Dor na virilha nas primeiras semanas após prótese de quadril pode vir
da incisão, músculos e recuperação da marcha. Dor que persiste, piora ao
levantar a perna ou começa depois de período sem dor pode indicar
irritação do iliopsoas, infecção, fratura, soltura ou problema da
prótese.
O que é esperado no início
Tecidos foram afastados e o osso recebeu componentes. Edema, hematoma
e dor ao iniciar movimento são comuns. Caminhar com apoio e exercícios
produzem desconforto que deve reduzir ao longo das semanas.
A tendência é mais importante que ausência completa de dor.
Necessidade crescente de analgésico, regressão da marcha e dor em
repouso ou à noite pedem revisão antes da data programada.
Iliopsoas e dor ao levantar
a perna
O tendão iliopsoas passa na frente do quadril e pode roçar na borda
do componente acetabular, em parafuso ou cimento. Dor aparece ao subir
escadas, entrar no carro, levantar da cadeira e erguer a perna
estendida. Colocar meia pode incomodar.
O exame reproduz dor com flexão resistida. Radiografia e tomografia
avaliam posição da taça. Infiltração guiada com anestésico pode
confirmar fonte e aliviar. Fisioterapia, ajuste de atividade, liberação
do tendão ou revisão do componente são opções conforme anatomia.
Infecção da prótese
Infecção precoce pode causar febre, vermelhidão, calor, secreção e
dor crescente, mas algumas infecções têm apenas dor persistente.
Proteína C reativa e velocidade de sedimentação ajudam; punção articular
analisa células e cultura.
Antibiótico antes da coleta pode reduzir cultura e deve ser
coordenado, salvo se há sepse. Tratamento pode incluir limpeza cirúrgica
com troca de partes móveis ou revisão em etapas, dependendo do tempo e
do microrganismo.
Fratura ao redor da prótese
Queda ou torção pode fraturar o fêmur. Dor súbita, incapacidade de
apoiar, encurtamento ou deformidade indicam urgência. Algumas fissuras
pequenas surgem durante cirurgia e são acompanhadas com restrição de
carga.
Raio X geralmente identifica; tomografia esclarece. O tratamento vai
de proteção a fixação e revisão da haste, conforme estabilidade.
Soltura e desgaste
Anos após artroplastia, partículas de desgaste podem provocar perda
óssea e soltura. Dor na virilha com apoio sugere componente acetabular;
dor na coxa pode acompanhar haste, mas padrões se sobrepõem.
Radiografias seriadas mostram migração e linhas ao redor.
Prótese mal posicionada também pode causar impacto e instabilidade.
Revisão só é indicada quando a causa está bem definida, porque trocar
componentes tem riscos maiores que a cirurgia primária.
Coluna e parede abdominal
Compressão de nervos lombares pode irradiar para virilha e coxa.
Hérnia inguinal, doença urinária e problemas ginecológicos também causam
dor na mesma região. Um quadril com imagem adequada não exclui essas
fontes.
Exame compara movimento do quadril, coluna, força, sensibilidade e
presença de massa. Isso evita atribuir toda dor à prótese.
Trombose e complicações
vasculares
Trombose costuma causar edema de perna, panturrilha dolorosa e calor,
mas dor pode ser alta. Falta de ar e dor no peito indicam possível
embolia. Profilaxia reduz risco sem zerar.
Pulso reduzido, perna fria ou hematoma expansivo são raros e
urgentes. Ultrassom vascular e angiotomografia são usados conforme
suspeita.
Como a avaliação é
organizada
Tempo desde cirurgia, momento de início, relação com carga e flexão e
sinais sistêmicos orientam. Radiografia é o primeiro exame. Marcadores
inflamatórios entram se há infecção; tomografia avalia posição e osso;
ultrassom mostra coleções e guia infiltração.
Ressonância com técnicas para reduzir artefato metálico pode avaliar
tecido mole. Exames são sequenciados para responder hipóteses, não
pedidos todos ao mesmo tempo.
O que fazer até a consulta
Reduzir atividade que reproduz dor e usar apoio previamente liberado
evita quedas. Exercícios que pioram acentuadamente são pausados até
revisão, sem abandonar toda mobilidade. Analgésicos seguem o plano
pós-operatório e contraindicações.
Febre, secreção, incapacidade de apoiar, luxação aparente, perna fria
ou falta de ar exigem atendimento imediato. Dor persistente sem alarme
merece consulta com radiografia, não semanas de tentativas
inespecíficas.
Luxação sempre causa
deformidade?
Luxação costuma provocar dor súbita, incapacidade de mover e posição
anormal da perna, mas o aspecto varia com a direção. É emergência para
redução sob analgesia ou anestesia. Tentar colocar no lugar fora do
hospital pode causar fratura e lesão neurovascular.
Depois da redução, radiografia confirma posição e procura dano.
Recorrência leva a avaliar componentes, tecidos e movimentos de risco.
As precauções dependem da via cirúrgica e não devem ser copiadas de
outro paciente.
Comprimento da perna e dor
Pequena diferença percebida no início pode vir de contratura pélvica
e costuma melhorar com marcha. Diferença estrutural maior altera tensão
do iliopsoas e lombar. Palmilha não é prescrita apenas pela sensação nas
primeiras semanas; medida clínica e radiográfica espera estabilização
adequada.
Fraqueza do glúteo médio causa mancar e sobrecarga anterior.
Reabilitação focada na mecânica pode reduzir dor quando componentes
estão estáveis e infecção foi excluída.
Uma nova dor após queda exige comparar com a recuperação de fratura do fêmur; sintomas
irradiados e neurológicos se aproximam do conteúdo sobre fratura na coluna.
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Referências
- American Academy of Orthopaedic Surgeons. After joint replacement
surgery. https://orthoinfo.aaos.org/globalassets/pdfs/after-your-joint-replacement-surgery.pdf - American Academy of Orthopaedic Surgeons. Joint replacement
infection. https://orthoinfo.aaos.org/en/diseases–conditions/joint-replacement-infection/


