medlineplus.gov/lab-tests/blood-in-urine/
- American Urological Association. Microhematuria guideline. https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/microhematuria


