A sonda urinária deve permanecer apenas enquanto houver necessidade de drenar a bexiga; esse período pode ser de horas ou dias, ou se prolongar quando existe uma obstrução ou dificuldade persistente de esvaziamento. O tempo total de tratamento e o prazo de troca de cada sonda são decisões diferentes.
Uma pessoa pode precisar de drenagem por meses e, durante esse tempo, utilizar sondas substituídas conforme o material, as instruções do fabricante e a evolução clínica. Isso não significa que qualquer sonda possa ficar meses sem acompanhamento.
Qual tipo de sonda está sendo usado?
A sonda de alívio ou de cateterismo intermitente é inserida para esvaziar a bexiga e retirada após a drenagem. Quando há necessidade contínua desse cuidado, o procedimento é repetido em horários definidos no plano de tratamento; a sonda não fica permanentemente instalada.
A sonda de demora, frequentemente chamada Foley, permanece na bexiga, mantida por um pequeno balão e conectada a um sistema de drenagem. Pode entrar pela uretra ou, em determinadas situações, por um trajeto no abdome, chamado acesso suprapúbico.
Esses dispositivos não são o cateter duplo J: o duplo J fica entre o rim e a bexiga e tem indicação, sintomas e programação de retirada próprios. Confundir os nomes pode levar a aplicar o prazo de um dispositivo ao outro.
Depois de cirurgia ou retenção urinária
Quando uma sonda foi colocada apenas para uma necessidade passageira de cirurgia, a retirada deve ocorrer assim que essa necessidade termina. A recomendação do CDC favorece remoção precoce no pós-operatório, frequentemente nas primeiras 24 horas quando não há motivo para mantê-la. Cirurgias de reconstrução urinária e outras indicações específicas exigem planos diferentes.
Na retenção urinária, em que a bexiga não esvazia, a sonda alivia o acúmulo, mas não resolve necessariamente a causa. Aumento da próstata, estreitamento da uretra, efeitos de medicamentos ou alterações neurológicas podem exigir tratamento e uma tentativa programada de retirada.
O teste sem sonda verifica se a pessoa voltou a urinar e se resta um volume importante na bexiga. Sentir vontade ou eliminar um pouco de urina não comprova esvaziamento suficiente. Se a dificuldade persiste, é preciso definir a forma de drenagem e tratar a causa, sem deixar a sonda como uma medida sem data de revisão.
De quanto em quanto tempo precisa trocar?
Não existe um prazo único para todas as sondas. O protocolo da Anvisa orienta considerar as instruções do fabricante e o material do cateter. Já o CDC desaconselha trocas em intervalos fixos arbitrários apenas para prevenir infecção; obstrução, infecção e quebra do sistema fechado podem exigir substituição.
Essas orientações se complementam: é preciso respeitar o limite do produto e o plano clínico, mas antecipar a avaliação se surgir um problema. Uma data prevista de troca não autoriza manter uma sonda obstruída, e a ausência de sintomas não permite ultrapassar indefinidamente o prazo estabelecido.
Na alta, devem ficar definidos o motivo da permanência, quem fará a reavaliação e quando haverá tentativa de retirada ou troca. Não puxe a sonda nem tente esvaziar o balão por conta própria; a retirada inadequada pode lesar a uretra.
Como reduzir problemas durante a permanência
Mantenha o tubo sem dobras e a bolsa abaixo do nível da bexiga, sem apoiá-la no chão. Evite desconectar o circuito desnecessariamente. A higiene habitual da região e a fixação que evita tração ajudam a preservar o sistema e a pele.
Urina turva ou com odor diferente não comprova infecção que precise de antibiótico. Bactérias podem colonizar o trato urinário durante o uso prolongado. A decisão de tratar considera sintomas, exame clínico e, quando indicada, cultura colhida adequadamente.
Quando não esperar a próxima troca
Ausência de drenagem acompanhada de dor ou distensão no baixo ventre, febre, calafrios, dor nas costas, confusão nova ou sangue com coágulos exige avaliação rápida. Vazamento ao redor da sonda também pode ocorrer por espasmo ou obstrução: não significa necessariamente que basta colocar uma sonda mais grossa.
É possível verificar se o tubo está dobrado e se a bolsa ficou acima da bexiga, mas persistência do bloqueio não deve ser resolvida com irrigação ou manipulação improvisada. Se a sonda saiu, procure ajuda prontamente. Quando o acesso é suprapúbico, a avaliação é urgente porque o trajeto pode fechar rapidamente.
Referências
- Anvisa — prevenção de infecção urinária associada a cateter e critérios de troca.
- CDC — duração, retirada e manutenção de cateteres urinários.
- NHS — tipos de cateter urinário.
- NHS — obstrução, vazamento e sinais de infecção.
- NICE — bacteriúria e infecção associada ao cateter.
- NIDDK — avaliação do esvaziamento e resíduo urinário.
- Royal Berkshire — perda do cateter suprapúbico e necessidade de atendimento.