Infecção após septoplastia é incomum. Febre persistente, dor que
aumenta em vez de diminuir, secreção espessa com mau cheiro, vermelhidão
do nariz ou rosto e piora do estado geral são mais sugestivos do que
congestão, crostas e secreção com sangue nos primeiros dias.
O que é esperado depois da
cirurgia
O interior do nariz fica inchado e produz muco misturado a pequenas
quantidades de sangue. A respiração pode parecer pior que antes enquanto
há edema, crostas e, em alguns casos, placas de silicone. Pressão na
face, dor leve a moderada e redução temporária do olfato também podem
ocorrer.
A evolução importa mais que um sintoma isolado. O desconforto costuma
ficar controlável e diminuir. Secreção inicialmente avermelhada tende a
ficar rosada e depois clara. Mau cheiro discreto pode vir de crostas
antigas, mas odor forte associado a pus, febre ou dor crescente precisa
de exame.
Sinais que sugerem infecção
Temperatura elevada mantida, calafrios, secreção amarela ou
esverdeada em grande quantidade e sensibilidade que se expande para a
face formam um conjunto suspeito. A pele externa pode ficar quente e
vermelha. Dor localizada no septo, obstrução progressiva e sensação de
pressão também podem indicar coleção.
Antibiótico preventivo não elimina completamente o risco e pode mudar
a aparência da secreção. O diagnóstico depende de inspecionar a cavidade
nasal e, quando necessário, coletar material. Nem toda secreção colorida
é bacteriana, de modo que prolongar ou trocar antibiótico sem exame pode
atrasar a identificação de hematoma, crosta retida ou reação ao
material.
Hematoma e abscesso do septo
Sangue pode se acumular entre cartilagem e sua membrana de nutrição.
Esse hematoma costuma causar obstrução dos dois lados e dor ou pressão
que não melhora. Se for infectado, forma abscesso septal. A cartilagem
pode perder suprimento e sofrer necrose, com risco de deformidade do
dorso nasal.
É uma complicação que precisa de drenagem rápida, não apenas
comprimido. O exame mostra abaulamento macio no septo. A retirada do
conteúdo, cultura e antibiótico protegem a cartilagem. Obstrução
bilateral súbita ou piora acentuada após uma melhora inicial não deve
aguardar a consulta de rotina.
Quando o sangramento é
problema
Pequeno gotejamento e curativo externo manchado são frequentes no
início. Sangue vivo que escorre continuamente para a garganta, encharca
gazes repetidamente ou não reduz com as medidas orientadas pela equipe
exige contato imediato. Tontura, palidez, desmaio ou falta de ar elevam
a urgência.
Assuar com força, esforço intenso e manipulação de crostas favorecem
novo sangramento. Anti-inflamatórios e anticoagulantes interferem na
coagulação, mas a suspensão depende da indicação original; a equipe
cirúrgica coordena qualquer ajuste.
Como a infecção é tratada
Infecção superficial pode responder a antibiótico escolhido para as
bactérias prováveis e ajustado pela evolução. Coleções precisam de
drenagem. Placa, tampão ou ponto que atua como foco pode precisar ser
removido. Lavagem salina e limpeza profissional ajudam a retirar
crostas, mas não substituem o controle de pus.
Ausência de melhora em 24 a 48 horas após o início do tratamento
justifica reavaliação. Resistência bacteriana é uma possibilidade, porém
coleção fechada, diagnóstico alternativo e extensão para tecidos
vizinhos são explicações igualmente importantes.
Sinais de urgência
hospitalar
Inchaço ao redor do olho, alteração da visão, dor de cabeça muito
forte, rigidez de nuca, confusão e vômitos repetidos são sinais incomuns
e preocupantes. Dificuldade respiratória não atribuível apenas ao nariz,
sangramento volumoso e piora rápida também indicam pronto
atendimento.
Na maioria das recuperações, nenhum desses eventos ocorre. O objetivo
dos sinais de alerta é separar desconforto previsível de uma mudança de
trajetória, não transformar crosta ou congestão isolada em infecção.
Cuidados que favorecem
cicatrização
Soro fisiológico conforme o protocolo mantém secreções menos
espessas. Cabeceira elevada reduz edema nos primeiros dias. Tabaco e
fumaça irritam a mucosa e atrasam a recuperação. Introduzir hastes,
pinças ou pomadas não prescritas machuca o septo e contamina o
local.
Retornos permitem aspirar crostas e verificar alinhamento,
perfuração, sinequias e hematoma. Levar uma descrição temporal — quando
houve melhora e quando voltou a piorar — ajuda mais que apenas informar
a cor da secreção.
Crosta, secreção e placa de
silicone
Placas internas podem acumular muco e causar sensação de odor sem que
exista abscesso. Elas são retiradas no prazo definido pelo cirurgião;
tentar puxá-las pode romper ponto e sangrar. Crosta escura costuma ser
sangue seco, enquanto tecido branco-amarelado pode ser fibrina de
cicatrização. Pus tende a vir com secreção espessa, dor e inflamação
progressiva.
Soro fisiológico não precisa sair completamente pelo outro lado para
funcionar. A frequência e o método variam entre borrifador e irrigação
de maior volume. Se a lavagem causa dor forte, pressão no ouvido ou
sangramento repetido, a técnica deve ser revista. Pomada antibiótica
intranasal não é universal: pode irritar, provocar dermatite e
selecionar bactérias quando usada sem indicação.
Quanto tempo o nariz fica
obstruído
Congestão importante pode durar duas a três semanas, e a sensação de
fluxo continua mudando por meses enquanto o edema baixa. Uma narina pode
abrir antes da outra. Obstrução que piora progressivamente, permanece
completa de ambos os lados ou vem com deformidade externa exige exame.
Sinequias — aderências entre paredes internas — são tratadas de modo
diferente de inchaço e não melhoram apenas aumentando
descongestionante.
Endurecimento externo sem febre pode corresponder à fibrose após rinoplastia, enquanto
perda real de suporte é esclarecida em regeneração da cartilagem
nasal.
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Referências
- American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery. Clinical
indicators: septoplasty. https://www.entnet.org/resource/clinical-indicators-septoplasty/ - Cleveland Clinic. Septoplasty: procedure and recovery. https://my.clevelandclinic.org/health/treatments/17779-septoplasty


