Um homem com apenas um testículo pode ter filhos se o testículo restante produzir espermatozoides adequadamente. Quando os dois testículos estão realmente ausentes ou foram removidos, não há produção de novos espermatozoides. Nesse caso, a possibilidade de um filho geneticamente relacionado depende, em geral, de espermatozoides que tenham sido preservados anteriormente.
Antes de responder sobre fertilidade, é importante esclarecer o que significa “sem testículo”: ausência de um lado, retirada dos dois, testículos fora da bolsa escrotal ou ausência de espermatozoides no sêmen são situações diferentes.
Quem perdeu um testículo pode engravidar a parceira naturalmente?
Pode. Um testículo saudável pode manter a produção de testosterona e de espermatozoides. A retirada de um lado por torção, trauma ou câncer não estabelece, por si só, infertilidade.
O ponto decisivo é a função do testículo restante e a causa que levou à perda. Quem também recebeu quimioterapia, teve doença no outro testículo ou já apresentava baixa contagem de espermatozoides pode ter uma situação diferente. Por isso, “ter um testículo” não garante fertilidade, assim como não comprova impossibilidade de ter filhos.
O espermograma ajuda a avaliar a produção que chega ao ejaculado. Se existe dificuldade para engravidar, a investigação precisa considerar os dois parceiros, além de cirurgias, tratamentos prévios e medicamentos.
E se os dois testículos foram retirados?
Os espermatozoides são produzidos no tecido testicular. A retirada completa dos dois testículos interrompe essa produção. Reposição de testosterona pode ser necessária para tratar a deficiência hormonal, mas não cria novos testículos nem recupera a capacidade de produzir espermatozoides.
Quando a cirurgia é planejada e há produção de espermatozoides, pode-se discutir congelamento antes do tratamento. O material preservado pode ser usado futuramente em reprodução assistida, conforme sua qualidade, quantidade e as condições reprodutivas da parceira. O congelamento amplia opções, mas não garante uma gestação.
Se ambos os testículos estão ausentes e não existe material reprodutivo preservado, uma cirurgia de busca de espermatozoides não tem tecido testicular onde procurá-los. Nesse cenário, podem ser discutidas outras formas de construir uma família, como reprodução com sêmen doado ou adoção, conforme os desejos das pessoas envolvidas.
Bolsa escrotal vazia nem sempre significa ausência
Na criptorquidia, um ou os dois testículos não estão na posição habitual no escroto. Podem estar em outro local, como a região inguinal. Isso não é equivalente a terem sido retirados, embora possa estar associado a prejuízo de fertilidade e exija avaliação própria.
Relatos de uma cirurgia na infância também precisam ser esclarecidos. Às vezes, a operação reposicionou um testículo; em outras, removeu tecido inviável. Exame físico e documentos anteriores ajudam a definir a anatomia antes de estimar possibilidades reprodutivas.
Ter ejaculação ou ereção prova que existem espermatozoides?
Não. Boa parte do líquido do sêmen vem de glândulas como a próstata e as vesículas seminais. É possível haver saída de líquido sem espermatozoides. Ereção e orgasmo também não funcionam como testes de fertilidade.
A testosterona tem papel no desejo sexual e em várias funções do organismo, mas hormônio e espermatozoide não são a mesma coisa. Nem suplementos nem produtos anunciados para aumentar testosterona substituem o tecido que produz as células reprodutivas.
Azoospermia é a mesma coisa que não ter testículos?
Azoospermia significa ausência de espermatozoides na amostra de sêmen analisada. Pode ocorrer com testículos presentes, por bloqueio no transporte ou por produção muito reduzida. Nessas situações, exames adicionais podem identificar a causa.
Em alguns homens com tecido testicular e azoospermia, é possível encontrar espermatozoides por técnicas de extração para uso em reprodução assistida. A chance depende da causa, e o procedimento pode não encontrar células utilizáveis. Essa possibilidade não deve ser transferida para a situação de ausência completa dos dois testículos.
Se há cirurgia ou tratamento potencialmente prejudicial à fertilidade programado, a conversa sobre preservação deve acontecer antes, sempre que a condição clínica permitir. Depois de uma perda já ocorrida, o primeiro passo é reconstruir o histórico e verificar quais opções realmente existem.
Referências
- Guy’s and St Thomas’ — fertilidade após retirada de um testículo.
- UCLH — retirada de testículos, preservação seminal e testosterona.
- HFEA — congelamento de espermatozoides.
- HFEA — extração cirúrgica de espermatozoides.
- NHS — testículos não descidos.
- AUA/ASRM — análise do sêmen e investigação da azoospermia.
- National Cancer Institute — componentes do sêmen.
- National Cancer Institute — origem dos espermatozoides.
