Mudança no comprimento dos fios, sensação da parte rígida do DIU, cólica nova ou sangramento diferente podem indicar que ele saiu do lugar. Esses sinais levantam suspeita, mas não confirmam a posição: o exame ginecológico e, quando necessário, o ultrassom esclarecem onde o dispositivo está. Também é possível haver deslocamento sem sintomas.
Se você não encontra os fios que antes conseguia sentir, sente o plástico do dispositivo ou percebeu sua saída, use preservativo ou evite relações com risco de gravidez até a avaliação. Se houve relação sem preservativo recentemente, procure orientação no mesmo dia sobre contracepção de emergência; esperar a próxima menstruação pode fazer perder a oportunidade de prevenção.
Quais mudanças merecem atenção
Os fios são prolongamentos finos que passam pelo colo do útero. O corpo do DIU fica dentro do útero e não deve ser palpável na vagina. Fios nitidamente mais compridos podem acompanhar a descida do dispositivo; fios mais curtos ou que desapareceram podem ter se recolhido para o canal do colo ou para o útero. Por isso, não encontrar o fio não significa automaticamente expulsão.
Sentir uma parte dura, diferente dos fios, no colo ou na vagina é uma suspeita mais importante de expulsão parcial. Nessa situação, não tente empurrar o DIU de volta nem puxá-lo. A decisão sobre retirada e substituição exige confirmar sua localização e avaliar a possibilidade de gravidez.
Outra razão para checagem é o aparecimento de dor pélvica persistente, dor durante a relação ou uma mudança marcante no sangramento depois de um período de adaptação estável. Esses sintomas também podem ter outras causas, como infecção ou alterações uterinas; não permitem concluir, isoladamente, que o DIU se deslocou.
Cólicas e escapes depois da colocação significam deslocamento?
Não necessariamente. Cólicas semelhantes às menstruais e pequeno sangramento podem ocorrer nos primeiros dias. O DIU de cobre pode aumentar o fluxo e as cólicas, enquanto o hormonal costuma provocar escapes no início e, com o tempo, reduzir a menstruação. Esse padrão esperado precisa ser distinguido de dor forte, progressiva ou acompanhada de febre.
A intensidade e a evolução importam mais do que a simples presença de uma cólica. Um desconforto que melhora é diferente de dor que impede as atividades ou piora após ter melhorado. Da mesma forma, ausência de dor não comprova posição normal. Para outras causas possíveis de dor nessa região, veja a explicação sobre cólica fora da menstruação.
A checagem dos fios tem limites
Se essa verificação foi ensinada na colocação, a palpação delicada, com as mãos limpas, ajuda a reconhecer mudanças em relação ao seu padrão. Ela não é um teste doméstico capaz de medir a posição exata do DIU dentro do útero. Sentir os fios não exclui todos os tipos de mau posicionamento.
Também não é necessário insistir quando o colo é difícil de alcançar ou a tentativa causa dor. Não use objetos, não puxe os fios e não tente ajustar o dispositivo. A avaliação deve ser antecipada quando há dúvida persistente, mesmo que você não consiga fazer a checagem sozinha.
Como a posição é confirmada
Na consulta, o exame com espéculo permite procurar os fios e identificar um DIU que tenha descido para o canal cervical. A história de relações recentes, do padrão menstrual e dos sintomas ajuda a decidir sobre teste de gravidez e contracepção de emergência.
Quando os fios não são vistos ou há suspeita de posição inadequada, o ultrassom localiza o dispositivo. Se ele não aparece dentro do útero e sua expulsão não foi comprovada, pode ser necessário outro exame de imagem para excluir perfuração e localização fora da cavidade. A ausência no ultrassom, portanto, não autoriza presumir que ele simplesmente caiu.
O tratamento depende do achado: fios recolhidos com DIU bem posicionado não equivalem a falha do método. Já a expulsão parcial costuma exigir retirada e discussão de nova contracepção. A decisão sobre um dispositivo baixo, mas ainda inteiramente dentro do útero, considera o tipo de DIU, a localização e os sintomas; não é seguro estimar sua proteção pelo comprimento do fio.
Quando procurar atendimento urgente
Dor pélvica forte ou crescente, febre, corrimento com odor desagradável e sangramento intenso justificam atendimento rápido. Teste de gravidez positivo durante uso do DIU também precisa de avaliação, pois é necessário confirmar onde a gestação está localizada.
Dor intensa de um lado da barriga acompanhada de desmaio, tontura importante ou dor no ombro pode ocorrer em uma gravidez ectópica com sangramento. Nessa combinação, procure emergência. O DIU torna a gravidez pouco frequente, mas não elimina a necessidade de investigar esses sinais.
Referências
- NHS Barnsley — investigação de DIU com fios não encontrados.
- NHS — colocação do DIU e orientação quando os fios não são encontrados.
- NHS Highland — investigação de fios não visíveis e suspeita de perfuração.
- NHS Scotland — orientação após inserção de DIU de cobre.
- CDC — recomendações sobre contracepção intrauterina.
- NHS — sintomas de gravidez ectópica.
