Mapa clínico: videogame pode treinar habilidades, mas não substitui sono, escola e convivência
Em resumo: estudos sobre videogames e inteligência precisam ser lidos com cuidado: associação não prova que jogar melhora o cérebro de toda criança. O mais útil para a família é avaliar tempo total de tela, tipo de jogo, sono, atividade física, escola, humor e se o uso virou fuga ou conflito diário.
| Pergunta | Por que importa | Como ajustar |
|---|---|---|
| O jogo é adequado para a idade? | Conteúdo, violência e interação online mudam risco. | Usar classificação indicativa e supervisão. |
| Sono e escola estão preservados? | Privação de sono prejudica atenção e humor. | Definir horários e telas fora do quarto. |
| Há outras atividades? | Crianças precisam de movimento, leitura e convivência. | Equilibrar tela com rotina real. |
- Observe sono, rendimento escolar, irritabilidade, sedentarismo e conflitos na hora de desligar.
- Prefira jogos adequados para a idade e combine regras claras antes do uso.
- Procure orientação se houver isolamento, agressividade, queda escolar importante, ansiedade intensa ou perda de controle sobre o tempo de tela.
Nota de segurança: usar videogame como estímulo cognitivo não deve substituir avaliação escolar, neuropsicológica ou de saúde mental quando há dificuldade persistente.
Para continuar no tema: Pediatria | Autismo na escola | Brincar e saúde mental | Atividade física e saúde mental
Embora os pais ainda acreditem que os videogames prejudicam a mente de uma criança, um novo estudo mostra que na verdade é o oposto que acontece: jogar pode levar as crianças a obter um impulso cerebral.
A pesquisa aponta que crianças norte-americanas, entre 9 e 10 anos, que passaram mais tempo jogando videogame experimentaram um aumento significativo em suas pontuações de inteligência quando foram testadas novamente dois anos depois.
Os resultados identificam um valor de 2,5 pontos extras de QI, acima da média das crianças que não jogaram videogames.
“As crianças que jogaram mais videogames foram as que tiveram mais ganhos de inteligência após dois anos”, concluíram os pesquisadores em seu artigo, publicado recentemente na revista Scientific Reports . “Isso evidencia um efeito causal benéfico dos videogames na cognição infantil”.
Outras práticas diante da tela, como assistir a vídeos ou conversar nas mídias sociais, não obtiveram um efeito positivo nem negativo na inteligência das crianças estudadas. Um elemento curioso é que esse estudo não recebeu financiamento da indústria de videogames.
Pontuações mais altas
Para este estudo, o professor de neurociência cognitiva do Instituto Karolinska em Estocolmo, Torkel Klingberg e seus colegas analisaram dados de mais de 9.000 meninos e meninas que participaram de uma pesquisa de longo prazo financiada pelos EUA sobre o desenvolvimento cerebral e a saúde infantil .
Com idades entre 9 e 10 anos, as crianças foram submetidas a uma bateria de testes psicológicos para avaliar o poder geral do cérebro. Eles também foram questionados sobre quanto tempo passavam assistindo TV e vídeos, jogando videogame e se envolvendo com as mídias sociais.Em média, as crianças passavam 2,5 horas por dia assistindo TV, meia hora nas mídias sociais e uma hora jogando videogame.
Dois anos depois, um grupo de pouco mais de 5.000 crianças voltaram para repetir os testes psicológicos e os pesquisadores puderem observar como a sua inteligência havia mudado. Os resultados mostraram que as crianças que jogavam mais do que a média de uma hora de videogame por dia obteve pontuações de inteligência mais altas do que as crianças que passavam menos tempo jogando.
Esse aumento permaneceu significativo mesmo depois que os pesquisadores levaram em conta outros fatores, como diferenças na renda familiar e educação dos pais.

Ativo vs. passivo
Os videogames podem tornar as crianças mais inteligentes ao fazê-las pensar, fornecendo ambientes “enriquecidos” que exigem que elas lidem com tarefas que podem não encontrar no dia-a-dia. “Jogar videogames geralmente requer estratégias, planejamento e tomada de decisões executivas ativas”, disse o Dr. Anish Dube, membro do Conselho da Associação Americana de Psiquiatria. Crianças, Adolescentes e suas Famílias e que não fez parte do estudo.
Quanto mais alguém pratica ou joga videogames, mais reforça os caminhos neurais envolvidos na realização dos objetivos do jogo – esses mesmos caminhos neurais podem estar envolvidos em outros tipos de tomada de decisão no mundo real e acabam se manifestando na medição dos índices de inteligência.
Da mesma forma, assistir TV e engajamento nas mídias sociais são formas mais passivas de tempo de tela que não exigem tanto trabalho cerebral.
O Dr. Damon Korb disse que o estudo foi concebido para analisar apenas os potenciais benefícios positivos relacionados com a inteligência. Não considerou os possíveis efeitos negativos para a saúde que estão correlacionados aos jogos de vídeogame e que já foram encontrados em outras investigações: aumento no risco de depressão e ansiedade entre os jogadores; um entrave para que no futuro o jovem venha a assumir as responsabilidades da idade adulta; bem como males físicos como a obesidade.
Em um comunicado à imprensa Klingberg registrou os limites das descobertas do estudo, mirando que novas pesquisas possam trazer outros dados relevantes sobre a prática de jogar videogames: “Nós não examinamos os efeitos do comportamento da tela na atividade física, no sono, no bem-estar ou no desempenho escolar, então ainda não podemos dizer nada sobre isso”, disse o pesquisador.
Ainda assim é possível afirmar que o tempo de tela geralmente não prejudica as habilidades cognitivas das crianças e que jogar videogame pode realmente ajudar a aumentar a inteligência.
A pesquisa corrobora as descobertas de outros estudos sobre a prática de jogos de videogame. Os autores do estudo não comparam os jogos com coisas como jogar xadrez ou aulas de piano ou ténis de mesa, que também possuem estudos indicando também benefício cognitivo positivo.
Confira o Estudo: https://www.nature.com/articles/s41598-022-11341-2
O que o estudo permite concluir
A leitura mais segura é que o estudo encontrou uma associação favorável entre mais tempo de videogame e maior ganho em testes de inteligência ao longo de dois anos, em uma amostra de crianças dos Estados Unidos. Isso é interessante porque os pesquisadores tentaram controlar diferenças genéticas e socioeconômicas, mas ainda não significa que qualquer jogo, em qualquer quantidade, seja benéfico para toda criança.
| Ponto avaliado | Leitura prática |
|---|---|
| Tipo de tela | Jogos foram diferentes de vídeos e redes sociais, provavelmente por exigirem decisão ativa. |
| Desfecho medido | O foco foi cognição, não saúde mental, sono, notas escolares ou atividade física. |
| Aplicação em casa | O estudo ajuda a reduzir alarmismo, mas não substitui regras familiares e observação individual. |
Como transformar a notícia em orientação equilibrada
- Observe se o jogo está roubando sono, estudo, convivência, alimentação ou movimento.
- Prefira jogos adequados à idade e converse sobre conteúdo, compras internas e comportamento online.
- Combine horários antes do conflito: regras claras funcionam melhor do que negociações no meio da partida.
- Valorize pausas, brincadeiras fora da tela, esporte, leitura e sono regular.
Contexto importante: videogame pode ser uma atividade cognitivamente estimulante, mas não deve ser usado como argumento para liberar tempo de tela ilimitado.
Para famílias, a pergunta mais útil não é apenas “quantas horas?”, mas “o que esse tempo está substituindo?”. Um período de jogo depois das tarefas, com sono preservado e bom convívio, tem peso diferente de jogar até tarde, brigar para desligar, abandonar atividades físicas ou gastar dinheiro escondido. Essa diferença ajuda a transformar a notícia em decisão doméstica mais justa.
Fontes úteis
Atualizado em 15/05/2026 para separar achado científico de recomendação prática. Fontes consultadas: estudo em Scientific Reports, coorte ABCD Study e orientações da American Academy of Pediatrics.
Fontes de apoio: AAP: media and children | HealthyChildren: media use









































