Resposta direta: avisos em maços de cigarro não são apenas peças de comunicação: eles tentam tornar visível um risco que a rotina costuma normalizar. Se a pessoa esconde o maço, isso pode indicar desconforto com a advertência, mas não significa automaticamente que parou de fumar ou que recebeu apoio suficiente para parar.

Um estudo com fumantes norte-americanos revela que aqueles que receberam maços com avisos de advertência tenderam a escondê-los com uma frequência 38% maior. No entanto, os fumantes pararam de esconder seus cigarros quando voltaram aos maços normais sem os rótulos gráficos.
A pesquisa foi realizada por um grupo multi-institucional de especialistas em saúde pública liderados pela Universidade da Califórnia em San Diego.
“Em um ensaio clínico randomizado, demonstramos que os fumantes nos EUA que receberam cigarros em maços com advertências gráficas estavam menos dispostos a exibir os maços em público. Foi levantada a hipótese de que esse comportamento poderia reduzir a percepção dos adolescentes de que é socialmente aceitável fumar, talvez explicando por que os pacotes obrigatórios de advertência gráfica estão associados a reduções no tabagismo entre adolescentes”, explica John P. Pierce, um dos autores do estudo e professor da Hebert Wertheim School of Public Health and Human Longevity Science da University of California San Diego.
Como o estudo foi feito
O desenho randomizado ajuda a comparar grupos expostos a embalagens diferentes, reduzindo parte do viés de escolha. Ainda assim, o estudo avaliou principalmente comportamento diante do maço e não foi desenhado para medir, sozinho, abandono definitivo do tabagismo.
Em um artigo publicado na edição on-line de 2 de junho de 2022 do JAMA Network Open , Pierce e colegas do UC San Diego Moores Cancer Center, da California State University San Marcos e do San Diego County Public Health Services fabricaram maços de cigarros especiais que incorporaram imagens gráficas de um pé doente, recém-nascido com tubo respiratório ou câncer de garganta em maços de cigarro na Austrália (sob licença do governo australiano).
Os participantes do estudo incluíram 357 fumantes que moravam em San Diego que concordaram em comprar sua marca preferida de cigarros em um site do estudo. Os participantes foram então sorteados para receber seus cigarros em um dos três designs de maço: um maço com uma etiqueta de advertência gráfica, um maço em branco ou um maço padrão disponível comercialmente nos EUA. Aproximadamente 19.000 pacotes foram entregues aos participantes.

Etiquetas gráficas de advertência são usadas em maços de cigarros em mais de 120 países. Apesar de ter sido regulamentada pelo Congresso dos Estados Unidos em 2009, a implementação de rótulos de advertência gráfica foi suspensa por enfrentamentos legais da indústria do tabaco.
Antes do estudo, descobrimos que muitos fumantes nos EUA eram discretos e relataram esconder seus maços habituais em locais públicos. Os maços com etiquetas de advertência gráficas tiveram seu principal efeito naqueles que eram menos propensos a esconder seus maços antes do estudo”, explica David R. Strong, autor do estudo e professor da Escola de Saúde Pública Herbert Wertheim.
Ao longo de um ano não foi encontrada nenhuma evidência de que os maços de advertência gráficos mudaram o hábito dos fumantes. Os indivíduos continuaram a fumar com a mesma frequência que antes e depois do estudo.
Durante o estudo, os participantes foram questionados, por meio de mensagens de texto interativas, se nas quatro horas anteriores eles colocaram seus maços onde outras pessoas não os veriam. Mudanças no consumo e tabagismo foram avaliadas no final da intervenção de três meses e no final do estudo de 12 meses.
Os participantes que receberam cigarros em um maço padrão dos EUA, ou em um maço em branco sem marketing, não mudaram o comportamento de esconder o maço. Fumantes randomizados para o braço da etiqueta de advertência gráfica relataram que aumentaram a ocultação da embalagem nas primeiras quatro semanas da intervenção e continuaram no novo nível até o final da intervenção. Depois que eles pararam de receber os pacotes rotulados com avisos gráficos, eles rapidamente voltaram aos níveis de ocultação de pacotes básicos.
Quando as reações sociais foram questionadas no final do estudo, o grupo com embalagens de advertência gráfica relatou que os observadores tiveram reações aversivas aos maços de cigarros, enquanto aqueles no grupo do maço em branco relataram que os observadores expressaram um interesse positivo no estudo, disseram os autores.
Como interpretar o resultado sem exagero
A leitura equilibrada é que advertências gráficas podem alterar percepção, exposição social e conversa pública sobre risco. Isso é diferente de afirmar que todos os fumantes pararão por causa do rótulo. Dependência de nicotina é um problema comportamental e fisiológico; por isso, políticas de embalagem fazem mais sentido quando caminham junto com acesso a tratamento, aconselhamento e ambientes que reduzem estímulos para fumar.
Confira o estudo: 10.1001/jamanetworkopen.2022.14242
O que o estudo realmente sugere
O achado principal é comportamental: maços com imagens de advertência ficaram menos “exibíveis” para alguns fumantes. Isso pode reduzir normalização social do cigarro, mas não prova que a advertência sozinha trate dependência de nicotina ou substitua um plano para parar.
Também é importante separar desconforto de mudança sustentada. A pessoa pode esconder o maço por incômodo, vergonha ou tentativa de evitar a imagem e, ainda assim, continuar fumando na mesma frequência. Esse limite não torna a advertência inútil; mostra que informação de risco e tratamento da dependência são etapas diferentes.
| Achado | Leitura prática |
|---|---|
| Esconder o maço | A advertência chama atenção ou gera evitação. |
| Consumo sem mudança no estudo | Dependência de nicotina raramente muda só por alerta visual. |
| Volta ao maço comum | Ao remover o estímulo, o comportamento pode voltar ao padrão. |
| Reação social negativa | Pode reduzir a ideia de que fumar é neutro ou socialmente desejável. |
Por que informação não basta para nicotina
Parar de fumar costuma envolver fissura, irritabilidade, ansiedade, alteração de sono, ganho de apetite, rotina social e gatilhos automáticos. Por isso, campanhas visuais ajudam a lembrar risco, mas muitas pessoas precisam de aconselhamento, acompanhamento e medicamentos aprovados para cessação quando indicados.
Reposição de nicotina, vareniclina e bupropiona são exemplos de recursos usados em cessação do tabagismo em adultos, conforme avaliação de risco, contraindicações e preferência do paciente. A decisão deve considerar gravidez, doença cardiovascular recente, histórico psiquiátrico, outros remédios e tentativas anteriores.
Como decidir o próximo passo para parar
Uma advertência só vira cuidado quando aponta para uma ação específica. Para algumas pessoas, o próximo passo é escolher uma data para parar. Para outras, é reduzir exposição a gatilhos, conversar sobre medicamentos ou entender por que as tentativas anteriores terminaram em recaída.
- Mapeie horários de risco: primeiro cigarro do dia, café, álcool, direção, pausas no trabalho, estresse e convivência com outros fumantes.
- Defina uma estratégia: data para parar ou redução planejada, remoção de cinzeiros, combinação com familiares e plano para fissuras de 5 a 10 minutos.
- Combine apoio e tratamento: tentativas repetidas com recaída rápida justificam conversar sobre aconselhamento, reposição de nicotina ou medicamentos.
- Não leia recaída como fracasso definitivo: ela mostra quais gatilhos ainda não foram cobertos pelo plano.
Quando procurar ajuda para parar
Procure apoio com mais prioridade se você fuma logo ao acordar, já tentou parar várias vezes, tem falta de ar, chiado, dor no peito, doença cardíaca, DPOC, gravidez, uso importante de álcool ou ansiedade/depressão que piora nas tentativas. Nesses contextos, parar continua sendo possível, mas o plano precisa ser mais estruturado.
Se houver dor no peito intensa, falta de ar importante, desmaio, confusão, tosse com sangue ou piora rápida do estado geral, a questão deixa de ser apenas cessação programada e passa a exigir atendimento imediato.
Fontes úteis
Atualizado em 05/06/2026 para melhorar clareza, fontes e orientação prática. As fontes abaixo foram usadas para conferir os pontos factuais da atualização.









































