Após a extração do siso, a gengiva fica inchada e pode apresentar um orifício coberto por coágulo escuro, seguido por uma camada branca ou amarelada de fibrina. Essa película faz parte da cicatrização e não é pus por si só. O fechamento visível ocorre gradualmente em algumas semanas, enquanto o preenchimento do osso leva meses. A evolução esperada é de dor e inchaço atingirem um pico inicial e depois diminuírem.
Primeiras 24 horas
Logo após a retirada, o alvéolo fica preenchido por sangue. O coágulo funciona como uma matriz para vasos e células reparadoras. Pode parecer vermelho-escuro ou quase preto. Pequena quantidade de sangue misturada à saliva é comum, mas fluxo contínuo ou formação repetida de grandes coágulos fora da área merece contato com a equipe.
Se houve incisão, os pontos aproximam a gengiva sem necessariamente fechar todo o alvéolo. Um pequeno espaço pode ser intencional para permitir acomodação dos tecidos. O fio pode ser absorvível ou precisar de retirada, e a aparência varia conforme o material.
Evitar bochecho vigoroso, sucção e manipulação nas primeiras horas protege o coágulo. A orientação sobre gaze, alimentação e higiene deve seguir o procedimento realizado, sobretudo quando houve enxerto ou comunicação com o seio maxilar.
Entre o segundo e o quarto dia
O edema geralmente cresce até 48 ou 72 horas. Bochecha inchada, roxo, dificuldade moderada para abrir a boca e sensibilidade ao engolir podem ocorrer, principalmente em sisos inferiores inclusos. Depois do pico, o esperado é melhora gradual.
A superfície do alvéolo passa a apresentar fibrina, uma camada esbranquiçada ou amarelada que pode ser confundida com alimento ou infecção. Tentar removê-la com cotonete, escova ou dedo provoca sangramento e atrasa a reparação. Pus tende a vir acompanhado de piora de dor, edema, gosto ruim, odor forte ou febre.
Os pontos podem ficar cobertos pela gengiva inchada ou parecer mais frouxos conforme o edema cede. Isso não significa automaticamente que a cirurgia abriu.
Como o buraco se fecha
Tecido de granulação substitui o coágulo e a gengiva cresce das bordas para o centro. A abertura fica progressivamente menor, mas pode reter partículas por algumas semanas. O tempo é maior em dentes inferiores, extrações amplas e pessoas com cicatrização mais lenta.
Por baixo da gengiva, o alvéolo é preenchido por osso novo ao longo de meses. Uma depressão no local não representa falha enquanto a superfície está saudável e os sintomas melhoram. A imagem final da gengiva pode diferir do lado oposto, especialmente se o siso estava profundamente incluso.
A higiene passa a incluir escovação cuidadosa dos dentes vizinhos. Irrigação do alvéolo, quando indicada, normalmente começa apenas na data orientada, não imediatamente após a cirurgia. O jato deve remover resíduos sem traumatizar o tecido.
Dor esperada e alveolite
A dor pós-operatória comum acompanha o pico de inflamação e responde ao esquema analgésico. Alveolite ocorre quando o coágulo se perde ou se desorganiza e o osso fica exposto. O padrão típico é dor forte que aumenta entre o segundo e o quinto dia, podendo irradiar para ouvido ou têmpora, com gosto desagradável.
O alvéolo pode parecer vazio, mas a aparência isolada não confirma o diagnóstico. O tratamento envolve limpeza cuidadosa e curativo local para alívio; antibiótico não é obrigatório quando não há infecção disseminada. Fumar e extração difícil aumentam o risco.
Alimentação e rotina
Alimentos macios, frios ou em temperatura ambiente são mais confortáveis no início. A progressão para consistências firmes acompanha a dor e a capacidade de mastigar sem pressionar a área. Canudos criam sucção e são evitados na fase inicial.
Atividade física intensa pode aumentar pulsação e sangramento nos primeiros dias. Trabalho leve costuma retornar antes de esforço físico. Mandíbula rígida melhora com o controle da inflamação e mobilização suave após a fase inicial, conforme orientação.
Sinais de complicação
Dor ou inchaço que pioram depois do terceiro ou quarto dia, febre, pus, dificuldade crescente para abrir a boca, engolir ou respirar exigem avaliação. Sangramento que não cede com compressão também precisa de orientação imediata.
Após siso superior, passagem de líquido entre boca e nariz, saída de ar pelo alvéolo ou sensação de comunicação com o seio maxilar deve ser relatada. Dormência persistente de lábio, queixo ou língua merece acompanhamento específico. Na maioria dos casos, porém, a película clara e o pequeno buraco representam etapas normais, não infecção.
Diferenças entre siso superior e inferior
Sisos inferiores ficam próximos do nervo alveolar inferior e podem exigir remoção de osso e divisão do dente. Por isso, costumam produzir mais rigidez, edema e uma abertura que leva tempo para preencher. Alteração de sensibilidade no lábio ou queixo é acompanhada, sobretudo quando as raízes estavam próximas do canal mandibular.
Nos superiores, o alvéolo pode estar perto do seio maxilar. Uma comunicação pequena frequentemente fecha com proteção, mas exige evitar pressão nasal e seguir a equipe. A saída de líquido pelo nariz ou ar passando pela ferida não é aparência normal da gengiva e modifica o acompanhamento.
O lado operado também muda a forma de mastigar e acumular alimento. Após a fase de coágulo, higiene eficaz reduz gosto e inflamação. O objetivo não é manter o local intocado por semanas, e sim mudar de proteção inicial para limpeza cuidadosa no momento indicado. Essa transição explica por que orientações de primeiro dia não devem ser repetidas indefinidamente.



