Na maioria dos tratamentos feitos em casa, a meia de compressão é
usada durante o dia e retirada para dormir. Há exceções após
procedimentos, em internações ou em planos específicos para trombose e
linfedema; nesses casos, vale a orientação dada para aquela meia,
pressão e condição clínica.
Por que geralmente se
retira à noite
Em pé ou sentado, a gravidade aumenta a pressão nas veias das pernas.
A compressão graduada é maior no tornozelo e diminui em direção à
panturrilha, ajudando o retorno do sangue e controlando edema. Ao
deitar, a diferença de altura em relação ao coração desaparece e essa
necessidade costuma diminuir.
Retirar a meia à noite também permite examinar e higienizar a pele.
Marcas profundas, bolhas, áreas arroxeadas, feridas e irritação podem
passar despercebidas quando o tecido permanece no lugar. A pausa
facilita hidratação da pele, desde que o creme seja absorvido antes de a
meia voltar a ser colocada pela manhã.
Quando o uso noturno
pode ser indicado
Alguns protocolos mantêm compressão por 24 ou 48 horas após cirurgia
de varizes, ablação venosa ou escleroterapia. Certas pessoas internadas
usam meias antitrombo durante períodos prolongados de imobilidade. No
linfedema, peças noturnas específicas podem ser prescritas; elas não são
necessariamente iguais à meia elástica diurna.
Essas situações não autorizam transformar qualquer meia em uso
contínuo. O nível de pressão, o comprimento, a medida do membro e o
estado da circulação arterial fazem diferença. Quando a recomendação
escrita determina uso dia e noite, a retirada costuma ocorrer apenas
para banho, inspeção da pele e troca, conforme o protocolo.
Dormir com a meia faz mal?
Uma noite isolada com uma meia bem ajustada pode não causar dano, mas
desconforto progressivo, dor, dormência, pé frio, palidez ou coloração
azulada sugerem compressão inadequada ou dobra no tecido. A borda
enrolada funciona como uma faixa apertada e pode piorar o inchaço abaixo
dela.
O risco é maior quando há doença arterial periférica, perda de
sensibilidade por neuropatia, pele frágil, deformidade do pé ou medida
incorreta. Meias de alta compressão não devem ser compradas apenas pelo
número de milímetros de mercúrio sem avaliação quando existe suspeita de
circulação arterial reduzida.
Como saber se o tamanho
está adequado
A meia deve ficar firme, sem enrugar e sem formar torniquete na
borda. Calcanhar e dedos precisam estar na posição indicada. Dor não é
sinal de que a compressão “está funcionando”. Pequenas marcas uniformes
podem aparecer, mas sulcos intensos, mudança de cor, dormência e aumento
do edema são anormais.
A medição costuma ser mais precisa pela manhã, quando o inchaço é
menor. Dependendo do modelo, são usados perímetros do tornozelo e da
panturrilha e o comprimento da perna. Ganho ou perda de peso e mudança
importante do edema podem exigir nova medida. O elástico também perde
capacidade com o tempo, de modo que a substituição periódica faz parte
do tratamento.
Rotina de uso durante o dia
Colocar a meia logo após levantar facilita o ajuste antes que a perna
inche. O tecido é distribuído aos poucos, sem puxar apenas pela borda
superior. Luvas emborrachadas ou calçadores próprios reduzem o esforço e
evitam danos ao material.
Durante o dia, dobras devem ser alisadas. A meia não deve ser
cortada, dobrada ou enrolada para “afrouxar”. Ao fim do uso, a pele pode
ser lavada e observada. A lavagem da peça segue a etiqueta; calor direto
e amaciante podem danificar as fibras elásticas.
Situações que pedem
revisão do plano
Dor intensa, pé frio, mudança persistente de cor, nova ferida ou
perda de sensibilidade justificam retirada da meia e avaliação. Falta de
ar, dor no peito ou inchaço súbito e unilateral não são problemas de
ajuste: podem acompanhar tromboembolismo e exigem atendimento
urgente.
Quando o edema piora apesar da meia, é preciso confirmar a causa.
Insuficiência venosa, linfedema, insuficiência cardíaca, doença renal e
medicamentos podem produzir padrões diferentes. A compressão ajuda em
algumas dessas condições, mas não substitui o tratamento da origem.
Resposta prática para cada
cenário
Para varizes e edema venoso estável, a rotina mais comum é colocar
pela manhã e retirar ao deitar. Após procedimento, vale o período
contínuo descrito pela equipe responsável. Para trombose, linfedema,
gestação ou doença arterial, a decisão deve considerar o diagnóstico e o
tipo de peça. Se nenhuma orientação foi dada, dormir sem a meia é a
opção habitual até que a prescrição seja confirmada.
Meia “de viagem” segue a
mesma regra?
Meias leves vendidas para conforto em viagens não substituem uma peça
medicinal medida para tratar edema ou insuficiência venosa. Durante um
voo longo, o benefício depende principalmente do período sentado; depois
de chegar e caminhar, costuma não haver razão para mantê-la durante o
sono. Quem recebeu anticoagulação ou compressão por trombose prévia
segue um plano próprio. Inchaço assimétrico que apareceu depois da
viagem não deve ser tratado apenas comprando uma meia: é preciso excluir
trombose antes de aplicar uma compressão escolhida sem medida.
A orientação muda quando a meia foi prescrita depois de procedimento,
cenário descrito em recuperação da cirurgia de
varizes, ou quando existe suspeita de trombose no braço.
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Referências
- Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust. Compression stockings. https://www.guysandstthomas.nhs.uk/health-information/compression-stockings
- Cambridge University Hospitals. Compression hosiery for the
treatment of deep vein thrombosis. https://www.cuh.nhs.uk/patient-information/compression-hosiery-for-the-treatment-of-deep-vein-thrombosis-dvt/

