Não é obrigatório tirar o siso para colocar aparelho. A extração só deve fazer parte do planejamento quando houver uma razão identificada, como doença no próprio dente, dano ao vizinho ou uma necessidade específica da movimentação ortodôntica. A presença dos sisos, sozinha, não demonstra que eles precisam sair. [1] [2]
Retirar dentes para ganhar espaço é uma decisão diferente
Em uma arcada com dentes muito apinhados, pode ser necessário criar espaço para alinhar os dentes e corrigir a mordida. O planejamento pode considerar extrações ou outras formas de movimentação, conforme a posição dentária, o perfil e os limites dos tecidos de suporte. A British Orthodontic Society ressalta que não existe uma solução única para todos os pacientes. [2]
Entretanto, “precisar de espaço” não significa automaticamente extrair o siso. Ele fica no fundo da arcada, e o espaço obtido ali não equivale ao espaço necessário em outra região. O planejamento deve explicar qual movimento depende da retirada e em que etapa ela será necessária.
Da mesma forma, prometer que nenhum tratamento precisará de extração antes de examinar a boca também é inadequado. A decisão precisa estar ligada ao problema a corrigir e ao resultado possível, e não a uma regra de que todo aparelho exige retirar quatro sisos ou de que toda extração é dispensável.
O siso empurra os dentes da frente?
O apinhamento dos dentes inferiores pode aumentar ao longo da vida, inclusive depois de um tratamento ortodôntico. A ideia de que isso acontece apenas porque o siso “empurra” a arcada não explica todos os casos.
Uma revisão Cochrane sobre sisos inclusos sem sintomas e sem doença encontrou evidência limitada para escolher entre retirar e acompanhar. O estudo que avaliou mudanças no alinhamento após tratamento ortodôntico não demonstrou benefício clinicamente significativo da extração, mas tinha limitações metodológicas. Assim, não há suporte consistente para retirar rotineiramente um siso saudável apenas para prevenir dentes tortos. Isso é diferente de afirmar que ele nunca possa interferir em um planejamento específico. [1]
Quando a retirada pode ter uma indicação própria
Um siso com cárie sem possibilidade de restauração, infecção recorrente, cisto ou dano ao dente ao lado pode precisar ser removido independentemente do aparelho. Dentes parcialmente erupcionados podem dificultar a higiene e favorecer inflamação na gengiva ao redor. Por outro lado, um siso incluso não precisa ser extraído apenas porque ainda está dentro do osso. [3]
Não sentir dor também não comprova ausência de problema. Exame clínico e imagem, quando indicada, ajudam a verificar posição, relação com o segundo molar e estruturas próximas. O benefício esperado da extração deve ser comparado com seus riscos, incluindo dor, inchaço, infecção e alterações de sensibilidade, especialmente nos sisos inferiores. [3]
Quando a escolha é manter o dente, acompanhamento significa reavaliar sua condição; não significa ignorá-lo indefinidamente. A frequência e a necessidade de novas imagens dependem dos achados, sem repetir radiografias apenas por calendário.
Tirar o siso não substitui a contenção
Depois de tirar o aparelho, os dentes podem voltar a mudar de posição. A contenção ajuda a preservar o alinhamento e costuma ser necessária por longo prazo. Sua indicação não desaparece porque os sisos foram extraídos. [4]
Se a contenção quebrou, deixou de encaixar ou os dentes começaram a se deslocar, o problema precisa ser avaliado diretamente. Extrair um siso sem revisar a contenção e a mordida não garante recuperar ou manter o resultado ortodôntico.
A anatomia também influencia a dificuldade da operação. O artigo sobre raízes do dente do siso explica por que posição e formato das raízes entram na avaliação antes da extração.
