Sim, é possível fazer exame de sangue menstruada; a menstruação não impede a coleta da maioria dos exames. A principal ressalva são as dosagens hormonais que precisam ser colhidas em uma fase específica do ciclo, conforme a pergunta que o exame pretende responder.
Não há um número universal de dias a esperar depois que o fluxo termina. Um hemograma solicitado para investigar sangramento tem uma finalidade diferente de FSH e estradiol pedidos para avaliação reprodutiva, ou de progesterona para verificar se houve ovulação.
Hemograma e ferritina podem ser colhidos durante o fluxo?
Podem. O hemograma mede, entre outros componentes, a hemoglobina e as características das células vermelhas do sangue. Se há sangramento intenso, cansaço, palidez ou falta de ar, adiar a coleta apenas porque a pessoa está menstruando pode atrasar a identificação de anemia. A diretriz NICE recomenda hemograma na investigação de fluxo menstrual intenso, em paralelo ao cuidado do sangramento.
Um resultado baixo não deve ser automaticamente descartado como uma alteração sem importância “porque estava menstruada”. A perda de sangue pode ser justamente o problema a investigar. O resultado precisa ser relacionado à duração do fluxo, à quantidade perdida e a exames anteriores.
A ferritina ajuda a estimar as reservas de ferro. Quando está baixa, pode indicar que o estoque já diminuiu, inclusive antes de aparecer anemia no hemograma. Ela também pode subir por inflamação e outras doenças; portanto, um valor dentro da referência não responde sozinho a todas as suspeitas de deficiência de ferro. A indicação de dosá-la não é automática para qualquer menstruação, mas, quando solicitada, estar menstruada não torna o exame inútil.
Quais hormônios dependem do dia do ciclo?
FSH e estradiol variam ao longo do ciclo. Na avaliação da reserva ovariana, a ASRM orienta medir os valores basais juntos entre o segundo e o quarto dia do ciclo. Nesse caso, a coleta durante a menstruação pode ser exatamente o que foi planejado.
A progesterona usada para investigar ovulação segue outra lógica: em geral é medida aproximadamente uma semana antes da próxima menstruação esperada. O conhecido “dia 21” corresponde apenas a determinados ciclos; não é uma data correta para todas as mulheres. Colher no começo da menstruação e encontrar progesterona baixa não demonstra, por si só, que não houve ovulação no ciclo anterior.
O hormônio antimülleriano pode ser dosado em qualquer fase do ciclo em avaliações específicas. Ainda assim, ele não é um teste isolado que diga se a pessoa conseguirá ou não engravidar. Uso de anticoncepcionais, ciclos irregulares e o motivo da investigação precisam constar na interpretação.
Como organizar a coleta sem remarcar todos os exames
Informe a data em que começou o sangramento e quais hormônios ou anticoncepcionais utiliza. Se o pedido especificar um dia do ciclo, confirme se o serviço conta o primeiro dia de fluxo menstrual e como proceder quando existem apenas escapes. Se não houver orientação e o pedido contiver hormônios reprodutivos, esclareça a programação antes da coleta.
Glicose, colesterol e outros exames seguem seus próprios requisitos de preparo. A menstruação não cria uma exigência adicional de jejum. Mantenha as instruções do laboratório para o conjunto solicitado e não suspenda medicamentos por conta própria para tentar produzir um resultado “mais limpo”.
Também é importante separar exame de sangue de exame de urina: o sangue menstrual pode contaminar uma amostra de urina e mudar sua leitura. Isso não se aplica da mesma forma ao sangue retirado de uma veia. Se os dois foram pedidos juntos, o laboratório pode orientar coletas em condições diferentes.
Sangramento acompanhado de desmaio, falta de ar importante, dor no peito ou fraqueza acentuada exige atendimento, sem esperar o dia ideal de uma coleta eletiva.