A vacina contra catapora faz parte da rotina do SUS para crianças: uma dose aos 15 meses e outra aos 4 anos. Quando há atraso, dúvida na caderneta, doença anterior, contato recente com catapora ou condição que reduza a imunidade, a unidade de saúde confere a regra aplicável antes de vacinar.
Importância da vacinação contra varicela

Catapora é o nome da varicela, infecção pelo vírus varicela-zóster. Ela é muito transmissível e costuma causar febre e lesões que coçam; em muitas crianças saudáveis, melhora sem complicações. Isso não torna a doença irrelevante: as lesões podem ter infecção bacteriana associada, e pneumonia ou complicações neurológicas podem ocorrer. Gestantes suscetíveis, recém-nascidos, adolescentes, adultos e pessoas com imunidade reduzida merecem atenção maior diante de exposição ou doença.
Antes da vacinação, a varicela circulava amplamente na infância. No Brasil, a vacina tetraviral foi introduzida no PNI em setembro de 2013 para crianças de 15 meses. Um estudo publicado em 2020, ao recuperar dados do SUS, relatou 1.800 mortes atribuídas à varicela entre 2003 e 2013, mais de 36% entre crianças de 1 a 4 anos. São dados históricos, não uma medida da carga atual: o mesmo estudo encontrou queda de mortalidade e internações nos anos posteriores à introdução da vacinação.
A vacinação reduz casos e complicações, mas não substitui o cuidado quando as lesões ou a febre já começaram. O CDC estima que duas doses sejam cerca de 90% eficazes para prevenir catapora; essa é uma estimativa de eficácia contra a doença e não define as idades, produtos ou regras de acesso no SUS. Para a elegibilidade brasileira, vale o calendário do PNI. O Ministério da Saúde orienta observar a evolução e procurar atendimento diante de sinais de gravidade.
A vacina contra varicela usada na rotina é de vírus vivo atenuado. Ela pode aparecer na caderneta como vacina varicela ou, quando a monovalente não está disponível, como tetraviral, que também protege contra sarampo, caxumba e rubéola. No calendário de 2026, essa possibilidade é prevista aos 15 meses e aos 4 anos.
Por ser uma vacina viva, ela não deve ser decidida sem avaliação em algumas situações. A gestação é contraindicação; quem foi vacinada sem saber que estava grávida deve comunicar o serviço de saúde, pois a norma não recomenda interromper a gestação por esse motivo. Imunodepressão, quimioterapia, transplante, uso de medicamentos imunossupressores, HIV e reação grave a dose anterior ou a componente da fórmula também exigem a regra específica do PNI ou do CRIE.
Programa Nacional de Imunizações e calendário
O PNI define as vacinas oferecidas no SUS e atualiza as orientações conforme idade, registro e situação epidemiológica. Para crianças, a primeira dose contra varicela é indicada aos 15 meses e a segunda aos 4 anos. Na população geral, a atualização de quem não foi vacinado vai até 6 anos, 11 meses e 29 dias, conforme história da doença e documentação.
Isso não significa que a vacina seja rotina universal para qualquer adulto. No calendário de adolescentes e jovens, por exemplo, ela é prevista para trabalhadores da saúde e povos indígenas sem história de varicela ou quando há dúvida, conforme o histórico vacinal. Pessoas com condições clínicas especiais podem precisar de avaliação em serviço de referência.
Como conferir se a dose está em dia
| Situação | O que confirmar no posto |
|---|---|
| Criança com carteira completa | Se constam as doses previstas aos 15 meses e aos 4 anos, como varicela ou tetraviral quando aplicável. |
| Atraso ou dúvida no registro | Idade, doses documentadas e história de catapora; a orientação de atualização depende desses dados. |
| Imunossupressão, quimioterapia ou transplante | Se a vacina viva é indicada naquele momento; não usar a regra da rotina sem avaliação. |
| Contato com caso de catapora | Data e tipo do contato, caderneta e história da doença, pois as medidas de pós-exposição dependem do tempo e do risco. |
Leve a caderneta e informe se a criança já teve catapora, recebeu dose fora da idade habitual ou teve contato recente com alguém doente. Ausência de registro, doença anterior e faixa etária podem mudar se uma dose é considerada válida, precisa ser atualizada ou se a pessoa deve ser encaminhada.
Contato com catapora e acompanhamento da doença
Quem teve contato recente com um caso não deve esperar até a próxima visita de rotina. O PNI prevê medidas de pós-exposição em contexto de surto, com prazos, idades e vulnerabilidades próprios. A partir de 7 anos, a instrução traz esquema para pessoas não vacinadas nesse contexto; essa regra não transforma a vacina de rotina em indicação universal para adultos.
Recém-nascidos, gestantes suscetíveis e pessoas imunodeprimidas expostas podem ter indicação de imunoglobulina humana antivaricela-zóster dentro de prazo curto. É uma decisão do serviço de saúde. Ao procurar atendimento, informe quando ocorreu o contato, se a pessoa exposta teve catapora e quais doses estão registradas.
| Marcador | Por que muda a urgência |
|---|---|
| Febre persistente ou piora rápida | Pode indicar que o quadro não está evoluindo como uma varicela leve. |
| Respiração e hidratação | Falta de ar, vômitos repetidos ou pouca urina reduzem a segurança de observar em casa. |
| Lesões dolorosas ou com secreção | Calor, pus ou vermelhidão que se espalha podem sugerir infecção bacteriana associada. |
| Grupo de maior risco | Gestantes, recém-nascidos, adultos e pessoas imunodeprimidas precisam de avaliação mais precoce. |
A varicela passa por secreções respiratórias, saliva e contato com o líquido das vesículas. Para reduzir a transmissão, o Ministério da Saúde orienta afastar crianças da escola até todas as lesões evoluírem para crostas; lavar as mãos após tocar as lesões e não compartilhar objetos pessoais ajudam, mas não substituem o afastamento. Em crianças e adolescentes com varicela, não use ácido acetilsalicílico (AAS), pelo risco de síndrome de Reye. Antibiótico não trata o vírus e só é usado quando uma avaliação identifica infecção bacteriana.

