Pressão intraocular alta geralmente não causa dor, peso no olho nem
percepção de “pressão”. Ela é descoberta na tonometria. Uma elevação
súbita e intensa pode causar dor ocular forte, olho vermelho, visão
embaçada, halos, náusea e vômitos — um padrão que exige atendimento
imediato.
O que é pressão intraocular
O humor aquoso é produzido dentro do olho e escoa por estruturas no
ângulo entre íris e córnea. A pressão depende do equilíbrio entre
produção e drenagem. Ela não é a mesma pressão do sangue e não pode ser
estimada apertando a pálpebra.
O valor é expresso em milímetros de mercúrio. A faixa estatística
ajuda, mas não separa perfeitamente olhos seguros de olhos em risco.
Algumas pessoas desenvolvem dano do nervo óptico com medidas
consideradas normais, enquanto outras mantêm pressão acima da média sem
dano detectável por anos.
Hipertensão
ocular não é sinônimo de glaucoma
Hipertensão ocular descreve pressão elevada sem alterações
glaucomatosas identificadas no nervo ou campo visual. Glaucoma é uma
neuropatia óptica progressiva. A pressão é o principal fator
modificável, mas o diagnóstico depende do conjunto.
Espessura da córnea influencia a tonometria, assim como técnica,
horário e alguns procedimentos prévios. Córnea mais espessa pode
produzir leitura artificialmente alta; mais fina pode subestimar. Por
isso, paquimetria e repetição de medidas ajudam a estimar risco.
Por que quase
nunca há sintomas no glaucoma comum
O glaucoma de ângulo aberto costuma avançar lentamente e começar na
visão periférica. O outro olho compensa parte da perda, e o cérebro
preenche falhas. Dor e vermelhidão não são esperadas. Quando a pessoa
percebe dificuldade para enxergar pelos lados, o dano pode estar
avançado.
Esse silêncio torna o exame importante em pessoas com fatores de
risco: idade, histórico familiar, ancestralidade africana, pressão
elevada, córnea fina, miopia alta, uso prolongado de corticoide e
algumas doenças oculares. Ausência de sintomas não substitui
avaliação.
Quando a pressão alta dói
No fechamento agudo do ângulo, a drenagem é bloqueada de forma súbita
e a pressão sobe rapidamente. O quadro costuma combinar dor intensa em
um olho, cefaleia, vermelho, visão borrada, halos coloridos e náusea. A
pupila pode ficar pouco reativa.
É uma urgência porque horas de pressão muito alta podem lesar o
nervo. Não se deve esperar dormir ou usar colírio para “olho vermelho”.
Medicamentos específicos reduzem a pressão e, depois, laser ou cirurgia
podem criar uma via de circulação conforme o mecanismo.
Como a pressão é medida
Na tonometria de aplanação, uma pequena ponta encosta na córnea
anestesiada e mede a força necessária para achatá-la. Tonômetros de
sopro são úteis em triagem, mas uma leitura alterada pode ser confirmada
por método de contato. Piscar forte, prender a respiração e apertar as
pálpebras interferem.
Uma medida isolada não mostra variação diária. Quando há discordância
entre pressão, nervo e campo visual, podem ser feitas medidas em
horários diferentes. O exame completo inclui avaliação do nervo óptico,
fotografia ou tomografia de coerência óptica e campo visual.
O que o tratamento procura
alcançar
O objetivo é reduzir o risco de progressão. Colírios diminuem
produção do humor aquoso ou aumentam drenagem. Laser pode melhorar o
escoamento, e cirurgias criam novas vias quando outras estratégias não
controlam a pressão. O número-alvo é individual, baseado no estágio e na
velocidade de mudança.
Pingos que escorrem para a pele e interrupções frequentes reduzem a
eficácia. Alguns colírios alteram frequência cardíaca, respiração, cor
da íris ou superfície ocular, de modo que doenças e efeitos adversos
precisam ser discutidos. Trocar o medicamento costuma ser melhor que
simplesmente abandonar.
Corticoide pode elevar a
pressão
Colírio, pomada ao redor dos olhos, inalação, comprimidos e injeções
de corticoide podem aumentar a pressão em pessoas suscetíveis. O efeito
varia com dose, via e duração. Corticoide oftálmico após cirurgia requer
acompanhamento justamente por esse motivo.
Suspensão abrupta não é apropriada para todas as vias. O prescritor
deve coordenar redução ou alternativa. O antecedente de resposta ao
corticoide também é relevante em tratamentos futuros.
Quando procurar atendimento
Dor intensa, vermelho súbito, halos, náusea e queda visual justificam
emergência oftalmológica. Fora desse cenário, uma tonometria alta pede
confirmação e estratificação, não pânico. A pergunta mais útil não é
apenas “quanto deu?”, mas se há dano, qual a espessura da córnea, quais
fatores de risco existem e qual será o acompanhamento.
Dor de cabeça indica
pressão ocular?
Na maioria das vezes, não. Cefaleia tensional, enxaqueca, sinusite e
esforço visual são muito mais comuns que uma crise de pressão ocular. A
dor do fechamento agudo costuma ser intensa, unilateral e acompanhada de
olho vermelho, baixa visual, halos e sintomas digestivos. Pressão
discretamente elevada encontrada em consulta geralmente não explica
cefaleia crônica. Medir a pressão é útil quando há indicação
oftalmológica, mas repetir colírios ou tonometria a cada episódio de dor
sem avaliar o padrão da cefaleia pode desviar da causa real.
Uma pupila alterada durante crise deve ser comparada ao comportamento
descrito em pupila
dilatada; visão borrada crônica, por outro lado, pode vir de miopia e
astigmatismo.
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Referências
- American Academy of Ophthalmology. Glaucoma patient guide. https://store.aao.org/media/resources/051189/051189-glaucoma-rf1.pdf
- National Eye Institute. Glaucoma. https://www.nei.nih.gov/learn-about-eye-health/eye-conditions-and-diseases/glaucoma


